quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Herdeira? - 5

Vamos nos organizar:


Herdeira? - 6 - no dia 2 de setembro, sábado
Herdeira? - 7 - no dia 6 de setembro, quarta-feira
Surpresa - no dia 9 de setembro, sábado. Tem a ver com o livro 4.

Quem quiser saber como continua, estarei esperando no estande da Qualis - Pavilhão Azul - F01/G02, com o livro, marcadores e brindes, durante toda a Bienal.
Agora, Herdeira? já está em pré-venda na Saraiva - link
Depois da Bienal, estará disponível no site da Mundo Uno também.

Nos outros dias, se o iPad colaborar, termos postagens do dia a dia da Bienal. Com excelentes notícias, espero!


Esta parte é a que se segue à postagem do dia 26.



CHEGOU À CÚPULA 1 aborrecida por não ter encontrado ao menos uma pista. Ignorou a bronca da avó, dispensou as aias, foi para seus aposentos e bateu a porta no nariz dos quatro velhotes da Guarda que a acompanharam passo a passo.
Nas amplas antessalas, a governanta e uma dúzia de serviçais a aguardavam. Katelin expulsou todo mundo. Não precisava de supervisão para tomar banho e não estava com fome. Só queria ficar sozinha!
Bateu a porta com um estrondo de estremecer paredes.
A governanta se retirou primeiro, tão empertigada quanto os velhotes da Guarda Imperial. As serviçais saíram logo depois, conjecturando que algo devia ter dado errado no programa da noite.
– Como os encontros dela são quase sempre com Lorde Lonal, é só vermos aonde ele andou! Imaginem se ele esqueceu nossa princesinha! – sussurrou uma delas, e todas abafaram risos. O charmoso e sorridente Lorde de Cenaros arrancava suspiros de todas as garotas do palacete.
– E coitadinha da Lady Glaira... Aturar o mau humor dela não é fácil!
– Ah, nem se preocupe. A Lady não entende quase nada. O que entende, esquece no outro dia.
– Ela é tão boazinha... Lady Glaira, quero dizer. Que pena que ficou assim...
Quietas, as outras concordaram. Os Lordes badernavam um bocado, mas eram simpáticos e inteligentes. Só Glaira havia ficado meio abobada desde o assassinato dos pais.


KATELIN TRANCOU a porta depois de, aparentemente, ter tentado arrancá-la ao bater.
O quarto era gigantesco, a cama com dossel era monumental, e a pobrezinha Lady Glaira devia estar dormindo nela, como sempre. Afinal, Glaira não desgrudava de Katelin.
A irritação de Katelin falava de problemas na incursão noturna. Glaira arredou o dossel de rendas, colocando-se de pé cheia de preocupação.
– O que houve, Kate? Alguém descobriu você?
– Não. Correu tudo bem, mas não estou entendendo nada, desta vez! Entrei lá, peguei os dados, saí, fui pra Cúpula 32 badernar alguma coisa, e acredita que a Pérola me mandou vir pra cá porque eram informações urgentes e importantes demais? E sumiu sem ordem, quando eu disse que ia tumultuar primeiro!
– Mas, se era urgente...
– Eram só dados de uma cúpula nova, Glaira. Estavam numa pasta, em cima da mesa de trabalho dele!
– Espere aí. – Glaira cortou a impaciência da amiga. – Calma, Kate. Me conte tudo desde o começo, com detalhes. A Pérola nunca se enganou antes.
Kate bufou e relatou desde a invasão ao gabinete até o retorno no veículo oficial. Glaira, sentada na cama, ativou um terminal de última geração, e Kate transferiu as fotos dos documentos para ele. Glaira analisou-as. Kate estava certa. Eram somente dados sobre uma nova cúpula.
– Pensei em um código ou coisa do tipo, mas são documentos-padrão – disse Kate. – Cada palavra está onde deveria estar! Só algumas estimativas estão erradas.
– Me mostre.
Kate localizou os dados e Glaira os examinou. Realmente, o material de construção era insuficiente.
– Espere... Tem outra coisa faltando, tão óbvia que nem tinha percebido. – Kate verificou novamente as primeiras páginas, conferindo o que sua memória informava. – Olhe. Não tem previsão de solo!
– Ok, são centenas de metros cúbicos de terra, mas é só terra, não exige preparação especial. Talvez por isso tenham deixado de fora. E você tem razão, não há nada de diferente que sugira um código embutido. É apenas o planejamento para uma ecocúpula de margem controlada. Os conselheiros parecem estar precisando de espaço para construir suas mansões.
– O que é repugnante, mas não urgente. – Kate trouxe para a cama uma travessa com frutas. – Quem precisa de espaço são os trabalhadores, que estão cada vez mais empilhados nas cúpulas recicladas.
Glaira passava as imagens no terminal para frente e para trás, tentando achar alguma discrepância que justificasse o aviso da Pérola.
– Boa sorte. – Kate ocupou-se com uma suculenta maçã. – Fiz isso na minha cabeça uma dúzia de vezes.
– E a Pérola?
– Está de birra porque não voltei correndo quando ela mandou. Já chamei, mas está se fazendo de surda. Alguma ideia?
– Vamos começar determinando o local de construção.
Katelin aprumou-se, atenta. Ao norte e leste, os despenhadeiros impediam a implantação de mais cúpulas. As recicladas, dos trabalhadores de baixo escalão, se concentravam no sul, e nenhum conselheiro pensaria em erguer uma elegante ecocúpula após as recicladas. Os abonados de Nova Atlantis planejavam continuar a expansão de suas cúpulas lindamente arborizadas e ajardinadas para o oeste, mas, para a surpresa geral, as prospecções indicaram rochas frágeis demais.
– Os anéis externos são muito próximos uns dos outros, não há como incluir mais nada entre eles. – Glaira procurou, no terminal, o mapa de relevo de Nova Atlantis. – Talvez estejam pensando em construir aqui, na parte antiga, onde ainda há espaço vazio entre as cúpulas.
– Se fosse o caso, já deveriam estar tentando mudar as leis que proíbem isso. Mas não estão.
– E por que só uma cúpula? – especulou Glaira. – Sempre projetam ao menos dez por vez. E os projetos nunca são exatamente iguais, porque cada uma precisa se adaptar às rochas nas quais vai ancorar.
As moças olharam juntas o mapa de Nova Atlantis. A única possibilidade era ao sul, após as cúpulas recicladas. Naquela direção, o platô de rochas maciças se estendia por dezenas de quilômetros.
– Não, eles nunca são exatamente iguais – repetiu Kate. – O projeto da base vai nos dizer aonde pretendem construir!
Glaira chamou o esquema da base e pretendia compará-lo com as possibilidades geográficas da área, mas Kate segurou o pulso da amiga. Olhou a tela sem entender.
– Não é uma cúpula nova. É uma velha! Veja o setor norte elevado e as três rochas no centro. Esta é a base da Cúpula 76, Glaira!
Glaira conferiu as informações fornecidas pela memória privilegiada de Kate. Os documentos se referiam à Cúpula 76, sem dúvida. A 76 fazia parte do segundo grupo de recicladas construídas. Era a maior delas e ficava bem próxima das ecocúpulas.
– Eles pretendem transformar a 76 em uma cúpula de margem controlada. – Kate olhou a imagem na tela, espantada. – O que pareciam especificações de uma cúpula nova são só os dados da 76. Não tem previsão de solo porque ele já está lá, e não precisam de muito material porque a maior parte está lá também. A 76 tem dois mil e seiscentos moradores. Onde vão colocar essa gente, se as outras recicladas estão lotadas e não há novas em construção?
– Havia algum computador ou terminal no gabinete dele, Kate?
– À vista, não. Nem me preocupei porque a Pérola só sinalizou para a pasta com esses papéis. Veja. – Katelin indicou o timbre no cabeçalho das folhas. – Foi impresso no Conselho. Se tem alguma coisa que completa as informações, não está na casa dele, ou a Pérola teria avisado. Verifique qual impressora ele usou.
As impressoras do Conselho não tinham identificação, mas Glaira e Mahanor haviam criado um programa que localizava pequenas particularidades de cada uma.
– Duas possibilidades: a da portaria 3 e a do gabinete do conselheiro, e ele jamais imprimiria algo na portaria.
– Ok. Então, no terminal pessoal dele, lá no Conselho, tem alguma coisa relacionada às informações, e é por causa disso que a Pérola está tão nervosinha. Certo, coisa tinhosa?
A coisa tinhosa surgiu numa alegre chispa dourada sobre o edredom, entre Kate e Glaira.
– Pareceu um sim­ – comentou Glaira.
– E foi – assegurou Kate. – A melhor hora pra pegar vai ser amanhã à noite, durante a recepção aos novos conselheiros.
– Talvez seja o motivo da pressa da Pérola. – Glaira olhou o espetacular globo brilhante que tanto os ajudava. – Não vamos precisar invadir. Vamos estar lá dentro. O que acha?
– Ela está contente porque entendemos o que fazer e não vai responder mais nada agora.
– Lerri e Yonen estão longe, mas podemos chamar Kelara e Yeda.
– Deixe as duas em Arimar. Mahanor, Lonal, você e eu damos conta. – Kate olhou o diagrama da base da Cúpula 76, que continuava aberto na tela. – Você e Mahanor providenciam alguma distração enquanto Lonal e eu nos encarregamos de invadir o gabinete e o terminal daquele sujeito. 

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