domingo, 28 de agosto de 2016

AQUECE 8 - Jean. E uma aposta perigosa!

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Outro teste de cor



Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)



*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***


No Cisne, só Bobby conseguiu dormir. Os outros passaram a noite discutindo Peggy, Rip, Su, paranormalidade, mentais e Comando de Espaço. O dia estava clareando quando Pam notou a ausência de Jean.
– Acho que foi dormir. – Lis espreguiçou-se, bocejando.
– Ele não estava com cara de sono. Vou ver onde ele foi.
Jean estava debruçado na amurada da proa, olhando sem ver o mar e os golfinhos. A chegada de Pam sobressaltou-o.
– O que está fazendo aqui, Jean? Está frio!
– Eu... Bom, cansei de ouvir vocês falando de Peggy, é isso. Estou egoisticamente envolvido com meus próprios problemas.
– Então me desculpe. – Pam ensaiou uma retirada.
– Minha mãe chega hoje a Tarilian.
Pam tinha se aborrecido com o jeito de Jean falar. Desculpou-o na hora.
– Deve operar hoje mesmo – juntou o rapaz.
– Vai dar tudo certo.
Ele ficou quieto, apertando os braços.
– Qual deve ser a sensação de tornar a enxergar depois de trinta anos, Pam? Ela não nasceu cega. Nunca falou... Mas deve se lembrar do tempo em que enxergava.
Pam não achou o que dizer.
– Qual deve ser a sensação se a gente sai da cirurgia... e continua cego? Em quantos pedaços o mundo da gente se desfaz?
A garota se envergonhou de nem terem se lembrado da mãe de Jean.
– Se eu sou alguma coisa hoje, é graças a ela. Ela foi forte, quando meu pai morreu. – O repórter fez uma pausa e respondeu ao que Pam nunca se atrevera a perguntar. – Quando meu pai se meteu em mais problemas do que podia administrar e se matou, Laura era pequena e eu era um pirralho mimado que tinha tudo e não conseguia entender o "tudo" de repente transformado em "nada"... Nos tiraram tudo, até nossas roupas. Minha mãe voltou a trabalhar. Eu cuidava de Laura. O dinheiro não chegava, eu comecei a trabalhar... Ela me deu forças para aguentar tantas reviravoltas. E agora... Agora, Pam, tudo que eu queria era estar com ela, e ela está a um mundo de distância! Poder retribuir... ao menos um pouco...!
Jean secou o rosto, e Pam falou, dessa vez com firmeza:
– Vai acabar tudo bem. Você vai ver.
– É... Acho que sim. Eu espero que sim!
Pam tentou animá-lo:
– A doutora Niris (agora eles sabiam que a mulher ruiva que o major Narvone chamava de querida era médica e, no caso, a médica da nave Centauro) disse que sua mãe está em excelentes condições para a cirurgia. Também disse que tem uma ótima equipe aguardando lá em Tarilian, escolhida pelo próprio embaixador Donal. Além disso, sua mãe tem o doutor Jon para dar apoio.
– Tomara que ele goste da minha mãe tanto quanto parece que gosta. Ela vai precisar de um amigo, em Tarilian. Médicos, vai ter muitos!
– Você acha que ele gosta da sua mãe? – arriscou-se Pam. – Não como paciente nem amiga, eu quero dizer.
Os Melbourne já tinham comentado que o doutor Jon parecia muito mais do que o médico da família, mas não mencionaram a Jean. Achavam... estranho. Embaraçoso.
– Acho que gosta, sim – afirmou Jean. – Acho que ela também gosta dele.
– E você, o que acha... disso?
– Disso, minha mãe com outro marido? – Jean olhou para Pam. – O que você acharia, no meu lugar?
– Eu... não sei.
– O que acharia se o seu pai fosse acusado de ladrão, enchesse a cara e metesse uma bala nos miolos? E daí sua mãe arrumasse um novo pretendente? – Pam se enrolou toda e não achou resposta. – Quer saber o que eu acho? Acho que ela tem coragem, como sempre teve. Se fosse comigo, não sei se ia querer outra pessoa na minha vida! O doutor Jon é um sujeito sossegado e Laura o adora. Ele vai ser uma boa companhia para minha mãe. Você não acha?
– A mãe é sua... Você é que sabe.
– Queria a sua opinião, não a minha – insistiu Jean. – E se fosse na sua família? Suponha que aconteceu alguma coisa com seu pai. Um acidente, por exemplo. Daí, depois de um tempo, sua mãe encontra outra pessoa. O que você ia achar?
– Eu... eu... Acho que a decisão teria que ser dela...
– Mas o que você ia achar?
Pam não respondeu e, para sua surpresa, Jean sorriu.
– Sabe, na Escola de Jornalismo ensinam que todo mundo tem fraquezas e que um bom repórter pode tirar vantagem disso, se for esperto. Quando conheci vocês, comecei a procurar a fraqueza da família Melbourne. Demorei a encontrar! É bem esquisito, porque a fraqueza de vocês também é o que têm de mais forte: o grupo. Enquanto grupo, são de deixar a gente besta. Mas não conseguem nem pensar na ideia de mexer no grupo!
– Eu não tenho culpa de não conseguir imaginar meu pai morto!
– Não precisa ir tão longe – divertiu-se Jean. – Imagine você saindo daqui e tratando da sua vida, sem pai, mãe e irmãos em volta. Vai ter que fazer isso, um dia. Daí, como vai se sentir, longe da sua família? Ou quando tiver um namorado? É outro jeito de quebrar o grupo. Vai acabar cercada por quatro irmãos ranzinzas! Ou, de repente, um deles arruma uma namorada e a ranzinza vai ser você.
– Que é que você quer?! Me irritar?!
– Para outras pessoas, não é assunto irritante – sorriu Jean.
– Tenho motivos muito meus para me irritar! – aborreceu-se a garota. O nome do seu aborrecimento era Champ-Bleux somada ao tempo que passava tão depressa. Cada dia era um dia a menos no Cisne! Mesmo sabendo que todos os irmãos iriam também, Pam já tinha perdido muito sono por causa da Escola Avançada.
– Algum namorado que eles puseram para correr? – sugeriu Jean.
– Mas nunca na vida! – Pam esqueceu Champ-Bleux, estudos, tudo. – Imagine se vou deixar aqueles malas se meterem nos meus namoros!
– Quer apostar?
– Quero! Você não me conhece, seu Fogueirinha!
– Está feito: eu digo que eles vão correr com o primeiro pretendente sério que você tiver!
– Eu digo que, se tentarem isso, eu é que corro com todos eles!
– Feito! – Jean estendeu a mão para selar o acordo. – Vou contar com sua honestidade para não trapacear, Pam, porque não vou estar perto para ver!
– Não vou precisar de qualquer trapaça pra ganhar! – Ela tinha ímpetos de gritar só de pensar nos irmãos se metendo na sua vida. – Estamos apostando o quê?
– Se eu ganhar, sei muito bem o que quero! – Jean sorriu, malicioso, e Pam corou. Depois do beijo, Jean havia se mantido próximo, mas Pam não abrira brechas. O beijo tinha sido interessante; no entanto, Jean estava sempre com eles e Pam logo percebeu que tudo podia acabar em um tremendo mal-entendido. Peggy tinha razão. Não era uma boa política com irmãos adotivos, nem com amigos muito chegados.
– Um beijo, Pam. Um beijo bem apaixonado, sem Giles para atrapalhar! E você?
– Quero um beijo, também – encarou Pam. – Mas, se eu ganhar, você vai dar o beijo em Tim!
Apesar de estar muito certo de ganhar, Jean quase desistiu da aposta.

Ok, valendo... Quem vai ganhar esta aposta? O primeiro feliz ganhador vai receber, assim que estiver finalizado, uma versão impressa do livro 4, muito antes do lançamento! Comentários valendo apenas aqui, no blog!

2 comentários:

  1. Pam ganha, acredito que até lá eles já vão ter entendido como funciona relacionamentos para a família.

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