sábado, 27 de agosto de 2016

AQUECE 7 - Um rapaz com postura

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***


Mais um esboço de Tarilian
Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)



*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***



PARECEU QUE HENRY ia continuar seu discurso irritado, mas ele se controlou e sentou de volta no seu lugar, ainda fulminando.
– Calma, Henry – repetiu Miqi. – Regort sabe a responsabilidade que tem no que aconteceu a Katrin.
– Se soubesse, não tinha acusado Peter!
– Henry, calma. Você falou de quanto o doutor Moriser se feriu, de quanto Diure e Robert se feriram, mas você e Doris também estavam lá. Quanto vocês se feriram? – Henry não respondeu. Miqi insistiu. – Quanto você está se forçando para estar aqui, dando explicações que Robert não pode dar?
– Doris e eu estamos bem, muito obrigado. A krilin não conseguiu nos acertar tanto quanto gostaria. Estou cansado, mas não a ponto de me irritar à toa. Coisas como a que Regort disse me enfurecem mesmo se eu estiver voltando de férias! Peter não tinha como adivinhar que não podia voltar para Merine e ninguém podia imaginar que o retorno dele teria repercussões tão grandes na estabilidade da Casa.
Henry se calou, percebendo que apenas os adultos prestavam atenção ao que ele dizia. Os jovens haviam se voltado para Peter... Peter, o cara mais estourado do grupo, aquele que nunca levava desaforos para casa. Agora, Peter estava quieto. Era inédito ver Peter em silêncio enquanto outra pessoa o defendia.
– Ei, Pete, tudo bem aí? – conferiu Andy.
– Tio Regort está só muito assustado por causa de Katrin – juntou Diana.
– Isso mesmo! – Dam apoiou o irmão Andy e a amiga Diana. – Tenho certeza que ele não quis dizer aquilo! Você só foi pra Merine porque queria ajudar seu avô. Todo mundo entendeu essa parte!
Seria fácil Peter deixar como uma tentativa de ajudar que havia gerado consequências imprevisíveis. Mas ele respondeu:
– Não, vocês não entenderam. Eu fui para Merine porque queria ajudar o adron, mas com tio Henry gritando para eu não ir.
A essa altura, Henry não sabia se admirava a honestidade de Peter ou se amordaçava aquele garoto. Resolveu admirar a honestidade e ver no que ia dar.
Peter voltou-se para Henry e completou:
– Ouvi quando o senhor gritou para não me transportar. Resolvi que sabia melhor, me fiz de surdo e quase causei um desastre.
– Só para ficar claro, avisei para não se transportar por causa do elo com Loon. Jamais ia imaginar que seu transporte poderia desencadear tantos contratempos.
– Obrigar Merine a ferir Loon, ameaçar meus amigos e colocar em perigo a vida de Katrin é muito mais do que um contratempo, tio Henry. Peg tinha acabado de dizer que não escuto o que os outros dizem. Tinha se transportado furiosa justo por isso. Não deu um minuto e eu fiz de novo.
Os jovens se admiraram. Se Peg não via Pete há dois anos, se tinham se encontrado em Krilin por algumas horas e daí Peg tinha se transportado furiosa com Pete, devia haver um bocado de itens omitidos naquela história.
– Peg sabe que foi por minha causa que eles precisaram sair correndo de Merine? Sabe que foi por isso que precisou fazer o canal de transporte e se aproximar do pessoal? – Peter apontou os amigos. – Ela não queria chegar perto deles de jeito nenhum, por causa da alteração.
– Ninguém teve chance de falar com ela ainda, mas eu não sei mais quanto Peggy sabe.
– Alguém foi ver como ela está?
– Su e Rip foram. Peggy está no Cisne, dormindo.
– Quanto Peg se forçou além dos limites por minha causa, tio Henry?
– Os limites de Peggy parecem ter definição bastante imprecisa e não há como saber onde estão agora. Mas, indiscutivelmente, ela mostrou muito mais controle e habilidade do que Paul esperava.
Peggy era um assunto bem mais seguro do que a já famosa cabeça quente de Peter, e Vivi desviou os comentários para aquele lado:
– Peg se transportou direto aqui pra dentro de Slara. Quando direcionei, nem me lembrei que não se entra desse jeito numa Casa e, quando ela apareceu, pensei que tinha estragado tudo. Mas ela encarou a Casa como se fosse uma... Senhora. Pelo que acabou de dizer, tio Henry, ela é uma Senhora mesmo, e de mais de um lugar. Agora até que faz sentido, mas, na hora, parecia... Sei lá. Parecia muito...
Absurdo? Impossível? Fabuloso? Havia uma dezena de palavras que encaixariam bem, mas, com um sorrisinho que precisou ser pequeno diante de tantos problemas e feridos, Vivi completou:
– ... Parecia muito Peggy.
Foi a origem de uma epidemia de sorrisos entre os jovens do treinamento mental. Peggy era a Madame Confusão e fazia total justiça ao apelido. Aprontava tais e tantas no treinamento, e as tais e as tantas eram tão malucas, que os amigos não encontravam mais palavras para definir os fatos e feitos daquele ciclone de olhos azuis. Até que um dia o calmíssimo Andres, exasperado, tinha gritado que era para ter cuidado, porque Peg tinha feito mais uma coisa muito... Peggy! A expressão ficou: Peg fazia coisas muito Peggy! E, quando Peg fazia as tais coisas muito Peggy, como incluir Rip e Su no treinamento, havia o equivalente a um alerta geral. A Madame Confusão NUNCA deixava por menos! Rip e Su tinham sido o caos na vida de todos eles. Um tipo maravilhoso de caos, mas caos mesmo assim!
Com o sorriso mais aberto, Vivi disse, olhando para Henry:
– Três segundos com a gente, e Peg já estava fazendo coisas muito Peggy, tio Henry. Foi bom ver que ela ainda é ela mesma, quando Tisoni está fora. Foi muito bom mesmo!
– Como transportar aquele curandeiro – juntou Andy. – Sem estar junto no transporte! Como ela fez aquilo?!
– Aliás, de onde ela arrumou aquele cara?! – perguntou Norton. – A gente não entende tanto assim de cura mental, mas, mesmo pro pouco que a gente entende, o que ele fez foi fantástico!
– Tio Paul estava a ponto de ter uma crise de nervos por causa dele.
– O curandeiro também ignorou Slara como se fosse um Senhor! Ele é? Pela idade, deve ser Patriarca de algum lugar!
– Ele simplesmente apareceu lá no Cisne.
Era só não interromper e continuariam falando de Peggy e do curandeiro.
[...]
Todos se espantaram quando lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo rosto de Peter, que levantou e se dirigiu aos amigos:
– Obrigado por não estarem me esquartejando por ter causado tudo isso, e obrigado por tentarem desviar o assunto de mim. Tio Henry, agradeça a Peg por ela ter ajudado todos que eu encrenquei. Por agora, me deixem sozinho.
Saiu, deixando a sala totalmente silenciosa atrás de si.

Sim, a confusão foi bem grande. E sim, Peter teve muita responsabilidade no que aconteceu.

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