terça-feira, 23 de agosto de 2016

AQUECE 3 - De volta ao Cisne

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***
Uma experiência de cor de Cisne



Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)

*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***



A TURMA QUE TINHA IDO ao cinema retornou às gargalhadas.
Na atual situação do Cisne, o antes simples "ir ao cinema" havia se transformado em uma tarefa de alta complexidade, que exigia planejamento minucioso.
Os jovens estavam alojados no posto das Forças de Defesa da cidade de Azulados; os reparos no Cisne, feitos na doca seca, estavam concluídos, e o veleiro já estava de volta ao mar, ancorado no píer do posto. Do lado de fora de todos os acessos do posto, amontoavam-se numerosos repórteres e curiosos que não os deixavam em paz. De acordo com Jean, depois dos estagiários tarilianos e da entrevista que tornara a família conhecida no mundo inteiro, depois do Mar Negro, do reaparecimento milagroso e, principalmente, depois do obituário do Comando de Espaço revelando que todos eles haviam sido heróis em Ariel, podiam se esquecer de paz por muito tempo! Conformados, resolveram ficar dentro dos limites do posto. Era um tédio, mas era melhor do que enfrentar perguntas, câmeras e microfones insistentes e, muitas vezes, mal-educados. A situação se manteve assim até Lis descobrir que a excelente sala de cinema de Azulados fazia parte do circuito de estreia de um filme que os irmãos estavam ansiosos para assistir, o que levou a tripulação a se debruçar no projeto "Como Sair do Posto das Forças de Defesa Sem Ninguém Ver".
Traçaram os planos.
Parte um: mudarem de volta para o Cisne, alegando que preferiam ficar em casa. Essa etapa foi realizada pela manhã. Tinham preferido os alojamentos do posto porque, neles, estavam dispensados da faxina e da cozinha. Almoçaram a bordo e se movimentaram por lá no início da tarde, dando ao barco um aspecto de rotina.
Parte dois: sortear, de forma confiável e sem trapaças, o azarado que ficaria para trás. Foi, sem dúvida, a parte mais complicada de todas. Combinaram que o velho da lente era maluco e não contava. No sorteio mais honesto possível, Tom perdeu.
Parte três: reunir roupas, duas mochilas, óculos escuros, bonés e mais alguns itens para se camuflarem, colocando tudo em bolsas impermeáveis.
Parte quatro: escapar sorrateiramente do Cisne. Escorregaram para a água e rumaram para mar alto, mais mergulhando do que nadando. Jean foi com eles, é claro; estava nadando melhor do que nunca, graças a todas as vezes em que tinha sido atirado amurada afora. Depois de nadar no meio do mar acompanhado por barco, amigos e golfinhos, nadar com terra ao alcance dos olhos era brincadeira. Quando o grupo se considerou longe o bastante, dirigiram-se para um dos braços da baía que era parte da Reserva Planetária. Foram alguns quilômetros de natação em águas bastante tranquilas, mas, mesmo assim, os Melbourne mantiveram Jean sob cuidadosa observação. O repórter não teve problema algum.
Parte cinco: encontrar um bom lugar para voltar à terra sem serem vistos. Toda a costa era rochosa, de modo que só havia gente passeando e pescando. Um pequeno vídeo com excelente zoom localizou um local isolado e deserto. Teo e Ted foram na frente, conferindo a segurança. Tudo ok, o resto do grupo nadou também para a costa, sem encontrar problemas com as ondas mansas e as rochas arredondadas pelo tempo.
Parte seis... Evitar que Lis assassinasse Tim e Bobby.
Em terra, secaram-se e trocaram maiôs e calções pelas roupas trazidas nas embalagens impermeáveis. Guardaram tudo nas mochilas. Óculos escuros e bonés eram para os gêmeos Melbourne, que chamavam muita atenção. Estavam quase prontos quanto Tim entregou a Lis uma bonita tiara cor-de-rosa com fitas e laços. Lis olhou, sem entender. Aí Tim disse que era para colocar, porque, com a cara de pirralha dela, podia se passar por namorada de Bobby. E Bobby acrescentou que Lis era uma tampinha tão tampinha que, quando ele tivesse dez anos, ia ser maior do que Lis com treze. E foi então que Lis demonstrou que tamanho e nível em Defesa não eram critério quando se tratava de apedrejar irmãos, que foi o que ela pretendeu fazer. Tim e Bobby precisaram correr bem depressa para fugir da artilharia enfurecida, porque a pontaria de Lis era a melhor da família. Rindo, os outros irmãos trataram de acalmar a fera, que só acalmou de verdade quando Tim, em um gesto de paz, colocou a tiara de lacinhos por cima do seu boné.
– Pronto! Satisfeita agora?!
Ficou tão ridículo que Lis desatou a rir, encerrando o apedrejamento.
Atravessaram o bosque e encontraram a estrada sem dificuldades. Logo estavam num ônibus rumo a Azulados, tão comuns quanto qualquer outro grupo de jovens que tivesse tirado a tarde para passear na Reserva Planetária. Chegaram à cidade a tempo de pegar a sessão das cinco horas da tarde. O filme – três horas de aventura, divertimento e uma ótima história – mereceu todo o esforço deles e, na saída, falando do enredo, personagens e atores, tiveram o prazer de lanchar com calma, sem serem reconhecidos. Voltaram para o posto das Forças de Defesa a pé, rindo e antevendo a bronca que iam levar de Tom, porque era quase meia-noite!
Do lado de fora do posto, olharam o grupo de curiosos em plantão permanente.
– Pela entrada principal? – sugeriu Teo, divertido.
– Isso aí. Bem pelo meio deles!
Passaram no meio do grupo que estava ali esperando por eles. Resmungos, reclamações... E surpresa geral quando os Melbourne se identificaram e entraram no posto das Forças de Defesa! A cara do pessoal do posto não estava muito diferente da cara do pessoal do lado de fora, e por isso os jovens chegaram rindo ao Cisne.


TOM, FURIOSO, BRAÇOS cruzados e cara de tempestade, esperava os irmãos na prancha de embarque.
– Ei, nem vem, não tinha nenhum horário combinado! – defendeu-se Ted, direto.
– A gente foi lanchar depois do cinema, mano abandonado! Veio batata frita pra você! – Tim estendeu o pacote que, aliás, cheirava muito bem.
Tom não se mexeu para pegar o pacote, cada vez mais irritado.
– Deixe, Tim! – disse Teo, implicante. – Ele está zangadinho porque ficou muito tempo sozinho, coitadinho do Tom!
– Por que não ligaram?! – protestou Tom. Nunca levavam comunicadores pessoais ao sair. Se os que estavam fora não faziam contato, quem ficava em casa não podia fazer.
– A gente não pretendia demorar tanto no lanche e eu não estou a fim de estragar o fim do meu passeio por sua causa! – reclamou Pam. – Vou tomar um banho e...
Tom agarrou a irmã pelo braço de um jeito muito pouco habitual.
– Você não vai chegar perto daquele quarto de jeito nenhum!
– Posso saber por quê?! – Com um safanão, ela tentou livrar o braço. Tom não largou. – Tom, me solte!
– Porque Peggy está dormindo lá dentro e não é pra mexer com ela!

Eles entendem bem pouco de sensibilidade para saber como lidar com uma sensitiva surtada. Problemas à vista.

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