quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AQUECE 11 - Dr. Leonard Janson

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)

*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***


DUAS HORAS MAIS TARDE, Henry foi para a proa do Cisne. Bem agasalhado porque a noite estava fria, mãos fundas nos bolsos, contemplava o céu da Terra. Em Kreganian, havia muito mais estrelas... e oito pequenas luas douradas. Sempre havia pelo menos duas delas no céu.
Não precisou esperar muito. Desde a conversa do jantar, os filhos estavam atentos, esperando uma brecha. Teo e Tom se aproximaram, e cada um se debruçou na amurada de um lado do pai.
– Tentando congelar, pai? – perguntou Teo.
– Achei que a chance de Jean se arriscar com o frio era bem pequena – respondeu o cientista.
– Estava falando de Champ-Bleux mais cedo, não é?
Henry assentiu:
– Champ-Bleux não trabalha apenas com Ciência convencional. Trabalha com paranormalidade, o que foi o motivo do Comando de Espaço ter feito testes tão rigorosos com Peggy. Trabalha com Ciência especulativa também.
– Ciência especulativa... – repetiu Tom. – Coisas que a Ciência convencional não consegue explicar. O Mar Negro deve estar no topo da lista deles.
– Bem perto do topo – admitiu Henry. – A Terra inteira sabe que estivemos lá, metidos em complicações. Assim que chegarem a Champ-Bleux, vai haver gente conferindo com vocês se as complicações foram realmente apenas aquelas que estão nos relatórios.
– Agora que estamos sozinhos, pode dizer os nomes que não quis dizer lá dentro?
– Alunos de unidades mais adiantadas, que estudam o assunto. Colegas do mesmo semestre, talvez. Muitos procuram a Escola Avançada justamente porque lá podem se dedicar a Ciência especulativa. Alunos de final de curso que escolheram esse enfoque e seus orientadores, ressaltando que os orientadores provavelmente são cientistas de renome em alguma área. Eles vão se interessar porque estivemos no Mar Negro, e informações diretas sempre interessam. É para esse momento que minha recomendação lá de dentro vale: nenhuma palavra a mais, absolutamente nenhuma. Se vocês passarem a ideia de que aconteceram coisas que não foram para o relatório, então sim, eu posso dar um nome, e esse nome não me agrada: Leonard Janson.
Teo e Tom olharam o pai com surpresa. Henry prosseguiu:
– Leonard Janson é o maior estudioso de Ciência especulativa da Terra e sabe tudo que acontece dentro da Escola dele. Se não cometerem qualquer deslize, ainda assim há chance de serem convidados para uma conversa com o diretor. Se cometerem o deslize, vão parar lá com certeza. Vocês conheceram o doutor Carl Janson e ficaram encantados com ele. Leonard Janson é bem diferente do pai. É um homem autoritário, irascível, intimidador, que não gosta de tarilianos. Conversa a portas fechadas com ele sempre significa grandes problemas. Ele já devia estar focado em vocês por terem passado como passaram, os seis juntos. Depois, o Comando de Espaço divulgou aquele obituário falando de Ariel. E, para completar, estivemos metidos no maior evento climático do século no Mar Negro, e escapamos. Ele sabe quem cada um de vocês é. Pode querer saber muito mais.
– Ele trabalha com Ciência especulativa? E como assim, não gosta de tarilianos? Ele estava na Aventura, a primeira nave que chegou a Tarilian! Ele foi um dos que fez a nave! Depois ficou uns anos em Tarilian estabelecendo as bases da diplomacia interplanetária!
– Tudo que Leonard Janson faz, faz com perfeição. Mas há muito mais sobre ele do que aquilo que se ouve por aí. E, com certeza, ele não gosta de tarilianos.
Henry chamou os dois filhos para o mesmo lado, para poder olhar os dois juntos.
– Numa conversa com Tim, Leonard Janson foi mencionado. Eu reagi de uma maneira que fez Tim rir e dizer que o homem impressionava até a mim, seu valente papai. Com quantas pessoas vocês já me viram impressionado?
– Eu acho que nenhuma – disse afinal Teo, porque Henry ficou calado, esperando a resposta.
– Houve uma – lembrou Tom. – Justamente o doutor Carl, pai do doutor Leonard. Quando ele nos visitou, o senhor estava impressionado com ele de um jeito que nunca esqueci, apesar de eu ser um pirralho. Mas era um tipo completamente diferente de se impressionar do que esse que o senhor está falando agora.
– Certo, Tom, o doutor Carl Janson foi um dos homens mais impressionantes que conheci. E certo, Teo, ninguém me impressiona da forma que o doutor Leonard impressiona. O doutor Carl era um homem a ser admirado. Leonard Janson é um homem a ser temido.
– Temido – conferiu Teo. – O que ele pode fazer além de nos prensar, pai? Depois de Cornel, lá em Rivan, estamos bem imunes a isso!
– Cornel respeita regras, mesmo que sejam as dos rodapés dos regulamentos. Leonard Janson não respeita regra alguma. Os fins justificam quaisquer meios que se mostrem necessários, e o mundo que arrede do caminho.
– Que meios necessários seriam esses, pai? – Tom apoiou na amurada. – Que tipo de gente se interessa tanto por Ciência especulativa? Pessoas com habilidades especulativas, talvez? É disso que está nos avisando? Por que não avisa claro, então?
Henry sorriu diante do raciocínio rápido do filho.
– Parabéns, filhote. Normalmente, as pessoas levam mais tempo para chegar a essa conclusão. O que posso dizer sobre Leonard Janson é que ele consegue elevar intimidação a um patamar tal que simples intimidação não explica. Ninguém em Champ-Bleux tem certeza se o diretor tem ou não habilidades especiais. – Henry tinha certeza, é claro; Champ-Bleux é que não tinha, e Henry estava sendo exato em relação a isso. – Sempre me mantive o mais distante possível dele. Não gostaria que vocês fizessem essa descoberta no meu lugar. Vocês não se intimidam com facilidade, mas não fiquem sozinhos com ele, de forma alguma. Se possível, me avisem antes de acontecer.
– Sim senhor. E quanto a Peggy? Pelo que lemos sobre sensibilidade, sensitivas reagem mal a... pressões em excesso.
– Peggy foi bem treinada nesse aspecto.
– E bem testada lá no Comando, tanto que ainda está toda atravessada e triste?
– O Comando fez o que considerou necessário, e Peggy sabe que foi por sua segurança.
– Pai, esse jeito dela preocupa!
– Cada um tem seu tempo, filhotes. Peggy precisa do tempo dela, agora. Tenham calma.
– Sobre o doutor Leonard...
A conversa de Henry com os filhos se estendeu bastante. Quando terminou, eles se encarregaram de informar aos irmãos, bem longe dos ouvidos de Jean.

Este foi, sem dúvida, um aviso muito suave sobre o grau de periculosidade do doutor Leonard Janson, o diretor da Escola Avançada de Champ-Bleux.

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