quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AQUECE 11 - Dr. Leonard Janson

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)

*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***


DUAS HORAS MAIS TARDE, Henry foi para a proa do Cisne. Bem agasalhado porque a noite estava fria, mãos fundas nos bolsos, contemplava o céu da Terra. Em Kreganian, havia muito mais estrelas... e oito pequenas luas douradas. Sempre havia pelo menos duas delas no céu.
Não precisou esperar muito. Desde a conversa do jantar, os filhos estavam atentos, esperando uma brecha. Teo e Tom se aproximaram, e cada um se debruçou na amurada de um lado do pai.
– Tentando congelar, pai? – perguntou Teo.
– Achei que a chance de Jean se arriscar com o frio era bem pequena – respondeu o cientista.
– Estava falando de Champ-Bleux mais cedo, não é?
Henry assentiu:
– Champ-Bleux não trabalha apenas com Ciência convencional. Trabalha com paranormalidade, o que foi o motivo do Comando de Espaço ter feito testes tão rigorosos com Peggy. Trabalha com Ciência especulativa também.
– Ciência especulativa... – repetiu Tom. – Coisas que a Ciência convencional não consegue explicar. O Mar Negro deve estar no topo da lista deles.
– Bem perto do topo – admitiu Henry. – A Terra inteira sabe que estivemos lá, metidos em complicações. Assim que chegarem a Champ-Bleux, vai haver gente conferindo com vocês se as complicações foram realmente apenas aquelas que estão nos relatórios.
– Agora que estamos sozinhos, pode dizer os nomes que não quis dizer lá dentro?
– Alunos de unidades mais adiantadas, que estudam o assunto. Colegas do mesmo semestre, talvez. Muitos procuram a Escola Avançada justamente porque lá podem se dedicar a Ciência especulativa. Alunos de final de curso que escolheram esse enfoque e seus orientadores, ressaltando que os orientadores provavelmente são cientistas de renome em alguma área. Eles vão se interessar porque estivemos no Mar Negro, e informações diretas sempre interessam. É para esse momento que minha recomendação lá de dentro vale: nenhuma palavra a mais, absolutamente nenhuma. Se vocês passarem a ideia de que aconteceram coisas que não foram para o relatório, então sim, eu posso dar um nome, e esse nome não me agrada: Leonard Janson.
Teo e Tom olharam o pai com surpresa. Henry prosseguiu:
– Leonard Janson é o maior estudioso de Ciência especulativa da Terra e sabe tudo que acontece dentro da Escola dele. Se não cometerem qualquer deslize, ainda assim há chance de serem convidados para uma conversa com o diretor. Se cometerem o deslize, vão parar lá com certeza. Vocês conheceram o doutor Carl Janson e ficaram encantados com ele. Leonard Janson é bem diferente do pai. É um homem autoritário, irascível, intimidador, que não gosta de tarilianos. Conversa a portas fechadas com ele sempre significa grandes problemas. Ele já devia estar focado em vocês por terem passado como passaram, os seis juntos. Depois, o Comando de Espaço divulgou aquele obituário falando de Ariel. E, para completar, estivemos metidos no maior evento climático do século no Mar Negro, e escapamos. Ele sabe quem cada um de vocês é. Pode querer saber muito mais.
– Ele trabalha com Ciência especulativa? E como assim, não gosta de tarilianos? Ele estava na Aventura, a primeira nave que chegou a Tarilian! Ele foi um dos que fez a nave! Depois ficou uns anos em Tarilian estabelecendo as bases da diplomacia interplanetária!
– Tudo que Leonard Janson faz, faz com perfeição. Mas há muito mais sobre ele do que aquilo que se ouve por aí. E, com certeza, ele não gosta de tarilianos.
Henry chamou os dois filhos para o mesmo lado, para poder olhar os dois juntos.
– Numa conversa com Tim, Leonard Janson foi mencionado. Eu reagi de uma maneira que fez Tim rir e dizer que o homem impressionava até a mim, seu valente papai. Com quantas pessoas vocês já me viram impressionado?
– Eu acho que nenhuma – disse afinal Teo, porque Henry ficou calado, esperando a resposta.
– Houve uma – lembrou Tom. – Justamente o doutor Carl, pai do doutor Leonard. Quando ele nos visitou, o senhor estava impressionado com ele de um jeito que nunca esqueci, apesar de eu ser um pirralho. Mas era um tipo completamente diferente de se impressionar do que esse que o senhor está falando agora.
– Certo, Tom, o doutor Carl Janson foi um dos homens mais impressionantes que conheci. E certo, Teo, ninguém me impressiona da forma que o doutor Leonard impressiona. O doutor Carl era um homem a ser admirado. Leonard Janson é um homem a ser temido.
– Temido – conferiu Teo. – O que ele pode fazer além de nos prensar, pai? Depois de Cornel, lá em Rivan, estamos bem imunes a isso!
– Cornel respeita regras, mesmo que sejam as dos rodapés dos regulamentos. Leonard Janson não respeita regra alguma. Os fins justificam quaisquer meios que se mostrem necessários, e o mundo que arrede do caminho.
– Que meios necessários seriam esses, pai? – Tom apoiou na amurada. – Que tipo de gente se interessa tanto por Ciência especulativa? Pessoas com habilidades especulativas, talvez? É disso que está nos avisando? Por que não avisa claro, então?
Henry sorriu diante do raciocínio rápido do filho.
– Parabéns, filhote. Normalmente, as pessoas levam mais tempo para chegar a essa conclusão. O que posso dizer sobre Leonard Janson é que ele consegue elevar intimidação a um patamar tal que simples intimidação não explica. Ninguém em Champ-Bleux tem certeza se o diretor tem ou não habilidades especiais. – Henry tinha certeza, é claro; Champ-Bleux é que não tinha, e Henry estava sendo exato em relação a isso. – Sempre me mantive o mais distante possível dele. Não gostaria que vocês fizessem essa descoberta no meu lugar. Vocês não se intimidam com facilidade, mas não fiquem sozinhos com ele, de forma alguma. Se possível, me avisem antes de acontecer.
– Sim senhor. E quanto a Peggy? Pelo que lemos sobre sensibilidade, sensitivas reagem mal a... pressões em excesso.
– Peggy foi bem treinada nesse aspecto.
– E bem testada lá no Comando, tanto que ainda está toda atravessada e triste?
– O Comando fez o que considerou necessário, e Peggy sabe que foi por sua segurança.
– Pai, esse jeito dela preocupa!
– Cada um tem seu tempo, filhotes. Peggy precisa do tempo dela, agora. Tenham calma.
– Sobre o doutor Leonard...
A conversa de Henry com os filhos se estendeu bastante. Quando terminou, eles se encarregaram de informar aos irmãos, bem longe dos ouvidos de Jean.

Este foi, sem dúvida, um aviso muito suave sobre o grau de periculosidade do doutor Leonard Janson, o diretor da Escola Avançada de Champ-Bleux.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

AQUECE 10 - Ainda a aposta!

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

A capa antiga.
Azulona como Talismãs é agora!



Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
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*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***


– Ô chuvinha que não acaba! E você, que tantos papos são esses com o Fogueirinha? Consequências daquele beijo, ainda?
– Vocês não vão largar do meu pé?!
– Mana Pam, não é o seu pé que aquele Fogo quer agarrar! – riu-se Tim. – Ok, pode ir contando dos papos. Pode ir explicando por que trocam de assunto cada vez que a gente chega perto!
– Porque nós estamos com uma aposta em andamento e discutindo as regras da coisa, é por isso!
– Ah, aposta! Quer ver como eu adivinho? Se ele ganhar, quer um beijo de prêmio!
– Certo! – concordou Pam, com uma chispa perigosa no olhar. – Mas adivinhe o que eu quero, se eu ganhar!
Tim ignorou a chispa e respondeu, rindo:
– Ele beija você se ele ganhar, e você beija ele se você ganhar?
– Não, Tinzinho do meu coração. Se eu ganhar, Jean vai beijar VOCÊ!
– O QUÊ?! – bradou o rapaz.
– Isso aí. E não adianta perguntar pra Jean o que é, porque a aposta é secreta e vocês não ficam sabendo antes do fim!
– Mas tá doida que vou deixar aquele Fogueira me beijar! Nem brincando! Nem pra pagar aposta! Eu descubro esse raio de aposta e faço ele ganhar de qualquer jeito!
– Ele não vai contar!
– Ah, vai! Ah, conta, ou eu não me chamo Tim Melbourne!
– Seu nome é Thimoty! – lembrou Pam, rindo.
– Melhor Thimoty do que Laura ou Marieta ou Sara Beatrice! Mana Pam, como pôde fazer isso comigo?!


MESMO COM A CHUVA chata, mesmo com a monotonia climática, a paz a bordo do Cisne desapareceu. Tim cercou Jean de perguntas, atordoou, ameaçou, sacudiu, e Jean só ria. Os irmãos se meteram, dispostos a fazer todo o possível para Pam ganhar a aposta, só para Tim ganhar o beijo. Entraram animadamente na questão de onde deveria ser dado o beijo. Se Jean queria beijar Pam na boca, era justo beijar Tim do mesmo jeito!
O cientista olhou o caos instalado na sala de leme e navegação. Tim, indignado, protestava que tinha que valer pra TODOS os irmãos de Pam! Os outros irmãos de Pam, Bobby inclusive, estavam às gargalhadas, defendendo-se com argumentos que Tim contradizia com absoluta ferocidade.
– Engraçado – comentou Henry para Doris. – Eu estava até gostando do chuvisco e do silêncio. Agora, o que eu mais queria era que essa chuva parasse para eles irem discutir lá fora!
– Vá descansar – sugeriu Doris. – Estão muito ocupados para sentir sua falta!
– Eu vou, mas fique de olho em Jean. Agora o pescoço dele ficou mesmo a perigo!
Exausto, Henry dormiu como uma pedra. Acordou com algo semelhante a outra pedra em cima da sua barriga.
– Tá na hora da janta, pai! – avisou alegremente Bobby, sentado na barriga do pai.
– Você senta na minha barriga e quer que eu tenha fome?
– Mamãe mandou chamar o senhor! – O menino riu. – Que dorminhoco que o senhor anda, hein, papai!
– Com essa chuva chata, só dormindo, mesmo. Já parou?
– Parou legal, tem até estrelas no céu, mas está frio pacas!
– Sei! Jean ainda está a bordo?
Bobby deu risada.
– Tim bem que quis atirar pra fora, mas os manos não deixaram!
Henry riu, olhou a hora e pegou um blusão.
– Isso chega para suas pacas de frio?
– O senhor tem que se pentear, seu cabelo parece o de Tim, está arrepiado... pacas! – provocou Bobby.
– Essas suas pacas são muito versáteis!
– Pois é. E só vão sobrar elas pra me fazer companhia! Por que eles têm que sair tão cedo pra Escola?! Pra que sair tão antes de começar a aula?! Por que eu não posso ir junto?!
– Bobby, cedo ou tarde eles vão ter que sair. Se preferem sair cedo, tudo bem. Não vai ser fácil para eles, também. E você não pode ir junto porque, obviamente, não pode voltar sozinho. Aliás, deve ser a vigésima vez que repito isso.
– Mas eles pelo menos vão estar todos juntos! Eu é que vou ficar aqui sozinho com uma tripulação toda de gente grande!
– Doris e eu vamos ficar.
– É diferente. Isso aqui vai virar uma xaropação só. Vou ficar velhinho feito o velho Don fazendo barquinhos com canivete esperando minha vez de fazer os exames de Champ-Bleux!
– Está tomando cuidado com aquele canivete?
– Estou, estou, estou! Pelo menos o velho Don disse que vai ficar! Ele pode, não pode? Mesmo quando a outra tripulação vier?
– Ele pode, sim.
– Pai, o senhor acredita que existem sereias, como ele diz?
– Acredito que o mar é muito grande e que pode existir muita coisa lá embaixo. E, nesse caso, estou com Jean: prefiro acreditar que vivo num mundo que tem sereias!
Bobby gostou da resposta, sorriu e comentou:
– Viu só como Tim anda chato com o velho Don? Ele vivia dizendo que ia pegar uma sereia à unha. Veio o velho Don dizendo que sereias existem mesmo, e Tim fica dizendo que ele é maluco e que não existe sereia coisa nenhuma!
– Tim prefere explicações mais lógicas do que as que o velho costuma dar. – Henry terminou de se pentear. – Como é, não estou mais despenteado pacas? Podemos jantar?
 Durante o jantar, Tim ainda estava indignado, prometendo represálias terríveis a Pam e Jean. Se Jean ousasse perder a aposta secreta, ia perder o escalpo também! Ele TINHA que ganhar! O resto da turma estava torcendo descaradamente pela vitória de Pam, é claro.

Ainda o caso da aposta. Vocês estariam ingenuamente pensando que esta aposta vai ter uma solução simples? Não me conhecem ainda, rsrs?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

AQUECE 9 - Robert tendo juízo

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

É deste jeito que imagino as
paredes de cristal de Merine
Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
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*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***



Miqi montava guarda no corredor, esperando Robert sair do quarto. Admirou-se com a expressão desanuviada do amigo. Isso raramente acontecia depois de conversas com Peter! Lado a lado, os dois homens avançaram pelo corredor.
– Parece que foi uma conversa pacífica, mesmo com Moolna – observou Miqi.
– Foi. Ele ficou com o sadar, Miqi.
– Ótimo. Assim ele se recupera melhor.
– Você não entendeu. Passei definitivamente o sadar para Peter.
– Você o quê?! – Miqi parou como se o tivessem cravado no chão, incrédulo.
– Passei o sadar para Peter – repetiu Robert, fazendo sinal para continuarem a andar. – Moolna serviu para mostrar a ele que não preciso de Merine para me defender. Obrigado por manterem a Casa imobilizada. Percebi que não foi fácil.
– Quase não conseguimos evitar que Slara piorasse sua dor de cabeça, mas...!
– Posso voltar ao padrão mental de Merine bem rápido. Isso faria Slara atenuar o golpe.
– ... Mas, com tudo que está acontecendo, por que você entregou o sadar a ele?!
– Miqi, numa emergência, preciso saber com quais recursos posso contar. Se contar com Merine e Merine me faltar, como aconteceu em Krilin, sou parcialmente responsável por um desastre. Se eu usar apenas Moolna, vou poder interferir menos, mas tenho certeza de que esse "menos" será suficiente. Não subestime minha Linhagem terráquea.
– Só um louco subestimaria Moolna, mas...!
– Melhor ser um Lorde de Moolna completo do que meio Senhor de Merine – disse calmamente Robert, deixando Miqi estupefato. Meio Senhor de Merine?! – Até teimosia tem limites, Miqi. Krilin me fez encontrar os meus.
– Bem, e... Sobre o sadar, é assunto restrito...?
– Claro que não. Pode informar aos outros.
– E quanto ao nível de autoridade de Pete...?
– O mesmo que sempre foi, com um sadar a mais. O mesmo nível de autoridade que, na verdade, ele nunca usa. Você já viu Peter dar alguma ordem a alguém?
– Na verdade não, mas...
Pararam no hall da unidade residencial. De acordo com as normas de boa educação de transporte mental, era dali que Robert deveria se transportar.
– Miqi, sei perfeitamente o que entreguei a Peter: a arma mais poderosa de Tarilian, depois da Casa de Merine. Sei que tenho um filho turrão, insubordinado e louco de vontade de pedir demissão de Merine. Mas, ao mesmo tempo, Peter é um Herdeiro que respeita a Linhagem em que nasceu. Se pudesse, ele não seria o próximo Senhor de Merine, mas, se precisa ser, pretende fazer isso direito. A partir daqui, assunto de Senhores, não de Herdeiros.
Miqi de Slara assentiu. Poderia informar aos demais Senhores, com instruções de não chegar à nova geração.
– Peter tem mais treinamento do que qualquer outro Herdeiro da mesma idade. Não estou falando de Luta e proezas físicas ou mentais, embora ele seja incomum nisso também. Estou falando de treinamento com Merine, conhecimentos e controle da Casa. Se Diure e eu faltássemos agora, Peter teria condições de assumir Merine sem problema algum. Tem poder, tem conhecimentos, tem muito mais experiência do que vocês supõem. Esse foi um dos critérios para entregar o sadar a ele: se fosse necessário, Peter teria condições de assumir não só o sadar, mas a Casa também. O segundo critério é o nível de autoridade de Peter, que ele nunca usa. Ele é, na definição do próprio grupo dele, um Apocalipse, sempre pronto a resolver tudo no braço. Mas ele usa o braço dele, sem usar o braço de Merine. E ele poderia fazer isso. Peter não faz porque não quer, e poucas vezes vi um Herdeiro se portar assim. Entreguei uma arma a ele, sim. Porque sei que ele só vai usá-la se for obrigado e, quando for obrigado, vai usar bem.
Depois de alguns momentos de surpresa, Miqi disse:
– Nunca pareceu que você tinha essa opinião sobre o seu filho mais velho.
Robert sorriu de leve, cansado.
– Você nunca ouviu o Senhor de Merine reclamar do seu Herdeiro. O que vocês ouvem, e muito, é um pai reclamando do porre de filho que tem.
– Entendo. – Miqi sorriu. Era uma colocação inusitada, mas estranhamente adequada a Robert e Peter.
– Ele está dormindo, e está bastante tranquilo. Espero que entre em sono de recuperação. Me avise se acontecer.
– Deve ter sido uma conversa realmente boa, se você amansou Pete a esse ponto. Não pretendo ensinar como deve educar seus filhos, mas, mesmo correndo o risco de citar Henry Melbourne de novo, adolescentes precisam de atenção, embora fiquem furiosos quando a recebem. É que ficam mais furiosos ainda quando não recebem. Talvez algum esforço nesse sentido faça o pai reclamar menos do porre de filho...
– Você está citando Henry Melbourne, e eu preciso voltar a Merine.


Será que Peter e Robert vão se entender melhor a partir deste ponto?

domingo, 28 de agosto de 2016

AQUECE 8 - Jean. E uma aposta perigosa!

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Outro teste de cor



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No Cisne, só Bobby conseguiu dormir. Os outros passaram a noite discutindo Peggy, Rip, Su, paranormalidade, mentais e Comando de Espaço. O dia estava clareando quando Pam notou a ausência de Jean.
– Acho que foi dormir. – Lis espreguiçou-se, bocejando.
– Ele não estava com cara de sono. Vou ver onde ele foi.
Jean estava debruçado na amurada da proa, olhando sem ver o mar e os golfinhos. A chegada de Pam sobressaltou-o.
– O que está fazendo aqui, Jean? Está frio!
– Eu... Bom, cansei de ouvir vocês falando de Peggy, é isso. Estou egoisticamente envolvido com meus próprios problemas.
– Então me desculpe. – Pam ensaiou uma retirada.
– Minha mãe chega hoje a Tarilian.
Pam tinha se aborrecido com o jeito de Jean falar. Desculpou-o na hora.
– Deve operar hoje mesmo – juntou o rapaz.
– Vai dar tudo certo.
Ele ficou quieto, apertando os braços.
– Qual deve ser a sensação de tornar a enxergar depois de trinta anos, Pam? Ela não nasceu cega. Nunca falou... Mas deve se lembrar do tempo em que enxergava.
Pam não achou o que dizer.
– Qual deve ser a sensação se a gente sai da cirurgia... e continua cego? Em quantos pedaços o mundo da gente se desfaz?
A garota se envergonhou de nem terem se lembrado da mãe de Jean.
– Se eu sou alguma coisa hoje, é graças a ela. Ela foi forte, quando meu pai morreu. – O repórter fez uma pausa e respondeu ao que Pam nunca se atrevera a perguntar. – Quando meu pai se meteu em mais problemas do que podia administrar e se matou, Laura era pequena e eu era um pirralho mimado que tinha tudo e não conseguia entender o "tudo" de repente transformado em "nada"... Nos tiraram tudo, até nossas roupas. Minha mãe voltou a trabalhar. Eu cuidava de Laura. O dinheiro não chegava, eu comecei a trabalhar... Ela me deu forças para aguentar tantas reviravoltas. E agora... Agora, Pam, tudo que eu queria era estar com ela, e ela está a um mundo de distância! Poder retribuir... ao menos um pouco...!
Jean secou o rosto, e Pam falou, dessa vez com firmeza:
– Vai acabar tudo bem. Você vai ver.
– É... Acho que sim. Eu espero que sim!
Pam tentou animá-lo:
– A doutora Niris (agora eles sabiam que a mulher ruiva que o major Narvone chamava de querida era médica e, no caso, a médica da nave Centauro) disse que sua mãe está em excelentes condições para a cirurgia. Também disse que tem uma ótima equipe aguardando lá em Tarilian, escolhida pelo próprio embaixador Donal. Além disso, sua mãe tem o doutor Jon para dar apoio.
– Tomara que ele goste da minha mãe tanto quanto parece que gosta. Ela vai precisar de um amigo, em Tarilian. Médicos, vai ter muitos!
– Você acha que ele gosta da sua mãe? – arriscou-se Pam. – Não como paciente nem amiga, eu quero dizer.
Os Melbourne já tinham comentado que o doutor Jon parecia muito mais do que o médico da família, mas não mencionaram a Jean. Achavam... estranho. Embaraçoso.
– Acho que gosta, sim – afirmou Jean. – Acho que ela também gosta dele.
– E você, o que acha... disso?
– Disso, minha mãe com outro marido? – Jean olhou para Pam. – O que você acharia, no meu lugar?
– Eu... não sei.
– O que acharia se o seu pai fosse acusado de ladrão, enchesse a cara e metesse uma bala nos miolos? E daí sua mãe arrumasse um novo pretendente? – Pam se enrolou toda e não achou resposta. – Quer saber o que eu acho? Acho que ela tem coragem, como sempre teve. Se fosse comigo, não sei se ia querer outra pessoa na minha vida! O doutor Jon é um sujeito sossegado e Laura o adora. Ele vai ser uma boa companhia para minha mãe. Você não acha?
– A mãe é sua... Você é que sabe.
– Queria a sua opinião, não a minha – insistiu Jean. – E se fosse na sua família? Suponha que aconteceu alguma coisa com seu pai. Um acidente, por exemplo. Daí, depois de um tempo, sua mãe encontra outra pessoa. O que você ia achar?
– Eu... eu... Acho que a decisão teria que ser dela...
– Mas o que você ia achar?
Pam não respondeu e, para sua surpresa, Jean sorriu.
– Sabe, na Escola de Jornalismo ensinam que todo mundo tem fraquezas e que um bom repórter pode tirar vantagem disso, se for esperto. Quando conheci vocês, comecei a procurar a fraqueza da família Melbourne. Demorei a encontrar! É bem esquisito, porque a fraqueza de vocês também é o que têm de mais forte: o grupo. Enquanto grupo, são de deixar a gente besta. Mas não conseguem nem pensar na ideia de mexer no grupo!
– Eu não tenho culpa de não conseguir imaginar meu pai morto!
– Não precisa ir tão longe – divertiu-se Jean. – Imagine você saindo daqui e tratando da sua vida, sem pai, mãe e irmãos em volta. Vai ter que fazer isso, um dia. Daí, como vai se sentir, longe da sua família? Ou quando tiver um namorado? É outro jeito de quebrar o grupo. Vai acabar cercada por quatro irmãos ranzinzas! Ou, de repente, um deles arruma uma namorada e a ranzinza vai ser você.
– Que é que você quer?! Me irritar?!
– Para outras pessoas, não é assunto irritante – sorriu Jean.
– Tenho motivos muito meus para me irritar! – aborreceu-se a garota. O nome do seu aborrecimento era Champ-Bleux somada ao tempo que passava tão depressa. Cada dia era um dia a menos no Cisne! Mesmo sabendo que todos os irmãos iriam também, Pam já tinha perdido muito sono por causa da Escola Avançada.
– Algum namorado que eles puseram para correr? – sugeriu Jean.
– Mas nunca na vida! – Pam esqueceu Champ-Bleux, estudos, tudo. – Imagine se vou deixar aqueles malas se meterem nos meus namoros!
– Quer apostar?
– Quero! Você não me conhece, seu Fogueirinha!
– Está feito: eu digo que eles vão correr com o primeiro pretendente sério que você tiver!
– Eu digo que, se tentarem isso, eu é que corro com todos eles!
– Feito! – Jean estendeu a mão para selar o acordo. – Vou contar com sua honestidade para não trapacear, Pam, porque não vou estar perto para ver!
– Não vou precisar de qualquer trapaça pra ganhar! – Ela tinha ímpetos de gritar só de pensar nos irmãos se metendo na sua vida. – Estamos apostando o quê?
– Se eu ganhar, sei muito bem o que quero! – Jean sorriu, malicioso, e Pam corou. Depois do beijo, Jean havia se mantido próximo, mas Pam não abrira brechas. O beijo tinha sido interessante; no entanto, Jean estava sempre com eles e Pam logo percebeu que tudo podia acabar em um tremendo mal-entendido. Peggy tinha razão. Não era uma boa política com irmãos adotivos, nem com amigos muito chegados.
– Um beijo, Pam. Um beijo bem apaixonado, sem Giles para atrapalhar! E você?
– Quero um beijo, também – encarou Pam. – Mas, se eu ganhar, você vai dar o beijo em Tim!
Apesar de estar muito certo de ganhar, Jean quase desistiu da aposta.

Ok, valendo... Quem vai ganhar esta aposta? O primeiro feliz ganhador vai receber, assim que estiver finalizado, uma versão impressa do livro 4, muito antes do lançamento! Comentários valendo apenas aqui, no blog!

sábado, 27 de agosto de 2016

AQUECE 7 - Um rapaz com postura

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***


Mais um esboço de Tarilian
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*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***



PARECEU QUE HENRY ia continuar seu discurso irritado, mas ele se controlou e sentou de volta no seu lugar, ainda fulminando.
– Calma, Henry – repetiu Miqi. – Regort sabe a responsabilidade que tem no que aconteceu a Katrin.
– Se soubesse, não tinha acusado Peter!
– Henry, calma. Você falou de quanto o doutor Moriser se feriu, de quanto Diure e Robert se feriram, mas você e Doris também estavam lá. Quanto vocês se feriram? – Henry não respondeu. Miqi insistiu. – Quanto você está se forçando para estar aqui, dando explicações que Robert não pode dar?
– Doris e eu estamos bem, muito obrigado. A krilin não conseguiu nos acertar tanto quanto gostaria. Estou cansado, mas não a ponto de me irritar à toa. Coisas como a que Regort disse me enfurecem mesmo se eu estiver voltando de férias! Peter não tinha como adivinhar que não podia voltar para Merine e ninguém podia imaginar que o retorno dele teria repercussões tão grandes na estabilidade da Casa.
Henry se calou, percebendo que apenas os adultos prestavam atenção ao que ele dizia. Os jovens haviam se voltado para Peter... Peter, o cara mais estourado do grupo, aquele que nunca levava desaforos para casa. Agora, Peter estava quieto. Era inédito ver Peter em silêncio enquanto outra pessoa o defendia.
– Ei, Pete, tudo bem aí? – conferiu Andy.
– Tio Regort está só muito assustado por causa de Katrin – juntou Diana.
– Isso mesmo! – Dam apoiou o irmão Andy e a amiga Diana. – Tenho certeza que ele não quis dizer aquilo! Você só foi pra Merine porque queria ajudar seu avô. Todo mundo entendeu essa parte!
Seria fácil Peter deixar como uma tentativa de ajudar que havia gerado consequências imprevisíveis. Mas ele respondeu:
– Não, vocês não entenderam. Eu fui para Merine porque queria ajudar o adron, mas com tio Henry gritando para eu não ir.
A essa altura, Henry não sabia se admirava a honestidade de Peter ou se amordaçava aquele garoto. Resolveu admirar a honestidade e ver no que ia dar.
Peter voltou-se para Henry e completou:
– Ouvi quando o senhor gritou para não me transportar. Resolvi que sabia melhor, me fiz de surdo e quase causei um desastre.
– Só para ficar claro, avisei para não se transportar por causa do elo com Loon. Jamais ia imaginar que seu transporte poderia desencadear tantos contratempos.
– Obrigar Merine a ferir Loon, ameaçar meus amigos e colocar em perigo a vida de Katrin é muito mais do que um contratempo, tio Henry. Peg tinha acabado de dizer que não escuto o que os outros dizem. Tinha se transportado furiosa justo por isso. Não deu um minuto e eu fiz de novo.
Os jovens se admiraram. Se Peg não via Pete há dois anos, se tinham se encontrado em Krilin por algumas horas e daí Peg tinha se transportado furiosa com Pete, devia haver um bocado de itens omitidos naquela história.
– Peg sabe que foi por minha causa que eles precisaram sair correndo de Merine? Sabe que foi por isso que precisou fazer o canal de transporte e se aproximar do pessoal? – Peter apontou os amigos. – Ela não queria chegar perto deles de jeito nenhum, por causa da alteração.
– Ninguém teve chance de falar com ela ainda, mas eu não sei mais quanto Peggy sabe.
– Alguém foi ver como ela está?
– Su e Rip foram. Peggy está no Cisne, dormindo.
– Quanto Peg se forçou além dos limites por minha causa, tio Henry?
– Os limites de Peggy parecem ter definição bastante imprecisa e não há como saber onde estão agora. Mas, indiscutivelmente, ela mostrou muito mais controle e habilidade do que Paul esperava.
Peggy era um assunto bem mais seguro do que a já famosa cabeça quente de Peter, e Vivi desviou os comentários para aquele lado:
– Peg se transportou direto aqui pra dentro de Slara. Quando direcionei, nem me lembrei que não se entra desse jeito numa Casa e, quando ela apareceu, pensei que tinha estragado tudo. Mas ela encarou a Casa como se fosse uma... Senhora. Pelo que acabou de dizer, tio Henry, ela é uma Senhora mesmo, e de mais de um lugar. Agora até que faz sentido, mas, na hora, parecia... Sei lá. Parecia muito...
Absurdo? Impossível? Fabuloso? Havia uma dezena de palavras que encaixariam bem, mas, com um sorrisinho que precisou ser pequeno diante de tantos problemas e feridos, Vivi completou:
– ... Parecia muito Peggy.
Foi a origem de uma epidemia de sorrisos entre os jovens do treinamento mental. Peggy era a Madame Confusão e fazia total justiça ao apelido. Aprontava tais e tantas no treinamento, e as tais e as tantas eram tão malucas, que os amigos não encontravam mais palavras para definir os fatos e feitos daquele ciclone de olhos azuis. Até que um dia o calmíssimo Andres, exasperado, tinha gritado que era para ter cuidado, porque Peg tinha feito mais uma coisa muito... Peggy! A expressão ficou: Peg fazia coisas muito Peggy! E, quando Peg fazia as tais coisas muito Peggy, como incluir Rip e Su no treinamento, havia o equivalente a um alerta geral. A Madame Confusão NUNCA deixava por menos! Rip e Su tinham sido o caos na vida de todos eles. Um tipo maravilhoso de caos, mas caos mesmo assim!
Com o sorriso mais aberto, Vivi disse, olhando para Henry:
– Três segundos com a gente, e Peg já estava fazendo coisas muito Peggy, tio Henry. Foi bom ver que ela ainda é ela mesma, quando Tisoni está fora. Foi muito bom mesmo!
– Como transportar aquele curandeiro – juntou Andy. – Sem estar junto no transporte! Como ela fez aquilo?!
– Aliás, de onde ela arrumou aquele cara?! – perguntou Norton. – A gente não entende tanto assim de cura mental, mas, mesmo pro pouco que a gente entende, o que ele fez foi fantástico!
– Tio Paul estava a ponto de ter uma crise de nervos por causa dele.
– O curandeiro também ignorou Slara como se fosse um Senhor! Ele é? Pela idade, deve ser Patriarca de algum lugar!
– Ele simplesmente apareceu lá no Cisne.
Era só não interromper e continuariam falando de Peggy e do curandeiro.
[...]
Todos se espantaram quando lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo rosto de Peter, que levantou e se dirigiu aos amigos:
– Obrigado por não estarem me esquartejando por ter causado tudo isso, e obrigado por tentarem desviar o assunto de mim. Tio Henry, agradeça a Peg por ela ter ajudado todos que eu encrenquei. Por agora, me deixem sozinho.
Saiu, deixando a sala totalmente silenciosa atrás de si.

Sim, a confusão foi bem grande. E sim, Peter teve muita responsabilidade no que aconteceu.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

AQUECE 6 - ESPECIALÍSSIMO!

Olá, tripulação!


***  AQUECE ESPECIAL ***
PELO PRIMEIRO DIA DE BIENAL!


Para todos que quiseram meu pescoço no final de Linhagens, aqui está o comecinho de Talismãs.

Boa leitura!


Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)


*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***

Se você ainda não leu Linhagens,
caia fora!
Este texto é continuação direta!



O CORAÇÃO DE KRILIN enlouqueceu.
Velozes ramos pontiagudos irromperam do lindo mar verde como lanças e chicotes e se arremessaram com fúria assassina sobre os recém-chegados, que mal tiveram tempo de estruturar defesas.
Peter foi atingido por um golpe mental violento que, se tivesse dado certo, causaria um nocaute de horas. Mas não deu. O jovem rechaçou o ataque de Krilin com um impressionante estouro de poder, checando imediatamente Peggy (ilesa, atordoada, detida na árvore) e ordenando, com toda sua autoridade de Senhor, para a krilin PARAR. JÁ!
A krilin não obedeceu, mas Peter não esperou para ver se obedeceria. Deu a ordem já correndo para o emaranhado que atacava seu pai, saltando sobre os ramos que se contorciam. Ativou Luta, sentiu as mãos formigando de poder e disparou, enfurecido. A enorme força do jovem Herdeiro de Merine atingiu a krilin, destruindo seus ramos e quase libertando Robert.
Mas havia ramos demais para substituir os destruídos antes que Robert, ferido, conseguisse escapar.
Havia também ramos para imobilizar Peter, enrolando-se nele sem feri-lo, obrigando-o a lutar para se soltar. Estava PRESO! Krilin queria matar seu pai, e ele estava PRESO! Chamou Merine, a Casa não respondeu. Chamou novamente. NADA! Enraivecido contra Merine, Krilin e TUDO que se relacionasse a Linhagens, Peter usou força, disparos, redimensionamento, tudo o que conhecia. Inútil. INÚTIL! A krilin não ia feri-lo, mas não permitiria que interferisse!
Só então Peggy conseguiu escapar da contenção da árvore-krilin. Seu escudo a cercou numa cintilante aura de luz e ela correu sobre a krilin como uma aparição. Peter viu-a e gritou, chamando, mas Peggy estava muito mais perto de Doris e Henry. A garota não era capaz de disparos potentes. Suas habilidades eram luz, sensibilidade, transporte. Meteu-se entre os ramos que atacavam seus pais adotivos, tentando tocá-los para poder transportá-los.
Os ramos passavam zunindo em torno de Peggy, mas não a atingiam. Krilin não feriria sua Senhora. Nunca! Tampouco precisava detê-la, porque ela não ia conseguir o transporte.
Foi exatamente o que Peggy entendeu, quando tocou em Doris. Doris e Henry, contra as expectativas de Krilin, estavam se defendendo melhor do que o Senhor de Merine, mas não conseguiam escapar. Mais cedo ou mais tarde, cansariam. E então...!
Peggy não podia transportá-los com tanta krilin enrolada neles, mas podia transportar a si mesma. Doris forneceu coordenadas e a ordem de trazer quem estava lá.
A garota obedeceu de imediato, transportando-se e dando de cara com outra Doris e outro Henry. Agarrou-os e retornou ao Coração de Krilin. As duplicatas se meteram no meio do nó de ramos que atacava Henry e Doris, houve um clarão verde e a krilin percebeu que estava tentando engolir algo muito indigesto.
Peggy se voltou para Peter e Robert bem quando outra presença surgiu em Krilin: Moriser de Merine acabara de se transportar.


POR UM INSTANTE, todos os ramos se imobilizaram. No momento seguinte, o rugido da krilin sempreverde estremeceu o solo e o ar e, como uma onda negra carregada de ódio, Krilin atacou o Patriarca de Merine.
Peggy correu para Robert, Peter conseguiu livrar-se da krilin que agora estava concentrada em Moriser e correu também. Os dois jovens chegaram juntos a Robert, e juntos conseguiram libertá-lo. Robert desabou nos braços do filho, com o rosto transformado em sangue e carne destroçada.
– Krilin vai matar o Patriarca. – Peggy, olhos muito abertos, parecia em transe.
– O adron pode se virar, Peg! Me ajude com meu pai!
– Vai matar.
– PEG! PEG, VOLTE!
Moriser de Merine desaparecera debaixo de uma pirâmide de ramos que saltavam no ar e arremetiam para o centro como dardos.
Peggy se meteu lá no meio.
Peter bradava ordens à krilin e a Peggy, e nenhuma ouvia. Amparando o pai, sem se atrever a deixá-lo sozinho, Peter se perguntava onde estava sua mãe, onde estava sua avó, onde estava o sadar que devia proteger seu pai, onde estava Merine?!
Apesar de a krilin tentar impedir, Peggy alcançou o braço do Patriarca.
Era loucura e Krilin tinha sido seu jardim.
Era loucura e ela era Lutadora. Merine era seu maior dever. Maior do que sua vida.
Sabendo que estilhaçaria sua mente, Peggy se concentrou para o transporte. Merine primeiro. PRIMEIRO!
Não havia dúvidas ou hesitações na mente da jovem, e Krilin, não podendo permitir que sua Senhora se ferisse, recuou seus ramos e imobilizou-se. O Patriarca ficou livre para o transporte.
Era só do que Peggy precisava. Sua habilidade alcançou todo o grupo, ela usou a mente de Paul como referencial e transportou a todos, sem se preocupar em onde chegariam. Qualquer lugar era melhor do que Krilin!


Pensam que a confusão acabou? Não sabem de nada, inocentes...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

AQUECE 5 - Senhor de Krilin

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)


*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***

Breve "remember" de alguns fatos de Linhagens, claro que com acréscimos. Como sempre!

– O que Krilin teve a ver com toda essa confusão? Disso, você pode falar?
Os olhos cor de krilin de Peter faiscaram e ele respondeu, duro:
– Não sei quanto vai dar pra falar, Aron. Espero que tio Henry saiba. Por enquanto, tratem de ficar longe daquele lugar! Qual é, o que foi?!
– A única coisa que nos disseram foi para ficar longe de Krilin. E é meio... incrível... ouvir você dizendo a mesma coisa, se nem falou com eles.
– Se liberarem o que aconteceu lá, você não vai achar nada incrível.
Slara sinalizou a chegada de Henry, que se transportou para a sala determinada por Miqi. Grande parte da ala adulta estava lá, incluindo-se os Senhores das demais Casas de Tarilian. Os que faltavam transportaram-se em seguida.
 A última recomendação de Robert, antes de Henry sair de Merine, foi para que, ao menos daquela vez, Henry limitasse as explicações ao combinado. Henry assentiu. Era confusão demais em tempo de menos, e até ele concordava em repassar apenas o essencial; o "essencial", no entanto, era uma quantidade enorme de novas informações...
– Dessa vez – disse Henry aos Senhores – não é uma conversa com vocês e outra com seus filhos. As informações são para todos.
– Não acredito que Robert não mandou informações específicas para nós! – protestou Meriel.
– Ele pretendeu mandar, mas eu o convenci de que todos precisam saber o que aconteceu. Chamem seus filhos.
– Henry...!
– Todos juntos – repetiu o kreganiano.
A turma jovem, já resmungando por se ver mais uma vez excluída, nem acreditou quando foi chamada para a reunião. Vieram bem rápido.
– Nossos filhos também, Henry? – perguntou Lormon, Senhor da Casa tariliana de Carilar.
– Todos.
Os jovens herdeiros das Casas de Tarilian se transportaram também. A sala ficou lotada.


PETER ESTAVA TENSO e impaciente, mas se mantinha calado. Henry esperou o último chegar para perguntar a ele:
– Como você está?
– Como já disse a tio Miqi, estou de físico amassado, mente meio recuperada e precisando demais saber o que aconteceu pra Merine estar bloqueada desse jeito! O senhor é que vai explicar, mesmo sobre Merine?
– Robert me deu instruções a respeito do que dizer. Sobre Merine, e sobre Krilin também. Sigo as instruções dele?
Por um momento, Peter se surpreendeu com a pergunta. Logo compreendeu que não deveria ter se surpreendido. Era o Senhor de Krilin, agora. E, em assuntos de sua Casa (ou protoCasa), sua autoridade era absoluta.
Os demais ficaram apenas com a surpresa, sem compreender o motivo da pergunta.
– Segue. – O rapaz indicou os adultos. – Pela cara deles, ainda não sabem.
– Paul adiantou algumas informações, mas não todas. Esperou a liberação de Merine.
– Ok, tio Henry, vá em frente.
Todos se entreolharam, preocupados com o que a conversa cifrada poderia significar.
A primeira parte do relato de Henry iniciou na interferência de Peter com a tentativa de suicídio de Peggy, a fuga da garota, os ferimentos de Peter, Peter no Vale de Krilin com a Matriarca, Coração de Krilin...
Nessa parte, os jovens ficaram estupefatos; os adultos, não, mostrando que aquilo fazia parte das informações fornecidas por Paul. Então Merine sabia onde ficava o Coração de Krilin, a raiz da krilin sempreverde?!
... Peggy frequentando o lugar anos antes de ser afastada do grupo e a visão mental da Matriarca Eris, informando que Peggy era a herdeira de numerosas Linhagens terráqueas dadas como desaparecidas. Sua habilidade de alteração, que tantos problemas trazia ao grupo, era inestimável por ser capaz de despertar as habilidades de Senhores em potencial, como acontecera com Rip e Su.
Aí o choque foi geral. Visão mental?! Peggy, inestimável?! Rip e Su, Senhores?!
Peggy havia sido examinada e sua habilidade de alteração estava sob controle, de modo que estavam liberados do confinamento em Merine. Peggy, por sua vez, passaria a contar com a proteção das Casas de Tarilian. A Matriarca Eris era também Matriarca de Krilin, mas havia precisado fugir de Krilin para assumir compromisso com o doutor Moriser. Agora, Krilin havia determinado Peter como seu novo Senhor.
Os olhares convergiram para Peter, que não parecia nada feliz com a honraria.
– Acredito que Herdeiro de Krilin seria mais adequado – observou Donal de Rostimor, o embaixador de Tarilian na Terra e também Senhor da Casa de Lintel.
– Eu não sou Herdeiro de Krilin. Sou Senhor. Do ponto de vista de Linhagem, Krilin ignorou mamãe e tia Rael. A sucessão passou direto da adrina para mim.


E Peter não parece nada feliz com isto, como podem perceber. Amanhã, quote especial: o comecinho de Talismãs! Comecinho de verdade, não o "Era Uma Vez" que vocês já conhecem. É uma boa comemoração para o início da Bienal, não acham?