terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Leitores do Olho do Feiticeiro!

ESTE POST É ESPECÍFICO PARA OS LEITORES DO OLHO DO FEITICEIRO.
SE VOCÊ NÃO É UM DELES, NÃO LEIA.
OU NÃO RECLAME DOS SPOILERS, QUE, PARA OS LEITORES, SÃO ASSUNTO ANTIGO.

Olho do Feiticeiro

Como, no Facebook, tudo mais cedo ou mais tarde se perde, o recado desta vez vai por aqui

Estou com um problema que não costumo tornar público, porque ele deve, obrigatoriamente, ser resolvido em particular: guerra com os personagens. Eles querem a história do jeito deles, toda explicadinha, num dia a dia que não termina nunca. Eu planejei o Olho do Feiticeiro para ser uma história com FIM, e o tal do FIM estava muito bem decidido, pensado e estipulado.


Sarah de Durina tal qual a imagino.
Agradeço se alguém encontrar Enrique por aí!
Vamos ao que o Olho do Feiticeiro deveria ter sido: uma princesa atlante, com todos os seus costumes e habilidades mentais, procurando um companheiro na superfície. Era para ser quase um chick-lit com uma personagem do meu mundo; por isto, entraram Anabel e Rafael - personagens pra movimentar o romance. A diversão ficaria por conta de Enrique, que ia tomar um choque enorme com o Império Atlante e com o fato de se tornar rei. Desde o começo, a previsão colorida estava definida como a coisa nebulosa que consegui escrever (os metidos [leia-se personagens] queriam que eu escrevesse mais).

O que o Olho do Feiticeiro se tornou:
1. Enrique resolveu que era um Antigo. Não satisfeito com isto, resolveu que, se era um cara tão especial assim, era um gênio também. ELE, e não eu, resolveu ser louco por aerodinâmica. (Ok, razoável, dava pra conviver. Deixa o personagem montar sua personalidade. Se ele quer ser um Antigo genial em aerodinâmica, pode.)
2. Sarah resolveu que, se o companheiro seria genial, ela também seria. Lá veio uma união das Linhagens de Durina e Moolna. (Ok, pode. Não atrapalha.)
3. Sarah e Anabel ficaram amigas. (Pensam que planejei isto? Era pra ser uma implicante rivalidade. Mas elas resolveram ficar amigas. Tá. Deixa. Segue a história.)
4. O DOUTOR CARL JANSON ENTROU NO ENREDO. (Certo, a cronologia está correta, mas quem disse que era pra este Lorde de Moolna se meter?! No máximo dos máximos, era pra dar uns toques de que a Escola de Champ-Bleux começava a ser pensada nesta época! Mas não, lá veio ele, todo sorridente e simpático. @#@$%!@. Táááá. Deixa! Vou enfatizar como começou Champ-Bleux, pronto. Vai estender a história um pouquinho, mas não muito, e o pessoal que já leu Cisne e cia vai gostar. Tá. O doutor Carl fica.)
5. Enrique se tornou responsável por uma revolução tecnológica. (Ok, meu amigo, era pra você ser um gênio, mas precisava ser tanto?! Precisava ser tão espaçoso, seu mala?! Tááááá. Alguém tinha que ser o estopim do início da verdadeira exploração espacial. Pode ser você, Enrique. Personagem mais megalomaníaco!)
6. Ida de Enrique para Durina, com Sarah: bom, ao menos esta parte consegui escrever mais ou menos como queria. A função de Rafael, desde o início da história, era fazer aquilo que fez no iate. Era para Enrique chegar ao Império Atlante com um susto. (As arraias vieram não sei de onde. Tá. Deixa as arraias. As arraias vieram dar um "oi" pra Enrique e abriram o bloqueio. Como?! E agora se mudaram pra Durina? Acho que vou fazer fritada de arraia.)
7. Jamion de Relana: é o cara mau da história desde sempre. Mas não estava previsto, nem um pouquinho, nem um tiquinho, nem uma amostra de possibilidade, que ele viesse interferir na previsão colorida! Ele seria MENCIONADO como o Imperador que seria melhor o Império não ter. Mas nãããããaaaoooo! Eis aí o cara se metendo também, matando gente, armando carnificinas, tumultuando geral! Ele tem uma mega história, mas é DELE, e daria outro livro bem grandão! Ou outroS livroS, vai saber, dependendo da quantidade de gente que se metesse.
7.1. Apesar de ser o mauzão e de ser um personagem razoavelmente complexo, Jamion de Relana foi um muito fácil de trabalhar. Ele está perfeitamente definido dentro de mim. Sei como ele passou a infância, adolescência, a vida adulta, e sei o verdadeiro motivo de cada coisa que ele fez.
7.2. A garota que ele matou, que era a verdadeira companheira dele: acha que era pra vocês saberem disto?! Não! Esta também é OUTRA história! Quando eu vi, já estava lá.
8. Linhagem de Senira: era pra ser MENCIONADA e aparecer de passagem, sem nada de Rei brigando com Imperador, gente morta pra lá e pra cá, detalhes da Linhagem, interferências de Lila em Durina, especificações do companheiro de Lila, o escambau. ELES, os personagens malignos, fizeram tudo sozinhos. Contaram a história que só estava na minha cabeça, embasando um monte de coisas que aconteceram e ainda vão acontecer. Dava outro livro. Ou livros. A parte de Senira protegendo o novo príncipe de Relana também dava outra saga. E tudo vem se metendo NESTE livro, tipo "olha só, gente, quanta história ela tem escondida na cabeça e não conta pra ninguém. Encham a paciência dela pra ela escrever mais!". Só não esqueçam de me arrumar um dia de 120 horas também, por favor.
9. Linhagem de Cerna, que teve seus Patriarcas assassinados por Jamion de Relana: não era nem pra aparecer.
10. Crialelar, criales, cidadela: não tinham nada que fazer no Olho do Feiticeiro. Palácios criale dissimulados que afastam quem é saudável da cidadela? Não era pra vocês saberem também. Palácios criale que são muito diferentes de tudo o que se pensa? Também não era da conta de ninguém, além da minha. A história de Crialelar é outra. Grande. Livrão. Sei lá.
11. O guardião. A função dele e de sua Linhagem estão tão bem estabelecidas quanto a de Jamion de Relana, mas NÃO fazia parte das atribuições se meter no Olho do Feiticeiro, nem dar detalhes do início da construção das cúpulas submersas de Nova Atlantis, nem nada disto.

Bom, acho que podia enumerar itens até cinquenta, mas estes são os mais importantes.

A minha ideia, quando comecei o livro (alguém lembra que ele era pra ser um CONTO?! Parece piada) era seguir a história com detalhes até a revelação da previsão colorida. A destruição de Durina, a batalha no Salão dos Tronos, os Reis de Senira lutando, golpe dos pesadelos em Relana, tudo isto foi bônus. Agradeçam aos personagens. Não fui eu que planejei. Depois da previsão colorida, a narrativa teria saltos de vários anos por vez até chegar ao final (que eu não vou contar agora a vocês, é claro). Como testemunharam, a coisa enveredou por rumos totalmente diferentes.

Agora, essa história VAI VOLTAR ao que devia ser. Tudo o que está escrito segue valendo, é claro. Mas os saltos no tempo vão acontecer, SEM personagens querendo contar até o que comeram no café da manhã.

O problema é que isto exige uma, digamos, fase de disciplinação dos personagens. Por isto não saiu capítulo sábado, e por isto não vai sair capítulo nesta quarta também. Os capítulos se tornarão semanais e serão lançados nos sábados. O tempo maior se torna necessário porque preciso reler, recapitular, e juntar o que deveria ter sido com aquilo que o texto realmente se tornou. E preciso escrever e reescrever, porque os senhores personagens teimam em interferir no texto. Dez vezes por página, preciso parar, voltar e ajustar.

E, se alguém quiser saber por que deixei os personagens tomarem conta deste jeito... É porque eu me divirto junto com vocês quando eles aprontam coisas que eu nem estava imaginando! Mas, agora, chega de bagunça, ou este livro não termina nunca.

Deixo com vocês o comecinho do capítulo de sábado, que me deu mais trabalho do que um capítulo inteiro dos outros.




UM ANO E MEIO passou em um piscar de olhos repleto de sequestros. A teimosia de Enrique era maior do que a paciência, boa vontade e argumentos de Sarah, Renato e Donasô, e eles, de comum acordo, decidiram que era melhor argumentar menos e agir mais. Como Enrique não podia viver sem dormir, era transportado para suas responsabilidades quando não podia se defender. O Palácio de Durina ajudava animadamente, metendo Enrique em sonos tão profundos que os outros podiam levá-lo para onde bem entendessem. Após o quinto sequestro, Enrique foi obrigado a se conformar com o sistema. Afinal, era o único que funcionava.
Naquela manhã, Enrique acordou em Durina e, irritado, socou o colchão ao seu lado. O protótipo da nave estava quase pronto, e o tinham arrastado para o Império apesar de todos os seus pedidos para permanecer na superfície! E aquela droga de Palácio ainda ajudava! Sua sintonia com Durina já estava grande o suficiente para o Palácio alcançá-lo na superfície com facilidade. Havia a parte boa (o Palácio tinha condições de garantir sua segurança mesmo fora do Império) e a parte má (Enrique era metido em sono profundo contra sua vontade).
Levantou chutando o mundo e mergulhou na interface água-ar, descarregando sua irritação em braçadas furiosas. Enrique, a poucos meses de completar vinte anos, se movimentava na água com a habilidade de um verdadeiro imperial. Veloz e ágil, o futuro Rei de Durina não tinha uma grama de gordura desnecessária no corpo esculpido de músculos.
Aguentou quase cinco minutos antes de precisar tomar um fôlego de ar, apesar de todo o esforço que a raiva o impelia a fazer. Podia fazer a transição água-ar, é claro. Qualquer superficiano que tivesse entrado para a Linhagem já teria habilidade anfíbia depois de todo aquele tempo, mas a habilidade não precisara ser implantada em Enrique. Ele nascera com esta capacidade; nunca tinha descoberto porque, menino de juízo que era, nunca tinha tentado respirar dentro d'água. A Linhagem de Durina tinha se surpreendido bastante. Carl de Moolna, não.
Independente de Durina, você é um integrante de Linhagem, e a maioria das Linhagens, mesmo as superficianas, tem esta capacidade.
Até podia ser, considerou Enrique, tornando a exercitar-se no aposento inundado. Mas nem mesmo Moolna podia igualar sua velocidade no redimensionamento, e nem sua facilidade no transporte a curta distância. Estava bastante hábil em transporte a média e longa distância também, mas não adiantaria tentar voltar para a superfície. Durina bloquearia qualquer tentativa.
(– No dia em que eu for Rei, quero ver me segurarem aqui deste jeito!) – bronqueou, repetindo o que sempre dizia quando era sequestrado para Durina.
(– Bom dia, amor. A água ainda não ferveu aí em volta de você?)
(– Vocês podiam ter me dado mais uma semana! A nave estava quase-quase, Sarah! Se der algum problema de última hora, eles vão precisar de mim pra resolver!)
(– Bom – dia – amor!)
(– Não está um bom dia, não! DESTA VEZ, vocês não podiam ter me arrastado pra cá!)
Sarah fechou a mente de tal forma que, se fosse uma porta, teria sido estrondosamente batida na cara de Enrique.
(– Pode ficar bancando a furiosinha por aí, porque, desta vez, eu estou mais!) – xingou ele para as paredes.
Saiu do banho e secou-se com a naturalidade dos imperiais, numa chispa azulada. Vestiu roupas de treinamento (estava precisando bater em alguém com urgência) e prendeu os cabelos negros e lisos num rabo de cavalo bastante comprido. Seu cabelo tinha crescido bem mais depressa do que o esperado. Na verdade, como raspava a cabeça desde os seis anos, Enrique nunca tinha avaliado com que rapidez seus cabelos cresciam.
Seus guardas o esperavam totalmente armados. Durina inteiro sabia que o príncipe sempre voltava muito mal-humorado da superfície, o que deixava sua mão muito pesada nos treinamentos de armas. Não era seguro enfrentá-lo com menos do que armadura completa.
– Ok, vamos lá! Desta vez, eles me enfureceram DE VERDADE!
Os guardas acompanharam Enrique, avisando aos que já estavam no salão de treinamento para pegarem escudos reforçados. O príncipe estava uma fera!

2 comentários:

  1. Eu não me importo de continuar sabendo o que eles comiam no café da manhã.... mas..... se precisa terminar um dia... fazer o quê?

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    1. Eu também não me importo, mas este livro precisa ter um fim!

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