quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Textão de Raquel Pagno!

Faz um tempo enorme que não dou atenção ao blog. E, agora que estou voltando, vou aproveitar as palavras da amiga Raquel Pagno na minha timeline do Face. Raquel, mil corações pra você! Estou quicando de feliz aqui com seu textão!



Raquel Pagno
Volteiiiii, e vim pra fazer textão! 
Acabei de voltar de Tarilian e concluí que: Eleonor Hertzog passa a ser minha autora brasileira favorita (a terceira favorita em termos de mundo, ficando só atrás do meu "muso" inspirador e da rainha dos vampiros). 
Sobre a obra: Tudo começa com Cisne (meu xodó, mas nessa edição de capa azul), onde conhecemos uma família de biólogos marinhos, composta por pai, mãe e uma ninhada de filhotes. Cada personagem é muito bem construído, cada qual com sua personalidade, seus jargões, suas birras. No começo pensei "aff, mais uma historinha de adolescentes, que saco!", mas, ah, como eu estava enganada...
O Cisne tem 832 páginas e, acreditem, é muito pouco para a complexidade da trama. Não queria que terminasse nunca, mas por sorte, quando terminei a leitura já tinha Linhagens, então tudo certo, né? Não, não ficou tudo certo. E sabe por que? A peste da autora (é peste no bom sentido, não me briguem!) publicou mais 688 páginas, o que deu pra mais ou menos uns 3 dias de leitura e terminou a história de uma forma que me fez querer matá-la (mas não sem dar aquela torturada antes!)!
Eis que fiquei chupando no dedo até o lançamento de Talismãs... E ainda demorei mais um pouquinho para comprá-lo... Mas, enfim, comprei, e claro, devorei (só que dessa vez fiquei economizando pra não acabar muito rápido, durou uma semana \o/ rsrsrs).
Dessa vez foram 588 páginas (Eleonor Hertzog, esse negócio tá encolhendo... toma tento!). Não sei como falar sobre o enredo sem dar spoiler, então, só vou dizer que nessas alturas do campeonato, há muita coisa acontecendo, coisas em níveis mundiais, mais do que isso, em níveis interplanetários.
Quando fui chegando ao fim da leitura, foi dando aquela dor no coração de quem sabe que vai ficar com uma puta ressaca literária (o que aconteceu desde o final de Linhagens, foi difícil conseguir me concentrar em outra história), também por ter pensado que Talismãs era o final da saga. Para a nooooooossa alegria, não é! :D:D 
Agora, apesar de estar triste por ter terminado de ler e não haver ainda uma continuação lançada, estou alegre por saber que, sim, tem mais Uma Geração. Todas as Decisões. vindo! Não vejo a hora! 
Quem ainda não leu Cisne, gente, vocês PRECISAM ler esse livro com urgência! Nem vou indicar os outros, porque depois do primeiro vocês não vão conseguir parar mais. 

Pra encerrar: quando eu crescer quero ser a Eleonor Hertzog!
Foto by Raquel!

domingo, 4 de setembro de 2016

AQUECE 15 - A SURPRESA!

Olá, tripulação!


***  AQUECE FINAL ***

A você, que compareceu à Bienal e ao nosso estande, meu MUITO OBRIGADA!

A você, que não pôde vir e acompanhou os posts destes últimos quinze dias, meu abraço também! E, só para informar, todos os quotes postados não chegaram nem na metade das 554 páginas de Talismãs. Tem muita, mas MUITA história mesmo para rechear tantas páginas! Até mesmo onde precisei recapitular algumas partes, informações novas e muito relevantes foram inseridas. Então, seja gentil com esta autora que cortou tudo o que podia: não pule partes porque acha que sabe do que o parágrafo fala, ok? Tem informações em toda parte. Principalmente nas entrelinhas!

Sobre a prometida surpresa para hoje, bem... Clique aqui, e será direcionado para o equivalente a três capítulos do livro 4, que ainda não tem nome definido. Se você leu Guardião?, releia antes e vai conseguir se ambientar muito melhor. Se não leu Guardião?, pode ler esta parte sem problemas. Vai entender tudo. Mas fica mais interessante se já souber do que eles estão falando...

Boa leitura!






sábado, 3 de setembro de 2016

AQUECE 14 - Herdeira?

Olá, tripulação!


***  PENÚLTIMO AQUECE ***





Especial de penúltimo dia: início do conto que acompanha Talismãs. Seu título é Herdeira?. A protagonista é a princesa Katelin, que todos acreditam ser a última sobrevivente da Linhagem Imperial de Relana. Ela não é uma princesa muito fofinha e suave, como podem constatar pela imagem da capa.
Quote generoso!



SÓ OBSERVO!
Ontem, o cais da Cúpula 1 de Nova Atlantis agitou-se consideravelmente com a precipitada partida dos Lordes Lerri de Katalir e Yonen de Novonax. Nossos sempre tão descontraídos Lordes mostravam-se tensos e irritados, negando-se a informar o destino de sua inesperada viagem. Embarcaram no Raio de Luz, o mais veloz e luxuoso sub das docas imperiais. De acordo com o controle das docas, acionaram a velocidade máxima assim que ultrapassaram o perímetro de Nova Atlantis.
Curiosos sobre o motivo da pressa dos nossos queridos Lordes? Nós também!
De acordo com nossas fontes, os Lordes estão rumando diretamente para o rio submarino de Talos, cujo festival, como todos sabem, foi cancelado este ano. A instabilidade do Rio Proibido continua aumentando e não há segurança para a realização de prova alguma, por mais radical que seja o esporte envolvido e por mais riscos que o participante aceite assumir. Esportes radicais em Talos? Loucura, garantem todos os especialistas.
NO ENTANTO, há rumores de que um festival está sendo organizado CLANDESTINAMENTE!
Isto nos leva a concluir que:
1. Organização clandestina significa utilizar os pontos mais perigosos do Rio Proibido, uma vez que estes são os únicos livres de vigilância constante. Afinal, para que vigiar uma corredeira que mata todos que se aproximam dela? Não deveriam ser os pontos perigosos os mais vigiados de todos??? Por que vigiar a região mais conhecida e branda das corredeiras de Talos e negligenciar seus pontos mais perigosos??? Aguardamos respostas a estas questões!!!
2. Os Lordes Yonen de Novonax e Lerri de Katalir são notórios apreciadores de cassinos e o maior risco que costumam correr é o de perder fortunas em jogos de azar. Com certeza, não seriam mais do que espectadores em esportes radicais!
3. ENTRETANTO, Lady Yeda de Novonax, irmã de Lorde Yonen, e Lady Kelara de Laranael, protegida de Lorde Lerri, são conhecidas amantes de adrenalina. E ambas não são vistas há dois dias em nossa bela capital! Seriam elas o motivo da súbita correria de nossos intrépidos Lordes? Estarão eles em uma heroica missão de resgate???
Nossos correspondentes em Talos encontram-se alertas e atentos, prontos para nos informar sobre qualquer novidade! Mantenham-se conectados!

Katelin sorriu entre os lábios apertados ao recordar cada palavra da matéria postada há duas horas. O "Só Observo!" era a maior e mais sensacionalista mídia de amenidades do Império Atlante, seguida por milhões de curiosos. Ou seja, eram gente que ganhava a vida falando da vida dos famosos, e os jovens Lordes de Atlantis eram seus principais alvos. Já havia muitos processos correndo dos Lordes contra o "Só Observo!" e vice-versa. O último e mais badalado processo era do "Só Observo!" contra Lerri. Lerri tinha se enfurecido com um repórter do "Só Observo!" que ria e noticiava ao vivo cada vez que ele, Lerri, perdia no cassino. E, na vigésima vez em que se viu alvo de risos devido à sua maré de azar, Lerri perdeu a paciência e a educação junto, mandando o punho no microfone do homem. O microfone voou direto nos dentes do repórter, com o punho de Lerri fazendo o mesmo percurso. Resultado, um repórter irritante esparramado no chão por cima de sua irritante equipe, muitos dentes quebrados, sangue por todo o lado e, de brinde, o nariz do cara quebrado também. Tudo devidamente filmado e documentado, é claro.
Depois daquele episódio, os repórteres do "Só Observo! "continuaram irritantes, mas de uma distância muito mais prudente.
Enfim, o importante é que, agora, todo o Império Atlante estava focado em Lerri e Yonen correndo para Talos para impedir Yeda e Kelara de participarem de um festival clandestino de esportes radicais. Perfeito!
Em Talos, a primeira tarefa de Lerri e Yonen seria acabar com o maldito festival clandestino. Se o festival oficial, cercado de todas as medidas de segurança, matava pelo menos dez por ano, imagine-se quantos morreriam no clandestino! A segunda tarefa ficaria por conta dos escandalosos repórteres do "Só Observo!", que se falariam até a exaustão sobre a necessidade de vigiar os pontos mais perigosos do Rio Proibido de Talos. Evidentemente, isto incluiria inúmeras entrevistas com pessoas chorosas e desesperadas que tinham perdido familiares nas violentas corredeiras. Nem todas as entrevistas seriam verídicas, é óbvio. O "Só Observo!" fabricava testemunhas, quando as verdadeiras não eram dramáticas o suficiente. Mas, fosse como fosse, cumpriria o objetivo: seria o estopim para uma regulamentação mais severa no acesso ao Rio Proibido. As corredeiras daquele rio submarino eram as mais perigosas do Império. Bastava de vidas desperdiçadas ali! Depois que o "Só Observo!" começasse o barulho (e eles SEMPRE faziam MUITO barulho!), bastaria convencer os políticos de que aquilo poderia render muitos dividendos eleitorais. E, depois que os políticos começassem a se mexer, bem... Era só empurrar alguns para as decisões mais adequadas. Com alguma sorte e muita perícia, conseguiriam aumentar a segurança em torno do Rio Proibido daí a meio ano. Era um bom prazo. Bem antes do próximo festival assassino/suicida, ao menos...
A terceira tarefa da viagem caberia a Lerri e Yonen: tentar descobrir os motivos de as corredeiras do Rio Proibido terem enlouquecido nos últimos meses. Era a tarefa mais difícil, mas os dois rapazes eram habilidosos e criativos. Talvez encontrassem alguma coisa.
Katelin subiu mais quatro metros, movendo-se silenciosamente na copa da árvore. Suas roupas manchadas de verde e marrom a camuflavam com perfeição. Os longos cabelos louros estavam presos sob a touca negra que ocultava também seu rosto. Os olhos azuis-esverdeados sumiam atrás de óculos de lentes escuras. As luvas estavam presas no cinto, porque era mais seguro escalar árvores, muros ou paredes com as mãos limpas. Com agilidade, a jovem alcançou um galho longo e fino que se aproximava bastante da janela aberta no segundo andar. Tudo estava escuro e quieto lá dentro, mas ela se imobilizou, aguardando.
Quanto a Kelara e Yeda, as duas Ladies estavam muito longe de Talos, seu Rio Proibido e seu festival clandestino de esportes radicais. Estavam há dois dias em Arimar, uma cidade sob cúpulas a apenas quatro horas de Nova Atlantis, a capital do Império Atlante. A fuga fora magistral. Pretextando estudos, as duas tinham se trancado juntas nos aposentos de Kelara. A condessa olhara por algumas horas as portas fechadas, desconfiando da súbita dedicação aos livros... e, com sua chave-mestra, abrira as portas para descobrir que as duas encrenqueiras tinham, de alguma forma, desaparecido de aposentos trancados com janelas na altura do sexto andar.  Então Lerri se lembrara do festival do Rio Proibido, desencadeando todo tumulto que havia levado para Talos a elite dos repórteres do "Só Observo!".
Katelin sorriu mais uma vez, a beleza de seu sorriso escondida pela touca negra.
Yeda e Kelara haviam se trancado e imediatamente se disfarçado. Dentaduras e sobrancelhas postiças, perucas, lentes de contato e enchimento para bochechas e nariz (que eram incrivelmente desconfortáveis, mas muito eficientes) surgiram de esconderijos no quarto de Kelara. Logo as duas Ladies pareciam qualquer pessoa, menos elas mesmas. Katelin dera a elas apenas dez minutos antes de bater de leve, no sinal combinado, e, apesar do palacete cheio de gente, Katelin guiara-as até a saída sem serem vistas. Lá fora, Yeda e Kelara se haviam se misturado com o constante vai-e-vem dos funcionários e serviçais da Cúpula 1, e passado para as cúpulas comerciais, e partido para Arimar em um transporte de baixo custo. Assim, enquanto eram procuradas em Talos, do outro lado do Império, as duas Ladies tinham total tranquilidade para investigarem as grandes estações de tratamento de rejeitos de Arimar. Há meses, surgiam denúncias e mais denúncias de que as estações de tratamento de Arimar estavam despejando grandes quantidades de poluentes no mar. Estranhamente, todas as denúncias eram arquivadas. E, mais estranhamente ainda, as estações de tratamento de Arimar pertenciam a um rico e influente conselheiro. Katelin acreditava que Kelara e Yeda não teriam qualquer dificuldade em reunir as provas de que precisavam.
Lá em baixo, no jardim, dois guardas fizeram sua ronda no horário previsto. A equipe de segurança da mansão era excelente e mudava os horários das rondas a cada vinte e quatro horas, mas informações confiáveis não eram problema para Katelin, que esperou os dois sumirem no canto da casa para avançar pelo galho. A cada passo dado com a cautelosa elegância de uma ginasta, o galho oscilava de leve, abaixando conforme ela se aproximava de seu objetivo: a janela. A três metros da janela, Katelin saltou. Seus pés pousaram certeiramente no peitoril. Doze metros abaixo, o jardim. E sem rede de segurança, pensou a garota, sorrindo e pulando para dentro do gabinete com a discrição de uma sombra.
Os olhos já estavam acostumados à escuridão, mas, mesmo assim, Katelin se deu alguns minutos, aproveitando para colocar as luvas. Analisou o gabinete. Um sofá e duas poltronas de aparência muito cara. Paredes com painéis de madeira e muitos quadros. Esculturas de um artista famoso ao lado da porta fechada. Uma grande mesa de trabalho também de madeira, repleta de gavetas nas laterais e decerto com muitos compartimentos secretos. Madeira era sempre um indicativo de poder no Império Atlante, assim como os abajures e o lustre de cristal, típicos da superfície. O ambiente era luxuoso, bem adequado a um dos mais antigos membros do Conselho Imperial.
Com delicadeza, a jovem verificou a porta. Trancada. Foi então para perto de uma das paredes, ajoelhou-se no tapete macio e curvou o corpo para frente, como uma bola. Colocou a mão em concha bem perto do peito, fechou os olhos e sussurrou, de forma quase inaudível:
– Pode vir.
Com um intenso clarão de transporte, a Pérola de Crialelar surgiu na mão de sua proprietária. Sua luz foi abafada pelo corpo de Katelin, que mantinha os olhos fechados.
– Ok, chega de brilhar. Apague o máximo que puder.
O Artefato obedeceu, e logo Katelin podia abrir os olhos sem o risco de ofuscar.

Pois é... Que interessante ela ter uma Pérola de Crialelar, não acham? Como ela conseguiu uma preciosidade destas?
E não esqueçam do quote especial de amanhã. Prometo uma bela surpresa!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

AQUECE 13 - Talismã de Crialelar

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

É assim que imagino a parte verde
do Talismã de Crialelar
Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)

*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***

Quote MUITO generoso hoje!
Afinal, é o antepenúltimo dia de Bienal.
Não imaginam o que estou guardando para o último dia!


Segurando delicadamente o Talismã entre as mãos, Eris instruiu:
– Pete, você só toca neste Talismã se eu autorizar. Compreendeu? [...] De acordo com Moriser, existe um ponto energético no centro do Talismã. Foi isso que você "viu", com oito meses: uma matriz energética extremamente poderosa, que impressionou você muito mais do que a forma física do cristal. Mas não sabíamos que você havia interpretado essa lembrança como um ovo.
– Isso pode ajudar o adron? – Bem mais moderado, Peter não tirava os olhos do Talismã.
– Talvez. O que você vê agora?
Ele olhou a avó e respondeu:
– O mesmo que vocês, ora! Não estou vendo ovo nem matriz energética nenhuma!
– Muito bem, diga o que está vendo. Com detalhes.
– Quatro cristais lapidados e encaixados um no outro com perfeição, unidos no centro. Brilham muito, mas é brilho tipo joia, sem nada de brilho mental. Um é verde, outro é prateado, um preto, e o outro, dourado. – Peter indicava os setores do Talismã Quádruplo, sem aproximar a mão. – Juntos, formam um disco gorducho. Cada cristal é um quarto exato do todo. Tem doze zaminors muito pequenos na face superior e mais doze na face inferior.
– Como sabe que há doze zaminors na face inferior?
Mais uma vez, Peter olhou a avó antes de responder:
– Eu estou vendo. Os cristais são transparentes.
– Doutor Henry, o que o senhor vê?
– Um cristal em forma de disco com as quatro cores que Peter indicou, lapidado, que não é transparente. Não vejo zaminor algum.
– Paul?
– O mesmo que Henry, Matriarca.
– Robert?
– O mesmo cristal que eles, e os zaminors que estão na face superior – respondeu Robert. Senhores de Merine sempre podiam ver zaminors porque estes eram partes do sadar, o Talismã da Linhagem.
– Diure?
– Vejo igual a Robert.
– O que a senhora está vendo, adrina?
– Um cristal transparente de quatro cores, com zaminors em cima e em baixo. Esse Talismã, que é chamado de Talismã Quádruplo, só é visto transparente por seus Senhores. Até agora, apenas Moriser e eu o víamos assim. Há outra diferença entre o que todos nós, inclusive eu, vemos, e o que você vê. Você vê quatro cristais de cores diferentes unidos no centro. Nós vemos apenas um cristal, Pete, com quatro cores.
– São quatro – repetiu o rapaz. – Muito bem encaixados, mas separados. Esse Talismã é feito de quatro partes.
[...]
Eris olhou Diure e Robert, ambos muito silenciosos e pálidos.
– O Talismã Quádruplo, definitivamente, pertence a Pete... Com todas as consequências que isso traz.
– Não devem ser consequências muito animadoras pra eles estarem brancos desse jeito – observou Peter. – Depois vocês me contam. Agora vamos usar logo esse Talismã pra ajudar o adron.
Eris avaliou por alguns momentos, mas não viu alternativa. Era necessário explicar, ao menos em parte.
– Não vai ser tão simples, Pete. Os zaminors que cercam o Talismã Quádruplo estão aí para bloqueá-lo. Foram colocados por Moriser há muito tempo.
– Pete pode desfazer o bloqueio, Matriarca – informou Robert. – Tem controle suficiente sobre o sadar para isso. Pete, chame o sadar e...
– Esperem – cortou Eris, gentil e muito firme. – Este é um Talismã extremamente perigoso para Merine. Por isso foi bloqueado com o uso do próprio sadar.
– Perigoso? Do que está falando, mãe?! É só o Talismã Quádruplo!
– Sim, Diure, eu sei que é "só" o Talismã Quádruplo, e é por ser "só" o Talismã Quádruplo que está fechado num bloqueio do qual apenas Moriser e eu temos as senhas. Apenas me escutem sem interromper, por mais inesperadas que sejam as informações.
Bloqueio que só Patriarcas podiam romper?! Robert chegou a abrir a boca, Eris repetiu:
– Sem interrupções, Robert. Sei que Patriarcas não devem fazer isso, mas nós fizemos. Pete, a mãe de Moriser, Triss de Merine, era terráquea.
Peter ficou estupefato. Seu adron era meio terráqueo?!
– Mais do que isso, Triss era o que os terráqueos chamam de princesa de Linhagem, ou seja, uma Senhora mental terráquea. Com a morte de seu irmão mais velho, Triss se tornou a única herdeira de quatro poderosas Linhagens, representadas por cada uma das quatro cores deste Talismã. Você está certo, são quatro cristais separados. Originalmente, eram quatro Talismãs independentes que, por pertencerem a Linhagens afins, uniram-se para tentar salvar suas Linhagens e seus povos da extinção. O nome completo do Talismã é Talismã Quádruplo de Crialelar. Mas evitamos esse nome na Terra, porque Triss de Criale veio para Merine fugindo de sua gente, envolvida em um gigantesco mal-entendido. Crialelar acredita que Merine roubou o Talismã Quádruplo para fortalecer seu próprio poder. Isso aprofundou uma inimizade que já era antiga e que, a partir de Triss, se tornou ódio e intolerância. É o motivo da palidez dos seus pais: nenhum Senhor de Merine gostaria de entregar um filho a Crialelar. Triss era a única herdeira do Talismã Quádruplo, e veio para Merine. O Talismã veio com ela, assim como a linha direta de sucessão das Linhagens denominadas Quatro Grandes de Crialelar. Moriser se tornou herdeiro do Talismã e das Linhagens, mas o ódio de Crialelar impediu qualquer aproximação entre Merine e Criale. A decisão de Merine foi manter o Talismã aqui até as Linhagens dos Quatro Grandes se reativarem a partir de ramos secundários, na Terra. Só então o Talismã pode ser legitimamente devolvido. Bem entendido até aqui?
Peter assentiu, compreendendo que, até aquele ponto, as informações eram novidade apenas para ele.
– Merine é uma Casa muito poderosa e, apesar de o poder de Crialelar também ser grande, Diure e Rael nasceram Senhoras de Merine, com um setor mental criale residual. A cisão das Linhagens não aconteceu, mas o Talismã Quádruplo não aceitou isso. Apesar de estar tecnicamente desativado, o Talismã conseguiu acesso ao setor mental criale de Diure e Rael e, a partir dele, passou a modificar a mente das herdeiras desta Casa, pretendendo tomá-las para si. De acordo com Moriser, Merine toleraria até haver mais Criale do que Merine na mente de suas Senhoras, quando então nossa Casa passaria a defender sua Linhagem. Seria um verdadeiro cabo-de-guerra mental, com as mentes de Diure e Rael no meio. Durante anos, Moriser usou seu poder pessoal para conter o Talismã Quádruplo. Então, afinal, identificou a modulação do sadar capaz de bloquear o Talismã de Crialelar.
A metade dos zaminors que cercavam o Talismã Quádruplo brilhou e, desta vez, Paul e Henry os viram.
– Este foi o primeiro bloqueio: seis zaminors em cada face, o suficiente para conter a interferência até as mentes de Diure e Rael amadurecerem e se tornarem imunes à ação do Talismã. No entanto, maturação mental significa compromisso, e Diure escolheu um terráqueo que também tem sangue criale.
Peter olhou os pais, silenciosos e muito surpresos.
– Sempre, em cada dia que viveram aqui em Merine, Diure e Rael foram condicionadas a pensar no Talismã Quádruplo como "só" o Talismã de Crialelar: um Talismã desativado e inofensivo que deveria, oportunamente, ser devolvido à Terra. O vínculo do Talismã é mental e, quanto menos elas pensassem no Talismã, menos chances de contato ele teria. Com o compromisso, deveríamos contar a Diure sobre o perigo que o Talismã sempre representou para Merine. Mas, por causa da mente em parte criale de Robert, não nos atrevemos. Não sabíamos como seus filhos seriam. Você e Loon nasceram, Pete, e Moriser examinou vocês dois tão cedo quanto pôde.
– Quanto de criale tem em mim? – perguntou o rapaz, na leve pausa que a avó fez.
– Você é muito mais criale do que seus pais. Sua mente e a de Loon são mais parecidas com a de Moriser do que com as de Diure e Robert. O risco de o Talismã conseguir acesso a você e Loon era muito grande, e Moriser passou anos procurando meios de impedir. Não pretendemos negar a Crialelar suas Linhagens e seus Senhores, mas Linhagem alguma tem o direito de se reestruturar roubando os herdeiros de outra.
– Sim senhora.
– Pouco antes de entregarmos Merine a Diure e Robert, Moriser e eu fizemos o segundo bloqueio no Talismã.
Desta vez, todos os zaminors reluziram.
– Um bloqueio travado por senhas que não repassamos a Diure e Robert. Para eles, continuava sendo "só" o Talismã de Crialelar, e era assim que pretendíamos que continuasse. Quando chegasse o momento de desbloquear o Talismã, nós explicaríamos. Você e Loon tinham oito meses quando Moriser apresentou-os ao Talismã, como era seu dever fazer. Na verdade, ele adiou tanto quanto pôde, quase mais do que seria prudente. Loon foi o primeiro. Se as Linhagens criale se separassem em vocês, provavelmente ficariam com ele, o segundo herdeiro. O Talismã não reagiu a Loon, e pensamos que seria mais uma geração sem herdeiros ao poder de Crialelar aqui em Merine. Pensamos que se trataria de bloquear o Talismã por mais uma ou duas gerações, até ser possível devolvê-lo à Terra. Mas, quando você foi apresentado, a reação foi imediata, tanto sua quanto do Talismã. Havia vínculo e identidade, e teria havido contato se Moriser não impedisse. Embora essa primeira reação não implicasse em certeza absoluta, havia grande probabilidade de você se tornar o herdeiro do Talismã. O ódio de Crialelar a Merine é tremendo e, usando esse ódio como pretexto, apoiamos a decisão de Diure e Robert de manter o Talismã desativado e longe de você. Você só deveria se aproximar novamente do Talismã de Crialelar quando se tornasse o Senhor de Merine, Pete. Nessa ocasião, com sua mente madura e resistente a qualquer influência do Talismã, Moriser e eu retiraríamos o bloqueio que fizemos juntos.
– Para uma adrina especialista em bolos, a senhora guarda bastante surpresas. E se eu escolhesse uma terráquea com sangue criale por companheira, como minha mãe fez? Ia ser, como eles, Senhor de uma Casa cheia de segredos?
– A segurança à Linhagem vem antes de conveniências pessoais, Pete.
– É mais fácil a gente se proteger de inimigos conhecidos do que dos desconhecidos, Matriarca. Deixe ver se entendi. Esse Talismã é propriedade legítima do adron, por direito de herança. É poderoso o suficiente para interferir na mente de uma primeira herdeira, como ele tentou fazer com minha mãe. Minha mãe escolheu um companheiro terráqueo, criale, seja lá o que for isso, e então, apoiados por essa justificativa, a senhora e o adron optaram por manter segredos que teriam toda a obrigação de contar a eles. Loon e eu nascemos mais criale do que nossa mãe, e vocês, em vez de avisar a nossos pais, continuaram mantendo segredo.
– Por sua segurança e a de Loon, sim.
– Isso está me parecendo o suprassumo da insegurança, mas tudo bem. São decisões de Linhagem. A senhora e o adron podem se entender com os Senhores de Merine sobre seus segredos e opções. Sou um reles herdeiro e não tenho que me meter nisso, não é?
– Pete, é muito mais complexo do que esse resumo que dei.
– A senhora e seu companheiro podem discutir as complexidades com eles – repetiu Peter, indicando os pais. – Esse Talismã bloqueado é o "ovo" que pode ajudar o adron, o que é até bem lógico, considerando que o Talismã é dele. Mas, para ajudar, o Talismã precisa ser desbloqueado.
– O que vai liberar acesso à sua mente – completou Eris. – Na qual pode, talvez, exercer a mesma influência que exerceu sobre Diure e Rael, uma influência que, se não fosse interrompida, poderia ter causado danos extensos à mente de ambas.
– É uma influência rápida?
– Não. É lenta e constante.
– Eu sou o Senhor desse Talismã? Sem dúvida alguma?
– Sim, você é.
– Visão ou critério técnico?
– Critério técnico. Você vê o Talismã com mais clareza do que Moriser.
– Minha mãe não é nem nunca foi Senhora dele.
– Exatamente, Pete.
– Está parecendo que o reles herdeiro é que vai decidir esta – observou o rapaz.
– Talvez, reles herdeiro. Ou talvez a decisão seja minha e de Moriser. Moriser passou a vida inteira se esforçando para proteger Merine dos perigos de sua herança terráquea, e jamais permitiria que você arriscasse sua mente pelos olhos dele.
– Item número um, influência lenta e constante. Posso quebrar o bloqueio, ver o que o Talismã pode fazer pelos olhos do adron, e depois se verifica se há alguma influência estranha na minha mente. Item número dois, um Talismã pode arrebentar tudo que quiser, exceto seu herdeiro. Se esse Talismã é meu, não pode, por definição, me prejudicar de forma alguma. Item número três, este herdeiro já é proprietário do seu Talismã de nascimento. – O sadar surgiu na mão de Peter. – Um Talismã para enfrentar outro Talismã, essa é uma lição básica. Se o Talismã terráqueo tentar alguma gracinha, o sadar se entende com ele. – Peter fez uma curta pausa. – E eu me entendo com os dois.
Estendeu a mão, palma para cima, na direção da avó.
– Se é meu, me entregue.

Este talismã é um personagem quase vivo do enredo. Prestem atenção nele! Ah, podem começar a ficar curiosos sobre a postagem do último dia... Vai ser bem especial!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

AQUECE 12 - Baleias!

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)


*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***




O assunto eram as baleias, que pareciam rumar para um arquipélago de atóis logo adiante. Baleias de espécies semelhantes escolhiam lagunas de coral para terem seus filhotes em segurança, o modo como as baleias cercavam algumas fêmeas no centro do grupo indicava que elas estavam grávidas, havia fêmeas mais velhas acompanhando as prováveis futuras mamães, as tais fêmeas eram alimentadas pelo resto do grupo, os machos mais velhos garantiam a segurança, o macho líder fechava o grupo, e [... - não, não é para saberem quem está no Cisne com os Melbourne!] se sentia especialista em baleias extintas ou não-extintas.
O motivo do alvoroço era o arquipélago ao qual chegariam no dia seguinte. Se elas realmente tivessem os filhotes lá, seria a glória total! Além de determinar que a espécie não estava extinta, também teriam localizado seu local de procriação! Era DEMAIS!
– Elas são super mansinhas, deixam a gente se aproximar sem problemas! – entusiasmou-se Lis. – Vai facilitar montes pra filmar!
– Até começarem a ter os filhotes – lembrou Tom. – Se forem como as baleias-de-Noriali, não vão querer ninguém perto na hora dos filhotes!
– Dava um artigo sensacional para a seção ecológica! – Jean falou entre uma garfada e outra. O terrível repórter do qual [...] tivera tanto receio revelara-se um rapaz simpático que ajudava os Melbourne quando podia e era atirado na água quando atrapalhava.
– Eu adoraria ver a cara de certas pessoas, quando derem com ele! – concordou Henry. – Só espere para vermos se elas vão mesmo ter esses filhotes!
– Quer dizer que eu posso escrever?!
O trio da [...] ficou pasmo, e os Melbourne caíram na gargalhada, o que bastou para Jean ficar da cor dos tomates que estava comendo.
– Mas ei, grande repórter, cadê sua liberdade de Imprensa?! – riu-se Teo.
– Ela se afogou por aí nos caldos que vocês me deram! – protestou Jean. – Então eu posso escrever?!
– Pode sim, você pode!
– Ahá! – Jean, feliz, tirou do bolso um bloquinho e uma caneta, seus eternos e antiquados companheiros. – A cara de quem o senhor gostaria de ver, doutor Henry?
– Não diga que eu posso ser malvado a este ponto!
– Eu chequei as notícias daquela época e eles foram bem malvados com o senhor! A Rede Mundial tem uma equipe só para dar notícias inesperadas a pessoas importantes e gravar a cara que elas ficam! Então, quais daqueles sujeitos o senhor quer?
Doris e Henry escolheram os mais impertinentes da época. Todos biólogos de renome, é claro.
– Lá vão vocês mexer em vespeiros de novo! – [...] suspirou.
– Os vespeiros somos nós e eles é que mexeram conosco. Só estamos largando as vespas com sete anos de atraso!
– Será que a Rede Mundial se interessa a ponto de verificar a cara dessa turma, Jean? – duvidou Ted.
– Está brincando?! Depois daquele obituário que o Comando largou, com Ariel e tudo, vocês vão ser notícia por muito tempo! O pessoal da Rede está me cercando feito doido para conseguir uma reportagem sobre o que realmente aconteceu em Ariel, o que aconteceu em Rivan, o que vocês comem no almoço, qualquer coisa! Vão adorar essas baleias!
– Por que você não escreveu sobre Ariel? – perguntou [...] a Jean.
– Porque eles podem ter sido heróis lá, mas aqui são afogadores de repórteres!
– Herói é a digna senhora sua avó, e eu prefiro nem lembrar de Ariel, obrigado! – protestou Ted.
– Viu? – Com a caneta, Jean indicou Ted. – É isso que acontece!
– Eu também não sabia dessa história de Ariel – observou [...]. – E, se sabia que você era das Forças de Defesa, Henry, nem desconfiava que era major, "o mais talentoso estrategista" e capaz de fazer tudo o que disseram que você fez!
– Sou um sujeito versátil.
– Eu percebi, acredite! Pois bem, já que este repórter parece fazer parte da sua família, que tal explicar desde quando trata astronautas pelo primeiro nome?! De onde os conhece?!
– Desde um momento e outro, entre uma estrela e outra, e coma seu peixe antes que eu meta veneno nele! – avisou Henry.
– A vida deles não é um livro aberto – intrometeu-se Tim. – Bem ao contrário, tem cola grudando muita coisa! Especialmente as páginas que falam de astronautas, não é, pai?!
– Um monte de cola visguenta – admitiu Henry. – Jean, você não vai terminar de comer?
– Daqui a pouco, doutor! – Ele rabiscava furiosamente no seu bloco de notas. Pam, do lado, estava espiando.
– Isso precisa ser traduzido! – riu ela. – Se aquele rabisco ali é "extinta", se escreve com "x".
– Está escrito com "x"!
– Parece um "s". – Ted olhava pelo outro lado.
– É "x" e cuide aí do seu prato!
– Você não quer admitir que escreveu errado – insistiu Ted. – É "s". Venha ver, Tim. Você é o especialista em códigos impenetráveis!
Tim se debruçou atrás de Jean, olhando por cima do ombro dele.
– De qual desses riscos vocês estão falando? O fiapo alienígena ou o parafuso neurótico?
– Aquele ali – mostrou Pam.
– Querem me deixar em paz?!
– O parafuso neurótico – sentenciou Tim. – Ele acha que escreveu "extinta" ali? "Baleias dadas como", isso eu entendi. Mas depois parece retintas, ou retidas, ou selinlas, ou... Gente, ele escreveu "etintas"! Olhe ali, Pam. É "etintas". "Baleias e tintas"! Está dizendo que a gente pintou as baleias, seu Fogueirinha?!
– Em vez de liberdade de Imprensa, eu preferia privacidade de Imprensa! – Jean levantou, indignado. – Você não vai me confundir de novo, Tim!
O repórter deixou sua janta pela metade e foi escrever em outro lugar. Tim riu e sentou no lugar dele, aconchegou-se todo a Pam e disse:
– Agora, minha encantadora e maravilhosa maninha, sobre aquela aposta...
Os irmãos desataram a rir.


Quem se arrisca num palpite? Qual trio está visitando os Melbourne no Cisne?

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AQUECE 11 - Dr. Leonard Janson

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
(As novidades da Bienal serão via Facebook ou Instagram)

*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***


DUAS HORAS MAIS TARDE, Henry foi para a proa do Cisne. Bem agasalhado porque a noite estava fria, mãos fundas nos bolsos, contemplava o céu da Terra. Em Kreganian, havia muito mais estrelas... e oito pequenas luas douradas. Sempre havia pelo menos duas delas no céu.
Não precisou esperar muito. Desde a conversa do jantar, os filhos estavam atentos, esperando uma brecha. Teo e Tom se aproximaram, e cada um se debruçou na amurada de um lado do pai.
– Tentando congelar, pai? – perguntou Teo.
– Achei que a chance de Jean se arriscar com o frio era bem pequena – respondeu o cientista.
– Estava falando de Champ-Bleux mais cedo, não é?
Henry assentiu:
– Champ-Bleux não trabalha apenas com Ciência convencional. Trabalha com paranormalidade, o que foi o motivo do Comando de Espaço ter feito testes tão rigorosos com Peggy. Trabalha com Ciência especulativa também.
– Ciência especulativa... – repetiu Tom. – Coisas que a Ciência convencional não consegue explicar. O Mar Negro deve estar no topo da lista deles.
– Bem perto do topo – admitiu Henry. – A Terra inteira sabe que estivemos lá, metidos em complicações. Assim que chegarem a Champ-Bleux, vai haver gente conferindo com vocês se as complicações foram realmente apenas aquelas que estão nos relatórios.
– Agora que estamos sozinhos, pode dizer os nomes que não quis dizer lá dentro?
– Alunos de unidades mais adiantadas, que estudam o assunto. Colegas do mesmo semestre, talvez. Muitos procuram a Escola Avançada justamente porque lá podem se dedicar a Ciência especulativa. Alunos de final de curso que escolheram esse enfoque e seus orientadores, ressaltando que os orientadores provavelmente são cientistas de renome em alguma área. Eles vão se interessar porque estivemos no Mar Negro, e informações diretas sempre interessam. É para esse momento que minha recomendação lá de dentro vale: nenhuma palavra a mais, absolutamente nenhuma. Se vocês passarem a ideia de que aconteceram coisas que não foram para o relatório, então sim, eu posso dar um nome, e esse nome não me agrada: Leonard Janson.
Teo e Tom olharam o pai com surpresa. Henry prosseguiu:
– Leonard Janson é o maior estudioso de Ciência especulativa da Terra e sabe tudo que acontece dentro da Escola dele. Se não cometerem qualquer deslize, ainda assim há chance de serem convidados para uma conversa com o diretor. Se cometerem o deslize, vão parar lá com certeza. Vocês conheceram o doutor Carl Janson e ficaram encantados com ele. Leonard Janson é bem diferente do pai. É um homem autoritário, irascível, intimidador, que não gosta de tarilianos. Conversa a portas fechadas com ele sempre significa grandes problemas. Ele já devia estar focado em vocês por terem passado como passaram, os seis juntos. Depois, o Comando de Espaço divulgou aquele obituário falando de Ariel. E, para completar, estivemos metidos no maior evento climático do século no Mar Negro, e escapamos. Ele sabe quem cada um de vocês é. Pode querer saber muito mais.
– Ele trabalha com Ciência especulativa? E como assim, não gosta de tarilianos? Ele estava na Aventura, a primeira nave que chegou a Tarilian! Ele foi um dos que fez a nave! Depois ficou uns anos em Tarilian estabelecendo as bases da diplomacia interplanetária!
– Tudo que Leonard Janson faz, faz com perfeição. Mas há muito mais sobre ele do que aquilo que se ouve por aí. E, com certeza, ele não gosta de tarilianos.
Henry chamou os dois filhos para o mesmo lado, para poder olhar os dois juntos.
– Numa conversa com Tim, Leonard Janson foi mencionado. Eu reagi de uma maneira que fez Tim rir e dizer que o homem impressionava até a mim, seu valente papai. Com quantas pessoas vocês já me viram impressionado?
– Eu acho que nenhuma – disse afinal Teo, porque Henry ficou calado, esperando a resposta.
– Houve uma – lembrou Tom. – Justamente o doutor Carl, pai do doutor Leonard. Quando ele nos visitou, o senhor estava impressionado com ele de um jeito que nunca esqueci, apesar de eu ser um pirralho. Mas era um tipo completamente diferente de se impressionar do que esse que o senhor está falando agora.
– Certo, Tom, o doutor Carl Janson foi um dos homens mais impressionantes que conheci. E certo, Teo, ninguém me impressiona da forma que o doutor Leonard impressiona. O doutor Carl era um homem a ser admirado. Leonard Janson é um homem a ser temido.
– Temido – conferiu Teo. – O que ele pode fazer além de nos prensar, pai? Depois de Cornel, lá em Rivan, estamos bem imunes a isso!
– Cornel respeita regras, mesmo que sejam as dos rodapés dos regulamentos. Leonard Janson não respeita regra alguma. Os fins justificam quaisquer meios que se mostrem necessários, e o mundo que arrede do caminho.
– Que meios necessários seriam esses, pai? – Tom apoiou na amurada. – Que tipo de gente se interessa tanto por Ciência especulativa? Pessoas com habilidades especulativas, talvez? É disso que está nos avisando? Por que não avisa claro, então?
Henry sorriu diante do raciocínio rápido do filho.
– Parabéns, filhote. Normalmente, as pessoas levam mais tempo para chegar a essa conclusão. O que posso dizer sobre Leonard Janson é que ele consegue elevar intimidação a um patamar tal que simples intimidação não explica. Ninguém em Champ-Bleux tem certeza se o diretor tem ou não habilidades especiais. – Henry tinha certeza, é claro; Champ-Bleux é que não tinha, e Henry estava sendo exato em relação a isso. – Sempre me mantive o mais distante possível dele. Não gostaria que vocês fizessem essa descoberta no meu lugar. Vocês não se intimidam com facilidade, mas não fiquem sozinhos com ele, de forma alguma. Se possível, me avisem antes de acontecer.
– Sim senhor. E quanto a Peggy? Pelo que lemos sobre sensibilidade, sensitivas reagem mal a... pressões em excesso.
– Peggy foi bem treinada nesse aspecto.
– E bem testada lá no Comando, tanto que ainda está toda atravessada e triste?
– O Comando fez o que considerou necessário, e Peggy sabe que foi por sua segurança.
– Pai, esse jeito dela preocupa!
– Cada um tem seu tempo, filhotes. Peggy precisa do tempo dela, agora. Tenham calma.
– Sobre o doutor Leonard...
A conversa de Henry com os filhos se estendeu bastante. Quando terminou, eles se encarregaram de informar aos irmãos, bem longe dos ouvidos de Jean.

Este foi, sem dúvida, um aviso muito suave sobre o grau de periculosidade do doutor Leonard Janson, o diretor da Escola Avançada de Champ-Bleux.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

AQUECE 10 - Ainda a aposta!

Olá, tripulação!


***  CONTINUA O AQUECE ***

A capa antiga.
Azulona como Talismãs é agora!



Até o final da Bienal, postarei aqui um quote de Talismãs por dia, sempre às 19 horas. Generosos quotes!
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*** Lembrando que, na Bienal, estarei no estande M69 durante o evento todo, com minha turma de "monstrinhos"! ***


– Ô chuvinha que não acaba! E você, que tantos papos são esses com o Fogueirinha? Consequências daquele beijo, ainda?
– Vocês não vão largar do meu pé?!
– Mana Pam, não é o seu pé que aquele Fogo quer agarrar! – riu-se Tim. – Ok, pode ir contando dos papos. Pode ir explicando por que trocam de assunto cada vez que a gente chega perto!
– Porque nós estamos com uma aposta em andamento e discutindo as regras da coisa, é por isso!
– Ah, aposta! Quer ver como eu adivinho? Se ele ganhar, quer um beijo de prêmio!
– Certo! – concordou Pam, com uma chispa perigosa no olhar. – Mas adivinhe o que eu quero, se eu ganhar!
Tim ignorou a chispa e respondeu, rindo:
– Ele beija você se ele ganhar, e você beija ele se você ganhar?
– Não, Tinzinho do meu coração. Se eu ganhar, Jean vai beijar VOCÊ!
– O QUÊ?! – bradou o rapaz.
– Isso aí. E não adianta perguntar pra Jean o que é, porque a aposta é secreta e vocês não ficam sabendo antes do fim!
– Mas tá doida que vou deixar aquele Fogueira me beijar! Nem brincando! Nem pra pagar aposta! Eu descubro esse raio de aposta e faço ele ganhar de qualquer jeito!
– Ele não vai contar!
– Ah, vai! Ah, conta, ou eu não me chamo Tim Melbourne!
– Seu nome é Thimoty! – lembrou Pam, rindo.
– Melhor Thimoty do que Laura ou Marieta ou Sara Beatrice! Mana Pam, como pôde fazer isso comigo?!


MESMO COM A CHUVA chata, mesmo com a monotonia climática, a paz a bordo do Cisne desapareceu. Tim cercou Jean de perguntas, atordoou, ameaçou, sacudiu, e Jean só ria. Os irmãos se meteram, dispostos a fazer todo o possível para Pam ganhar a aposta, só para Tim ganhar o beijo. Entraram animadamente na questão de onde deveria ser dado o beijo. Se Jean queria beijar Pam na boca, era justo beijar Tim do mesmo jeito!
O cientista olhou o caos instalado na sala de leme e navegação. Tim, indignado, protestava que tinha que valer pra TODOS os irmãos de Pam! Os outros irmãos de Pam, Bobby inclusive, estavam às gargalhadas, defendendo-se com argumentos que Tim contradizia com absoluta ferocidade.
– Engraçado – comentou Henry para Doris. – Eu estava até gostando do chuvisco e do silêncio. Agora, o que eu mais queria era que essa chuva parasse para eles irem discutir lá fora!
– Vá descansar – sugeriu Doris. – Estão muito ocupados para sentir sua falta!
– Eu vou, mas fique de olho em Jean. Agora o pescoço dele ficou mesmo a perigo!
Exausto, Henry dormiu como uma pedra. Acordou com algo semelhante a outra pedra em cima da sua barriga.
– Tá na hora da janta, pai! – avisou alegremente Bobby, sentado na barriga do pai.
– Você senta na minha barriga e quer que eu tenha fome?
– Mamãe mandou chamar o senhor! – O menino riu. – Que dorminhoco que o senhor anda, hein, papai!
– Com essa chuva chata, só dormindo, mesmo. Já parou?
– Parou legal, tem até estrelas no céu, mas está frio pacas!
– Sei! Jean ainda está a bordo?
Bobby deu risada.
– Tim bem que quis atirar pra fora, mas os manos não deixaram!
Henry riu, olhou a hora e pegou um blusão.
– Isso chega para suas pacas de frio?
– O senhor tem que se pentear, seu cabelo parece o de Tim, está arrepiado... pacas! – provocou Bobby.
– Essas suas pacas são muito versáteis!
– Pois é. E só vão sobrar elas pra me fazer companhia! Por que eles têm que sair tão cedo pra Escola?! Pra que sair tão antes de começar a aula?! Por que eu não posso ir junto?!
– Bobby, cedo ou tarde eles vão ter que sair. Se preferem sair cedo, tudo bem. Não vai ser fácil para eles, também. E você não pode ir junto porque, obviamente, não pode voltar sozinho. Aliás, deve ser a vigésima vez que repito isso.
– Mas eles pelo menos vão estar todos juntos! Eu é que vou ficar aqui sozinho com uma tripulação toda de gente grande!
– Doris e eu vamos ficar.
– É diferente. Isso aqui vai virar uma xaropação só. Vou ficar velhinho feito o velho Don fazendo barquinhos com canivete esperando minha vez de fazer os exames de Champ-Bleux!
– Está tomando cuidado com aquele canivete?
– Estou, estou, estou! Pelo menos o velho Don disse que vai ficar! Ele pode, não pode? Mesmo quando a outra tripulação vier?
– Ele pode, sim.
– Pai, o senhor acredita que existem sereias, como ele diz?
– Acredito que o mar é muito grande e que pode existir muita coisa lá embaixo. E, nesse caso, estou com Jean: prefiro acreditar que vivo num mundo que tem sereias!
Bobby gostou da resposta, sorriu e comentou:
– Viu só como Tim anda chato com o velho Don? Ele vivia dizendo que ia pegar uma sereia à unha. Veio o velho Don dizendo que sereias existem mesmo, e Tim fica dizendo que ele é maluco e que não existe sereia coisa nenhuma!
– Tim prefere explicações mais lógicas do que as que o velho costuma dar. – Henry terminou de se pentear. – Como é, não estou mais despenteado pacas? Podemos jantar?
 Durante o jantar, Tim ainda estava indignado, prometendo represálias terríveis a Pam e Jean. Se Jean ousasse perder a aposta secreta, ia perder o escalpo também! Ele TINHA que ganhar! O resto da turma estava torcendo descaradamente pela vitória de Pam, é claro.

Ainda o caso da aposta. Vocês estariam ingenuamente pensando que esta aposta vai ter uma solução simples? Não me conhecem ainda, rsrs?