segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Leituras: autores nacionais de novo

Como todos vocês sabem, o ano transcorre normalmente até o final de agosto. Quando inicia setembro, os dias começam a sumir cada vez mais rápido. Em outubro, a gente se perde das semanas. Novembro é como uma sombra de velocidade, e dezembro é um mês estranho porque, embora o calendário anote trinta e um dias, sou capaz de jurar que dezembro tem apenas dez. Ou doze, no máximo.

Assim, quando olhei o blog e vi que se passaram seis dias desde a última postagem (e eu havia prometido a mim mesma posts dia sim, dia não), achei normal. Porque, entendam, não foram seis dias de verdade! Foram só dois. Ou dois e meio, não chegando a três.

Enfim, vamos aos livros da vez!

1. Lavínia e a Árvore dos Tempos - Lucinei M. Campos, autor independente, 234 páginas. Oooook! Conheci Lucinei na Bienal do Rio 2015. Éramos companheiros de estande e, apesar do calorão infernal da Bienal (ar condicionado desligado é uma tradição bienalesca), Lucinei se apresentava todos os dias vestido de bruxo, com uma roupa espetacular que dava calor só de olhar, assim tipo Dumbledore. Tinha até chapéu! É claro que conversávamos sobre os livros em qualquer folguinha que havia, e não havia como resistir à premissa dos livros de Lucinei: a protagonista, Lavínia, é uma menina de nove, quase dez anos, pai branco e mãe negra, que se isola na escola porque todos os colegas parecem ter por esporte atormentá-la. Mas eis que, inesperadamente, Lavínia ganha a companhia de uma... fada madrinha? Bem, mais ou menos isto. Porque sua "fada" se chama Laus (nome masculino, ele é um "fado"), detesta humanos e é um criminoso condenado no mundo mágico. Sua pena é cuidar de Lavínia por um ano, o que ele faz de péssima vontade. Para completar, ao ser empossado como fada de Lavínia, Laus deve assumir uma "versão" humana, e de repente se torna um nordestino baixinho de chapéu de couro, com sotaque e tudo. Seu nome muda e se torna Lorivaldo. Sim, a "fada" se chama Lorivaldo! Não bastasse isto, como ele estava com sua varinha quando aconteceu a transformação, ela se tornou meio varinha, meio peixeira. Conseguem imaginar o personagem? O único amigo de Lavínia, seu vizinho Léo, também é o único que consegue ver Lorivaldo. Mas não pense que a função de Lorivaldo é defender sua "faduária" de perseguições na escola... Os problemas são muito maiores, envolvendo assuntos de alta relevância no mundo mágico e mortal. Temos ainda ninfas, faunos, curupiras, titãs, minotauros, goblins, elementais... Eu não vou contar mais. Leiam e descubram que tal é uma "fada" nordestina com uma peixeira mágica na mão!

2. Lavínia e a Magia Proibida - Lucinei M. Campos, autor independente, 268 páginas. Neste livro, Lavínia tem dez, quase onze anos. Lorivaldo continua a ser sua fada, e está um pouco menos ranzinza (bem pouco), e Léo continua sendo o único amigo de Lavínia. Lavínia agora compreende que ela foi/é/será muito importante no mundo mágico e humano, e que receber uma "fada de guarda" não foi acaso ou sorte. Este livro se passa na época da Copa do Mundo; aliás, Lavínia mora no Rio de Janeiro, como Lucinei, seu criador. Aproveitando a movimentação por conta dos jogos, muitos ilegálgicos (magos e criaturas mágicas fora da lei) chegam ao Rio para caçar Lavínia. Sim, caçar - bem isto! Os maus do primeiro livro estão ainda piores, e suas intenções são perigosas para nosso mundo e o mundo mágico. Mas também há novos aliados, provando que não se deve colocar as pessoas em categorias antes de conhecê-las. 
"Entende-se também como ilegálgicos todos que praticam feitiços exclusivamente de natureza maligna, sejam eles fadas, ninfas, náiades, sereias, ents, curupiras, humanos ou quaisquer outras criaturas dos Dois Reinos e do Vale Humano."
(Lucinei, uma capa com melhor resolução, por favor!!!)

3. O Espadachim de Carvão - Affonso Solano, editora Leya, 254 páginas. Conheci Affonso Solano em um evento em Foz do Iguaçu e finalmente adquiri o livro cuja capa havia me encantado desde a primeira vez que a vi. Curiosa para ver o que um autor com credenciais tão incomuns havia criado, me atirei na leitura e conheci Adapak, um espadachim de pele cor de carvão e olhos brancos que é filho de um dos deuses criadores do mundo de Kurgala. Adapak foi criado protegido por seu pai em uma ilha sagrada, com todo o conhecimento à sua disposição. Sabia que devia se manter isolado do mundo lá fora, mas tudo mudou quando, aos dezenove anos, foi obrigado forçado a fugir para sobreviver. Sábio, mas ingênuo, Adapak se depara com uma realidade para a qual todos os seus estudos não o prepararam.
O mundo criado por Solano é invulgarmente rico e complexo, e aos poucos vamos compreendendo suas regras, suas lendas e seus incomuns deuses. Kurgala literalmente se revela aos olhos dos leitores a cada página virada. Descrições, diálogos e cenas de ação se sucedem com grande fluência, alternando o presente e o passado de Adapak. Foi impossível largar o livro antes do final, que tem um gostinho indiscutível de "quero mais". Ainda bem que eu tinha comprado o volume 2! :D

4. O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur - Affonso Solano, editora Leya, 190 páginas. A adaptação de Adapak a Kurgala prossegue, e a realidade se revela cada vez mais diferente dos estudos de nosso protagonista. Agora como passageiro de um navio pirata, Adapak se dedica a aprender mais sobre Puzur, o criador da técnica que o espadachim usa para lutar. E, enquanto Adapak aprende, nós somos levados a um passado bastante mais remoto de Kurgala, à vida de Puzur, que foi nada mais nada menos do que um competente ladrão, que precisava roubar para se drogar... Os relatos seguem paralelos, um no presente e outro no passado, revelando mais sobre Puzur do que sobre Adapak, que tem uma vida bem menos emocionante neste segundo livro. O final foi bem surpreendente, e lá está de novo o gostinho de "quero mais". Mas o terceiro livro ainda não saiu... :(


5. Melby - Manuela Titoto, editora Métrica, 326 páginas. Manuela é uma autora estreante que ousa se aventurar pelo difícil ramo do romance policial. É um gênero que exige muito do escritor, e Manuela se sai bastante bem contando a história de Laura, uma aluna da prestigiada Universidade de Melby, e do professor Anderson Smith, um de seus mestres favoritos. O professor Smith está muito entusiasmado com a chegada de um novo professor que, além de indicado para o prêmio Nobel, é seu amigo há muitos anos. Problema: este novo professor é um árabe que fugiu da Arábia Saudita para melhor desenvolver suas novas teorias. Mas, quando o esperado físico árabe chega, o professor Smith se surpreende ao constatar que o árabe que chegou não é o mesmo amigo que ele conhecia! O desaparecimento do cientista (no qual ninguém acredita, além de Laura e Smith) dá o ritmo da trama, que tem doses certas de romance e tensão. Com certeza, temos uma promissora autora de romances policias despontando na literatura nacional!

6. A Herdeira - Kaelium, livro 1 - Tatiane Durães, e-book Amazon, 263 páginas. A sinopse chama os apreciadores de ficção com outro mundo, denominado Kaelium. Kaelium é habitado por seres muito semelhantes aos humanos, embora as atmosferas da Terra e Kaelium não sejam exatamente iguais. O mundo de Kaelium parece organizado e pacífico, dividido em quatro grandes reinos que vivem em equilíbrio. Este equilíbrio é ameaçado quando Akira, a herdeira recém-nascida de Zefir, o reino do Ar, é sequestrada e enviada ao espaço para morrer, mas acaba chegando na Terra. Aqui ela vive até os dezoito anos, sem saber que não é filha do general Assis e sua esposa Ana. A chegada de uma nave espacial de Kaelium transforma a cidadezinha em que Akira (na Terra, Samantha) vive em uma autêntica zona de guerra, e a jovem acaba por voltar ao seu planeta de origem. As culturas da Terra e de Kaelium, no entanto, são tão diferentes que a princesa herdeira Akira/Samantha tem muita dificuldade em se adaptar a tudo, inclusive a seus verdadeiros pais. O mesmo inimigo que tentou matá-la quando era bebê continua presente, e logo a princesa descobre que sobreviver é uma tarefa muito difícil, principalmente quanto é necessário defender não só a própria vida, mas também a vida de todos a quem se ama. A Herdeira é um livro rápido e muito agradável de ler, com uma trama simples e bem trabalhada. O final é coerente e encerra bem a história, mas é claro que fica o gancho para o próximo livro...

4 comentários:

  1. Oi Eleonor,

    Muito obrigada por ter lido "A Herdeira". Fico muito feliz que tenha gostado da história. Em breve lerei "Cisne", tenho certeza que vou adorar, já li ótimas resenhas.
    Obrigada.
    bjs

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    1. Foi um prazer, Tatiane! Espero a continuação para breve! Aliás, onde a gente arruma um Daniel?!
      Beijos e parabéns!

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  2. Eu sou louca por Melby desde o lançamento, agora também quero muuuito os livros do Lucinei.

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    1. É uma leitura bem diferente do habitual, Mari! Entre em contato direto com ele via Facebook, pois os livros não estão em livrarias, infelizmente!
      Beijos e boa leitura!

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