quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Talismãs: quotes


No primeiro post, reuni os quotes dos capítulos 1 a 5 de Talismãs. Esses quotes estão sendo postados no grupo (link) e o pessoal está gostando bastante! 

Nossa. Olhando agora até o final, que tamanho o post ficou! Isso não são quotes, são pedações de história pra ninguém botar defeito...

Capítulo 6

– O que não está funcionando no seu querido terminal?
– O querido terminal está ótimo, o problema são os descompensados do outro lado dele. Nosso pai, o famoso e ocupadíssimo major Shin, usou o Comando de Espaço como pretexto, caiu fora e me deixou encarregado de negociar com o sindicato dos técnicos em mineração. Eu devia chamar um psiquiatra para eles, em vez de negociar!
– Ônus de futuro Senhor, ó grande Aron de Slara! – riu-se a garota, maspuxou sua cadeira de modo a ficar ombro a ombro com o irmão, cheia de solidariedade. Qualquer parte do treinamento físico e mental era mais fácil do que as questões burocráticas e financeiras das Casas!
– Veja aqui, ó grande Vivi de Slara, essas planilhas e essas projeções. Viu? Pois olhe aqui o que eles entenderam das planilhas, e é baseado nesse delírio que eles querem negociar o reajuste! Dá pra aturar?!
– Mas de onde eles tiraram isso?! – espantou-se ela.
– Sei lá, mas que desanima, desanima mesmo! Como vou responder, se parece que eles estão falando de uma coisa e eu estou falando de outra?!
– O que eles nem sonham é que estão falando com a Casa de Slara – Vivi sempre se divertia com a "identidade secreta" das Casas em negócios convencionais. Aron, por exemplo, estava respondendo em nome da direção de um dos mais antigos conglomerados de mineração do planeta. – O que será que fariam se soubessem?
– Sei lá. Quanto de aumento se pode pedir a uma lenda? Mais, eu aposto!

Capítulo 7

Dessa vez, Robert optou por uma resposta sem evasivas.
– A reação de uma Casa defendendo sua Linhagem é frequentemente desproporcional. Não que a Linhagem não deva ser defendida; deve, sempre. Mas, se a Casa age sozinha, exagera e causa danos desnecessários. Se uma Casa se mobiliza para atacar e se, nessa ocasião, há um integrante de Linhagem presente, ele tem o dever de, se possível, verificar se a violência da ação da Casa é imprescindível. Quer uma resposta técnica, não é?
Peter assentiu, atento.
– Então observe que há diversos condicionantes na resposta. Primeiro, o integrante de Linhagem precisa estar na Casa e, de preferência, no Salão dos Tronos. Fora da Casa, não há como interferir. Segundo, é necessário muito poder pessoal para deter uma Casa, do tipo que só primeiros herdeiros de Linhagem têm. Em Merine, estas pessoas são seu avô, sua mãe e, algum dia, você.
– E o senhor?
– Não sei. Nunca precisei testar. Acredito que falharia no item seguinte, que é interação com a Casa. Próximo item: se possível, verificar se a violência da Casa é imprescindível. A Casa só age de forma autônoma se a Linhagem está em grande perigo. Se se tratar de um Senhor lento nas decisões, é melhor não interferir e deixar a Casa proteger a Linhagem da melhor maneira que puder. Se se tratar de uma situação extremamente crítica, ninguém tem chance de interferir, porque tudo se resolve em instantes. Por último, há situações em que a violência é inevitável, e então é necessário deixar a Casa agir. Respondido?

Capítulo 8

Robert olhou o Talismã na mão do filho. O sadar era feito de milhares de zaminors unidos num padrão complexo, que escorregavam entre os dedos de Peter como uma meada de linha meio desfiada. O Talismã ainda cintilava forte, em parte o brilho físico dos raros zaminors brancos, em parte o brilho da ativação mental. Era magnífico.
Do sadar, seus olhos passaram para Peter. 
Seu filho era um herdeiro bem instruído, e sabia que trazer o sadar daquela forma significava posse indiscutível sobre o Talismã da Linhagem. Em momentos como aquele, jovens herdeiros costumavam fechar a mão em torno de seus Talismãs, declarando-se legítimos proprietários. Guerras já haviam devastado o Império Atlante em consequência de momentos assim.
Num gesto simples, Peter passou o sadar para a mão do pai.
– Feito. Não se preocupe, não vou fazer contato antes de vocês descobrirem o que foi toda aquela confusão que o sadar e eu fizemos no Salão dos Tronos. 
A meada desfiada e brilhante de joias agora estava em sua mão, e Robert mais uma vez sentiu o fabuloso poder do Talismã de Merine. Era fantástico. Era o mais poderoso Talismã que Robert conhecia, e ele conhecia muitos.
Casas se vinculavam a Linhagens; Talismãs se vinculavam a Senhores, apenas um Senhor de cada vez. Nas Casas, o ponto focal de poder eram os Tronos; os Talismãs eram, eles mesmos, pontos focais energéticos tornados sólidos. Se a necessidade era pequena, concentravam o poder do Senhor ao qual estavam vinculados. Se a necessidade era grande, seu alcance se ampliava, e passavam a reunir o poder da Casa ao poder do Senhor. E, quando a necessidade era desesperadora, o Talismã congregava em si o poder do Senhor, da Casa, dos Tronos, da Linhagem, de tudo o que o seu Nome representava. Se uma Casa era destruída, o Talismã armazenava em si as memórias que a recriariam. Se a Linhagem era exterminada junto com a Casa, cabia ao Talismã encontrar seus mais afastados integrantes e, a partir deles, reativar seu Nome. Existiam Talismãs sem Casas. Não existiam Casas sem Talismãs. Um Talismã era o coração, o cerne, a própria essência daquilo que representava: seu Nome. Em Tarilian, o maior dos Nomes era Merine.
Peter tivera Merine em suas mãos e, com naturalidade, devolvera ao seu pai.

Capítulo 9

Robert disse, com firmeza:
– Sei perfeitamente o que entreguei a Peter: a arma mais poderosa de Tarilian, depois da Casa de Merine. Sei que tenho um filho turrão, insubordinado e louco de vontade de pedir demissão de Merine. Mas, ao mesmo tempo, Peter é um Herdeiro que respeita a Linhagem em que nasceu. Se pudesse, ele não seria o próximo Senhor de Merine, mas, se tem que ser, pretende fazer isso direito. A partir daqui, assunto de Senhores, não de Herdeiros.
Miqi de Slara assentiu. Poderia informar aos demais Senhores, com instruções de não chegar à nova geração.
– Peter tem mais treinamento do que qualquer outro Herdeiro da mesma idade. Não estou falando de Luta e proezas físicas ou mentais, embora ele seja incomum nisso também. Estou falando de treinamento com Merine, conhecimentos e controle da Casa. Se Diure e eu faltássemos agora, aquele garoto lá dentro teria condições de assumir Merine sem problema algum. Tem poder, tem conhecimentos, tem muito mais experiência do que vocês podem supor. Esse foi um dos critérios para entregar o sadar a ele: se fosse necessário, Peter teria condições de assumir não só o sadar, mas a Casa também. O segundo critério é o nível de autoridade de Peter, que ele nunca usa. Ele é, na definição do próprio grupo dele, um Apocalipse, sempre pronto a resolver tudo no braço. Mas ele usa o braço dele, sem usar o braço de Merine. E ele poderia fazer isso. Peter não faz porque não quer, e poucas vezes vi um Herdeiro se portar assim. Entreguei uma arma a ele, sim. Porque sei que ele só vai usá-la se for obrigado e, quando for obrigado, vai usar bem.
Depois de alguns momentos de surpresa, Miqi disse:
– Nunca pareceu que você tinha essa opinião sobre o seu filho mais velho.
Robert sorriu de leve, cansado.
– Você nunca ouviu o Senhor de Merine reclamar do seu Herdeiro. O que vocês ouvem, e muito, é um pai reclamando do porre de filho que tem.

Capítulo 10

Peter perguntou por Katrin, e Aron prontamente informou:
(– Ela entrou ontem em sono de recuperação, está melhorando depressa. É ótimo ela, tia Elena e tio Regort estarem oficialmente na nave Juno, bem longe da Terra, porque assim o tio e a tia têm todo o tempo para Katrin. Tio Regort também falou que precisa conversar com você, Pete. Já reconsiderou a coisa do moleque inconsequente que é uma desgraça de Herdeiro de Merine.)
Peter suspirou tão fundo que o reflexo do suspiro chegou ao campo mental.
(– Tio Regort estava muito nervoso por causa de Katrin, Pete.)
(– Não enche, Aron! É claro que ele estava nervoso, eu quase matei a filha dele! Sem querer, mas quase matei do mesmo jeito! Ele não tem nada que conversar comigo, eu é que tenho que conversar com ele, e me desculpar muito direito por tudo isso!)
Na cozinha, esperando uma caprichada bandeja de lanche ser arrumada para Peter, Aron sorriu. Considerando a cabeça quente de Pete, todos receavam desastres na nova conversa entre ele e tio Regort. Pelo jeito, podiam ficar tranquilos. Ainda bem!
(– E o resto do pessoal? Deu problema com alguém, por causa de Merine?)
(– Não. Todo mundo ficou dois dias com os respectivos pais, e todos os pais garantiram que não houve problema algum. Já voltaram ao treinamento, com tio Paul dizendo que precisavam recuperar os dias de "folga". O Lata estava planejando um linchamento pelo desaforo de chamar essa confusão toda de folga. Aliás, está todo mundo de bronca com tio Paul, por ele não ter avisado o que estava acontecendo com Peggy.)
(– Peg! Sabe alguma coisa dela?)
(– Ela está no Cisne e o Cisne está em alto mar. Disseram que ela está mais calma e colaborando com as investigações mentais.)

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