sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Primeira postagem do trio de "monstrinhos"!




Há dois dias, TALISMÃS foi pela primeira vez impresso em tamanho A4, para a revisão final. Claro que, como toda "mãe" orgulhosa, tirei uma bela foto dos meus três "filhotes". Aqui vai outra fotinho deles!

Bem, por que eu disse que o post é, pela primeira vez, do trio? 



1. Começando pelo "filhote" caçula: TALISMÃS, apesar de nem ter sido publicado ainda, recebeu um belíssimo post do Paulo Cezar, do blog Fun's Hunter. No post, Paulo Cezar incluiu o "Era uma vez..." de TALISMÃS (perguntou antes se podia, e é claro que podia!) e, no final do post, está a melhor homenagem que uma escritora pode desejar... Uma foto da "família" completa de Uma geração. Todas as decisões., incluindo, para minha enorme surpresa, até o pacote de presente no qual CISNE foi embrulhado! Link para o post do Fun's Hunter aqui. Olhem só que foto mais... maravilhosa!!!
Na coleção do Paulo Cezar,
faltam apenas os marcadores da segunda edição de CISNE.
Estou mandando! :D


2. O "filhote" do meio, Linhagens, recebeu uma nova resenha nessa semana que passou. A resenha já ganhou um post só para ela, mas vai incluída aqui porque o verdão é uma parte importante da família! A resenha é da Roberta Gouvêa, do blog Livros e Cores. Link aqui.


3. Finalizando, o "filhote" mais velho, CISNE, recebeu uma resenha novíssima da Mariana, do blog Doces Resenhas. E olha, gente, eu estava tão acostumada com o livro azul da primeira edição que ainda estranho quando vejo a capa avermelhada da segunda! Link para a resenha aqui.

Frase escolhida:

"A escrita da autora é ímpar, e mesmo sendo um livro de ficção científica, não achei nenhum pouco complexo como alguns que eu já li, sendo assim, recomendo para qualquer idade que a diversão e o prazer da leitura será o mesmo."

O que dizer no final deste post?
Só mesmo que estou muuuuito feliz!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

TALISMÃS - reta final!

Não sei como é com os outros escritores; comigo, esse processo de finalização do livro é sempre difícil e estressante. Sempre parece haver mil coisas a serem ajustadas e mudadas. Mil vírgulas nos lugares errados. Mil frases que poderiam ter sido melhor escritas! E daí,quando me dou por "pronta" e releio o texto todo mais uma vez (sim, é uma estranha concepção de "pronta"), descubro que as modificações não ficaram como eu queria...

Mas, enfim, Talismãs foi impresso em A4, o que significa revisão final MESMO, porque a última revisão é a impressa.

Bem, aqui está a primeira foto oficial da família reunida!


 Como Cisne e Linhagens,
Talismãs também começa com "Era uma vez"


E aqui estão os pacotes prontinhos para o Correio.
São para alguns voluntários que vão me ajudar
a decidir a capa do novo "monstrinho"!
(o papel diferente do pacote foi cortesia
da gráfica onde mandei imprimir.
Talismãs saiu de lá direto para o Correio!)


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Talismãs: quotes

Esses quotes estão sendo postados com (alguma, sempre que posso) regularidade no grupo Bem-Vindos a Bordo do Cisne (link). Neste link estão os quotes dos capítulos de 1 a 5, e neste link estão os quotes dos capítulos de 6 a 10.


Vamos lá com os quotes dos capítulos 11 a 15

Capítulo 11:

– Sua força é assim tão maior do que a Loon? – perguntou Henry a Peter.
– Eu não sei. Diga-me o senhor. Se somos gêmeos tão semelhantes, nossa força não tem que ser igual ou pelo menos quase igual?
– Estou sendo testado, Peter? – conferiu Henry.
– Está. Quero saber em que terreno estou pisando, senhor especialista em gêmeos. [...]
– [...] Vocês são gêmeos de semelhança física e mental incomum, o que significa que nasceram com potencialidades iguais. Como cada um vai desenvolver o que ganhou é assunto pessoal.
– Loon e eu desenvolvemos juntos, no treinamento de Luta.
– Mas só você ganhou o apelido de Apocalipse. Seu irmão é chamado apenas de Loon. Isso é temperamento, não força. Acaba se refletindo na força porque você coloca toda sua garra de Apocalipse no treinamento também; então, o treinamento tem efeito diferente em você.
Peter sorriu de leve, parecendo enfim um pouco menos tenso.
– Passou no teste, senhor especialista. Desde sempre, é no temperamento que Loon e eu somos mais diferentes. Eu brigo até o fim. Loon atira a toalha. Quando disseram que o adron voltava se não explicássemos o motivo da camuflagem mental, Loon queria contar. Achava que não dava pra encarar o adron.
– Mas você achou que dava.
– Não, tio Henry. Eu não achei que podia encarar o Patriarca da minha Linhagem. Loon estava certo, herdeiros não podem encarar Patriarcas e levar a melhor. Só um idiota pensaria assim, e eu não sou idiota. Bem sinceramente, achei que Loon e eu estávamos ferrados com a volta do adron. A posição de Loon, nesses casos, é dizer "ok, estou ferrado, você ganhou". A minha costuma ser "ok, estou ferrado, mas você vai ter que me derrubar e me segurar no chão, senão eu levanto e nós vamos começar tudo outra vez". Já descobri que tem uma distância bem grande entre a parte do "eu estou ferrado" e a do "você vai ter que me derrubar". Muitas vezes, foi nesse espaço que consegui vencer brigas que achava que já tinha perdido.


Capítulo 12 - quote especial pra turma que curtiu a aposta entre Jean e Pam!

– Ô chuvinha que não termina! – reclamou Tim. – E você, Pam, que tantos papos são esses com o Fogueirinha? Consequências daquele beijo, ainda?
– Vocês não vão largar do meu pé?!
– Mana Pam, não é bem o seu pé que aquele Fogo quer agarrar! – riu-se Tim. – Ok, pode ir contando dos papos. Pode ir explicando por que trocam de assunto cada vez que a gente chega perto!
– Porque nós estamos com uma aposta em andamento e discutindo as regras da coisa, é por isso!
– Ah, aposta! Quer ver como eu adivinho? Se ele ganhar, quer um beijo de prêmio!
– Certo! – concordou Pam, com uma chispa perigosa no olhar. – Mas vamos ver se você adivinha o que eu quero, se eu ganhar!
Tim ignorou a chispa e respondeu, rindo:
– Ele beija você se ele ganhar, e você beija ele se você ganhar?
– Não, Tinzinho do meu coração. Se eu ganhar, Jean vai beijar VOCÊ!
– O QUÊ?! – bradou o rapaz.
– Isso aí. E não adianta perguntar pra Jean o que é, porque a aposta é secreta e vocês não ficam sabendo antes do fim!
– Mas tá doida que vou deixar aquele Fogueira me beijar! Nem brincando! Nem pra pagar aposta! Eu descubro esse raio de aposta e faço ele ganhar de qualquer jeito!
– Ele não vai contar!
– Ah, vai! Ah, conta, ou eu não me chamo Tim Melbourne!
– Seu nome é Thimoty! – lembrou Pam, rindo.
– Melhor Thimoty do que de Laura ou Marieta ou Sara Beatrice! Mana Pam, como pôde fazer isso comigo?!


Capítulo 13 - e eu encontrei uma foto onde parecem haver duas luas no céu! :)

Henry foi para a proa do Cisne. Bem agasalhado porque a noite estava fria, mãos fundas nos bolsos, admirava o céu da Terra. Sempre estranhava. Em Kreganian, havia muito mais estrelas... e oito pequenas luas douradas. Sempre havia pelo menos duas delas no céu.
Não precisou esperar muito. Desde a conversa do jantar, os filhos estavam de olho, só esperando uma brecha. Teo e Tom se aproximaram, e cada um se debruçou na amurada de um lado do pai.
– Tentando congelar aqui fora, pai? – perguntou Teo.
– Achei que a chance de Jean se arriscar com o frio era bem pequena – respondeu o cientista.
– Estava falando de Champ-Bleux mais cedo, não é?
Henry assentiu, explicando:
– Champ-Bleux não trabalha apenas com Ciência convencional. Trabalha com paranormalidade, o que foi o motivo do Comando de Espaço ter feito testes tão rigorosos com Peggy, e trabalha com Ciência especulativa também.
– Ciência especulativa... – repetiu Tom. – Coisas que a Ciência convencional não consegue explicar. O Mar Negro deve estar no topo da lista deles.
– Bem perto do topo – admitiu Henry. – Há outros lugares que atraem mais a atenção de Champ-Bleux do que o Mar Negro, mas, sem dúvida, o Mar Negro está em posição de destaque. A Terra inteira sabe que estivemos lá, metidos em complicações. Assim que chegarem a Champ-Bleux, vai haver gente tentando conferir com vocês se as complicações foram realmente apenas aquelas que estão nos relatórios.
– Agora que estamos sozinhos, pode dizer os nomes que não quis dizer lá dentro?
– [...] Sim, eu posso dar um nome, e esse nome não me agrada: Leonard Janson. [...] Ele não respeita regra alguma. Os fins justificam quaisquer meios que se mostrem necessários, e o mundo que arrede do caminho.
– Que meios necessários seriam esses, pai? – Tom apoiou na amurada. – Que tipo de gente se interessa mais por Ciência especulativa? Pessoas com habilidades especulativas, talvez? É disso que o senhor está nos avisando? Por que não avisa claro, então?
Henry sorriu diante do raciocínio rápido do filho.
– Parabéns, filhote. Normalmente, as pessoas levam mais tempo para chegar a essa conclusão. O que posso dizer sobre Leonard Janson é que ele consegue elevar intimidação a um patamar tal que simples intimidação não explica.


Capítulo 14 - um quote pequenininho, que espanto...

Robert suspirou.
– É difícil ser um adolescente, estar perto de uma princesa de Senira e manter a cabeça no lugar. Senira tem muita afetividade para esperar um companheiro que, no caso de Kenet, só apareceu tarde. Há um Robert, antes, que tem todas as prerrogativas de companheiro. Veja Peg, por exemplo. Se ela encontrar cedo seu companheiro, vai ser um modelo de fidelidade. Se encontrar tarde, esse fulano vai, com toda certeza, ter muitos motivos para se enfurecer com seu antecessor. Torço para que Peg encontre logo o companheiro. Isso facilita muito a vida de princesas de Senira. Na verdade, estava torcendo por um dos seus filhos, mas parece que não é o caso.
– Não, acho que não é – Henry tentou não pensar em um herdeiro com o temperamento de Peter sendo obrigado a tolerar outro jovem junto com sua companheira, porque ela tinha afetividade demais para ficar sozinha.


Capítulo 15 - serviços domésticos!

A louça, Peter já tinha lavado. O Herdeiro de Merine estava agora atracado com o chão da cozinha. Mal viu o pai, foi logo protestando:
– Parece que o senhor cozinha no chão, pai! Oi, tio Henry! Só um pouco que estou acabando! Essa coisa aí se mete a cozinhar e metade do cardápio sempre vai parar no chão! Já disse que EU cuido da cozinha e o senhor por favor limite-se a pegar coisas do freezer e não faça nem ovo frito!
– Eu preciso comer mesmo quando você está em Krilin.
– Coma sanduíche! – fulminou Peter.
– Você fica muito meigo, quando está com a faxina.
– Cai fora, imundiciador de cozinhas! – Peter ameaçou o pai com o esfregão e Robert caiu fora mesmo. O filho era um excelente arremessador de esfregões. – E o senhor, tio Henry, que é que está rindo aí? Nunca viu ninguém lavando o chão?!
– Eu tenho uma tripulação perita nisso, mas é a primeira vez que vejo um príncipe de Tarilian envolvido com baldes e detergentes!
– Tarilian não tem príncipes, senhor cientista, tem Se-nho-res! Mania que vocês, terráqueos, têm com essa coisa de príncipe! Ah, droga! Olhe só onde ele conseguiu enfiar gordura! O senhor tem pressa?
– Não muita – Henry sorriu. – Quer ajuda?
– Não precisa, fique bem aí, não encha minha cozinha de pegadas! Mister Músculos aqui pode muito bem arredar o fogão sozinho!
E puxou o fogão para o meio da cozinha.
– Quanto tempo você vai ficar com a faxina?
– Até o adron estar melhor e Merine deixar as pessoas da vila entrarem. Por enquanto esta Casa maníaca diz que só Senhores e similares podem entrar, de modo que Senhores e similares têm que limpar o campinho pra não viverem na bagunça!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

... Somos feitos de poeira de estrelas!


"O nitrogênio de nosso DNA,
o cálcio de nossos dentes,
o ferro de nosso sangue,
o carbono de nossas tortas de maçã
foram feitos no interior de estrelas em colapso.
Nós somos feitos de poeira de estrelas."

Carl Sagan

Lindo.
Não tinha como não compartilhar...



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Resenha: Linhagens


Mais uma resenha novíssima, desta vez de Linhagens! Foi feita pela Roberta Gouvêa, do blog Livros e Cores. Link para a resenha completa aqui.

Frase escolhida:

"O que posso dizer é que Linhagens é ainda mais do que eu esperava, ele excedeu minhas expectativas. Algo que me cativou é o fato da gente nunca saber o que vem pela frente. Assim como Cisne, este não é um livro previsível."

É Linhagens conquistando seu lugar entre os leitores! :D


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Resenha: Cisne

Inicialmente, minhas desculpas pelo sumiço incomum de uma semana inteira, se tenho tanta coisa para contar! Acontece que Talismãs sugou meu cérebro. Está pronto agora: honrosos 56 capítulos e 203.000 palavras. É 50.000 palavras menor do que Cisne. Não adianta, só sei gerar "monstrinhos"!


Passando agora para o assunto do post:
Nas brechas que Talismãs me permitiu, novas parcerias foram feitas. Uma delas foi com o blog Luxuoso Estilo, da Ana Carolina. Ela recebeu Cisne há pouquíssimo tempo, leu e já resenhou! É esta resenha que trago para vocês agora. Aqui, o link para a resenha completa.

Parágrafos de encerramento, os meus favoritos:

"Agora que terminei de ler o livro, estou com uma verdadeira ressaca literária, sem falar na vontade que estou sentindo, de ser adotada pela família Melboure, ou seja, a todos que forem ler esse livro, preparem bem o coração, pois ele é lindo, emocionante e delicado, ele tem a dosagem certa de alegria, humor, amor, suspense, mistério, drama, ação e a cima de tudo humanidade.

Esse livro é como uma receita delicada, onde a autora precisou colocar a dosagem certa de cada ingrediente, para que essa receita saísse perfeita."  

Ana Carolina, muito obrigada. Bem-vinda à tripulação do Cisne, e ao grande grupo de candidatos a filhos de Doris e Henry Melbourne!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Talismãs: quotes


No primeiro post, reuni os quotes dos capítulos 1 a 5 de Talismãs. Esses quotes estão sendo postados no grupo (link) e o pessoal está gostando bastante! 

Nossa. Olhando agora até o final, que tamanho o post ficou! Isso não são quotes, são pedações de história pra ninguém botar defeito...

Capítulo 6

– O que não está funcionando no seu querido terminal?
– O querido terminal está ótimo, o problema são os descompensados do outro lado dele. Nosso pai, o famoso e ocupadíssimo major Shin, usou o Comando de Espaço como pretexto, caiu fora e me deixou encarregado de negociar com o sindicato dos técnicos em mineração. Eu devia chamar um psiquiatra para eles, em vez de negociar!
– Ônus de futuro Senhor, ó grande Aron de Slara! – riu-se a garota, maspuxou sua cadeira de modo a ficar ombro a ombro com o irmão, cheia de solidariedade. Qualquer parte do treinamento físico e mental era mais fácil do que as questões burocráticas e financeiras das Casas!
– Veja aqui, ó grande Vivi de Slara, essas planilhas e essas projeções. Viu? Pois olhe aqui o que eles entenderam das planilhas, e é baseado nesse delírio que eles querem negociar o reajuste! Dá pra aturar?!
– Mas de onde eles tiraram isso?! – espantou-se ela.
– Sei lá, mas que desanima, desanima mesmo! Como vou responder, se parece que eles estão falando de uma coisa e eu estou falando de outra?!
– O que eles nem sonham é que estão falando com a Casa de Slara – Vivi sempre se divertia com a "identidade secreta" das Casas em negócios convencionais. Aron, por exemplo, estava respondendo em nome da direção de um dos mais antigos conglomerados de mineração do planeta. – O que será que fariam se soubessem?
– Sei lá. Quanto de aumento se pode pedir a uma lenda? Mais, eu aposto!

Capítulo 7

Dessa vez, Robert optou por uma resposta sem evasivas.
– A reação de uma Casa defendendo sua Linhagem é frequentemente desproporcional. Não que a Linhagem não deva ser defendida; deve, sempre. Mas, se a Casa age sozinha, exagera e causa danos desnecessários. Se uma Casa se mobiliza para atacar e se, nessa ocasião, há um integrante de Linhagem presente, ele tem o dever de, se possível, verificar se a violência da ação da Casa é imprescindível. Quer uma resposta técnica, não é?
Peter assentiu, atento.
– Então observe que há diversos condicionantes na resposta. Primeiro, o integrante de Linhagem precisa estar na Casa e, de preferência, no Salão dos Tronos. Fora da Casa, não há como interferir. Segundo, é necessário muito poder pessoal para deter uma Casa, do tipo que só primeiros herdeiros de Linhagem têm. Em Merine, estas pessoas são seu avô, sua mãe e, algum dia, você.
– E o senhor?
– Não sei. Nunca precisei testar. Acredito que falharia no item seguinte, que é interação com a Casa. Próximo item: se possível, verificar se a violência da Casa é imprescindível. A Casa só age de forma autônoma se a Linhagem está em grande perigo. Se se tratar de um Senhor lento nas decisões, é melhor não interferir e deixar a Casa proteger a Linhagem da melhor maneira que puder. Se se tratar de uma situação extremamente crítica, ninguém tem chance de interferir, porque tudo se resolve em instantes. Por último, há situações em que a violência é inevitável, e então é necessário deixar a Casa agir. Respondido?

Capítulo 8

Robert olhou o Talismã na mão do filho. O sadar era feito de milhares de zaminors unidos num padrão complexo, que escorregavam entre os dedos de Peter como uma meada de linha meio desfiada. O Talismã ainda cintilava forte, em parte o brilho físico dos raros zaminors brancos, em parte o brilho da ativação mental. Era magnífico.
Do sadar, seus olhos passaram para Peter. 
Seu filho era um herdeiro bem instruído, e sabia que trazer o sadar daquela forma significava posse indiscutível sobre o Talismã da Linhagem. Em momentos como aquele, jovens herdeiros costumavam fechar a mão em torno de seus Talismãs, declarando-se legítimos proprietários. Guerras já haviam devastado o Império Atlante em consequência de momentos assim.
Num gesto simples, Peter passou o sadar para a mão do pai.
– Feito. Não se preocupe, não vou fazer contato antes de vocês descobrirem o que foi toda aquela confusão que o sadar e eu fizemos no Salão dos Tronos. 
A meada desfiada e brilhante de joias agora estava em sua mão, e Robert mais uma vez sentiu o fabuloso poder do Talismã de Merine. Era fantástico. Era o mais poderoso Talismã que Robert conhecia, e ele conhecia muitos.
Casas se vinculavam a Linhagens; Talismãs se vinculavam a Senhores, apenas um Senhor de cada vez. Nas Casas, o ponto focal de poder eram os Tronos; os Talismãs eram, eles mesmos, pontos focais energéticos tornados sólidos. Se a necessidade era pequena, concentravam o poder do Senhor ao qual estavam vinculados. Se a necessidade era grande, seu alcance se ampliava, e passavam a reunir o poder da Casa ao poder do Senhor. E, quando a necessidade era desesperadora, o Talismã congregava em si o poder do Senhor, da Casa, dos Tronos, da Linhagem, de tudo o que o seu Nome representava. Se uma Casa era destruída, o Talismã armazenava em si as memórias que a recriariam. Se a Linhagem era exterminada junto com a Casa, cabia ao Talismã encontrar seus mais afastados integrantes e, a partir deles, reativar seu Nome. Existiam Talismãs sem Casas. Não existiam Casas sem Talismãs. Um Talismã era o coração, o cerne, a própria essência daquilo que representava: seu Nome. Em Tarilian, o maior dos Nomes era Merine.
Peter tivera Merine em suas mãos e, com naturalidade, devolvera ao seu pai.

Capítulo 9

Robert disse, com firmeza:
– Sei perfeitamente o que entreguei a Peter: a arma mais poderosa de Tarilian, depois da Casa de Merine. Sei que tenho um filho turrão, insubordinado e louco de vontade de pedir demissão de Merine. Mas, ao mesmo tempo, Peter é um Herdeiro que respeita a Linhagem em que nasceu. Se pudesse, ele não seria o próximo Senhor de Merine, mas, se tem que ser, pretende fazer isso direito. A partir daqui, assunto de Senhores, não de Herdeiros.
Miqi de Slara assentiu. Poderia informar aos demais Senhores, com instruções de não chegar à nova geração.
– Peter tem mais treinamento do que qualquer outro Herdeiro da mesma idade. Não estou falando de Luta e proezas físicas ou mentais, embora ele seja incomum nisso também. Estou falando de treinamento com Merine, conhecimentos e controle da Casa. Se Diure e eu faltássemos agora, aquele garoto lá dentro teria condições de assumir Merine sem problema algum. Tem poder, tem conhecimentos, tem muito mais experiência do que vocês podem supor. Esse foi um dos critérios para entregar o sadar a ele: se fosse necessário, Peter teria condições de assumir não só o sadar, mas a Casa também. O segundo critério é o nível de autoridade de Peter, que ele nunca usa. Ele é, na definição do próprio grupo dele, um Apocalipse, sempre pronto a resolver tudo no braço. Mas ele usa o braço dele, sem usar o braço de Merine. E ele poderia fazer isso. Peter não faz porque não quer, e poucas vezes vi um Herdeiro se portar assim. Entreguei uma arma a ele, sim. Porque sei que ele só vai usá-la se for obrigado e, quando for obrigado, vai usar bem.
Depois de alguns momentos de surpresa, Miqi disse:
– Nunca pareceu que você tinha essa opinião sobre o seu filho mais velho.
Robert sorriu de leve, cansado.
– Você nunca ouviu o Senhor de Merine reclamar do seu Herdeiro. O que vocês ouvem, e muito, é um pai reclamando do porre de filho que tem.

Capítulo 10

Peter perguntou por Katrin, e Aron prontamente informou:
(– Ela entrou ontem em sono de recuperação, está melhorando depressa. É ótimo ela, tia Elena e tio Regort estarem oficialmente na nave Juno, bem longe da Terra, porque assim o tio e a tia têm todo o tempo para Katrin. Tio Regort também falou que precisa conversar com você, Pete. Já reconsiderou a coisa do moleque inconsequente que é uma desgraça de Herdeiro de Merine.)
Peter suspirou tão fundo que o reflexo do suspiro chegou ao campo mental.
(– Tio Regort estava muito nervoso por causa de Katrin, Pete.)
(– Não enche, Aron! É claro que ele estava nervoso, eu quase matei a filha dele! Sem querer, mas quase matei do mesmo jeito! Ele não tem nada que conversar comigo, eu é que tenho que conversar com ele, e me desculpar muito direito por tudo isso!)
Na cozinha, esperando uma caprichada bandeja de lanche ser arrumada para Peter, Aron sorriu. Considerando a cabeça quente de Pete, todos receavam desastres na nova conversa entre ele e tio Regort. Pelo jeito, podiam ficar tranquilos. Ainda bem!
(– E o resto do pessoal? Deu problema com alguém, por causa de Merine?)
(– Não. Todo mundo ficou dois dias com os respectivos pais, e todos os pais garantiram que não houve problema algum. Já voltaram ao treinamento, com tio Paul dizendo que precisavam recuperar os dias de "folga". O Lata estava planejando um linchamento pelo desaforo de chamar essa confusão toda de folga. Aliás, está todo mundo de bronca com tio Paul, por ele não ter avisado o que estava acontecendo com Peggy.)
(– Peg! Sabe alguma coisa dela?)
(– Ela está no Cisne e o Cisne está em alto mar. Disseram que ela está mais calma e colaborando com as investigações mentais.)