terça-feira, 21 de janeiro de 2014

QUOTE

Este é o início do conto que estará na Amazon até o final do mês. A gravura é um pedacinho da capa.
Como estou realmente generosa hoje, DIVIRTAM-SE!




O Sol surgia numa festa de luzes, transformando as distantes montanhas em um caleidoscópio de cores. Muito azul, o céu fazia contraponto com a planície recém-lavrada que se estendia por quilômetros, com cheiro de terra forte e revirada.
A estrada cortava a paisagem numa reta sem fim, sem falhas ou defeitos. E, para completar sua perfeição, estava completamente deserta.
Era um indiscutível convite à velocidade.
O motociclista avaliou sua possante moto, a tentadora reta, a tranquilidade oferecida pela visão ampla para ambos os lados. Avaliou seu equipamento de segurança (macacão com seus jamais utilizados airbags, joelheiras, cotoveleiras, capacete de última geração) tão impecável quanto a própria estrada e, num toque distraído e automático, conferiu se os documentos estavam no bolso habitual do macacão. Estavam. Entre esses documentos, encontrava-se a ambicionada habilitação especial para alta velocidade, que raros jovens de sua idade possuíam. Ou seja, ele tinha até permissão oficial para acelerar o tanto quanto desejasse na tentação que se estendia à sua frente.
Com um sorriso torto nada condizente com a extrema beleza da manhã, o rapaz baixou a viseira do capacete e deu partida na moto, acelerando até uma velocidade pouco mais do que moderada. Não estava a fim de conversas. Na verdade, não estava NADA a fim de conversas, e disparar como um raio pela estrada deserta o obrigaria a parar lá na frente, para a fiscalização conferir seus documentos. Na última vez, haviam verificado cada documento seis – SEIS! – vezes. Não satisfeitos, haviam feito contato com a central e checado tudo mais duas vezes. Aparentemente, apenas velhotes repletos de juízo estavam aptos a receber uma habilitação para alta velocidade. Steve Breterech estava muito longe do primeiro requisito – velhote – e a uma distância variável do segundo – repleto de juízo.
Havia tirado sua habilitação básica ao completar quinze anos, a idade mínima. A habilitação para alta velocidade viera também depois do prazo mínimo de um ano e meio – e de repetir os exames por módicas sete vezes. Não que não tivesse passado exemplarmente no primeiro exame. Tinha passado, é claro. O problema é que os examinadores não se convenciam de que o moleque de dezessete anos era REALMENTE capaz de ser aprovado em um exame tão difícil.
E que moleque era aquele! Um metro e oitenta e seis de músculos, tendões, ossos e reflexos treinados desde a infância para o combate, tudo isso acompanhado por um rosto perfeito que fazia as garotas olharem, e olharem, e continuarem olhando, e virarem a cabeça para continuarem olhando de boca aberta até darem de cara na parede mais próxima. Ele estava muito acostumado ao som de gente se esborrachando em paredes às suas costas. Nem virava mais para olhar. E, se eventualmente virasse e então sorrisse, a garota (ou garotas) continuariam paralisadas, sem saber o que olhar primeiro: o sorriso cativante e sedutor ou os olhos tão claros que pareciam sempre chispar com luz própria. Cor dos olhos? Azuis, se ele estivesse de bom humor. Verdes, se estivesse irritado. Cinzentos e tranquilos, se ele estivesse em completa paz com o mundo. Cabelos escuros, sobrancelhas tão corretas que pareciam ter recebido cuidados especializados (o último incauto a emitir essa infeliz opinião ainda estava procurando seus dentes) e, se tudo isso não bastasse, o jovem tinha um charme, uma presença, um carisma, um algo mais impossível de definir.
Mas Steve Breterech era muito mais do que sua aparência extremamente incomum.
Na superfície, era um órfão adotado pela doutora Mada Breterech, uma das mais brilhantes cientistas da Terra. Há alguns meses, o jovem tinha feito os exames de ingresso para a Escola Avançada de Champ-Bleux, obtendo uma de suas cobiçadas duzentas e cinquenta vagas. Ou seja, o cérebro de Steve era tão bem cuidado quanto seu físico, e ele passaria boa parte dos próximos dez anos em Champ-Bleux, estudando Ciência superficiana convencional na melhor Escola Avançada do planeta. 
No Império Atlante, também era órfão, mas seu nome era Steve de Radamashi. Menino ainda, havia sido escolhido pelos Lordes de Moolna para ser o Guardião de Sarad – o encarregado de proteger com sua vida a vida de Harmon, o príncipe herdeiro do Palácio de Sarad. Os sarads eram os guerreiros do Império; Harmon, como seu príncipe, tinha o dever de ser o melhor guerreiro do Palácio. E Harmon sempre cumpria seus deveres. Sempre! Com rigidez e formalidade, todas as normas eram respeitadas, todas as tradições eram seguidas, todos os deveres eram honrados. Se era seu dever ser o melhor guerreiro de Sarad, Harmon treinara e aprendera até se tornar este guerreiro. Se era dever de Steve ser um guerreiro tão bom quanto seu príncipe para ser capaz de protegê-lo com eficiência, Harmon exigia que Steve fosse este guerreiro. Agora ninguém, em Sarad, sabia quem era o melhor: príncipe ou Guardião. O que todo o sarad sabia, com absoluta certeza, é que ambos possuíam força, velocidade e técnica admiráveis. Eram temíveis durante treinamentos e impiedosamente mortais em combate.

10 comentários:

  1. Podia ter postado o caminho, que com certeza eu já teria lido.... fica a pergunta.... o resto?????

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    1. Não precisa tripudiar só porque UMA VEZ esqueci de anexar o link, pô!
      (Essa pessoa aí acima é minha irmã. Pra irmã, dá pra responder assim, kkkk!)

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  2. Quero ler logo o conto inteiro! Se eu já estava super curiosa com Steve e Harmon depois de Linhagens, agora estou mais ainda!
    Beijos!

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    1. Como diria Jack, o Estripador...
      Vamos por partes, Déia! :D
      Me deem o direito a algum suspense, puxa!

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  3. Também " Preciso!!!" do conto inteiro....

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    1. Calminha aí. Como eu disse, vamos por partes! :D

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  4. Oie Eleonor!
    Gente, que legal o quote do conto! Superpacas - como diria o Bobby - essa ideia de pegar personagens de "Uma Geração. Todas As Decisões." e nos contar um pouquinho sobre eles! *-* Achei as descrições com um toque de elegância, adorei! E, sabe, sempre que jogo algum jogo, uso "Steve" como nome do meu personagem. Esse é meu nome preferido de todo mundo! Mas quanto ao personagem em si, eu gosto mais do Harmon que do Steve. :P Hahaha
    Beijos!
    http://leiturasdoedu.blogspot.com

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    1. Kkkk, eu gosto do nome Steve também, mas não jogo coisa nenhuma para precisar escolher nomes!
      Quanto a gostar mais de um personagem do que do outro... Cara, vocês nem conhecem essa dupla ainda! :D
      Beijos

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Porque a autora tonta respondeu no lugar errado, dã!

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