sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Descobrindo coisas sobre minha maneira de escrever


Uma vida toda escrevendo e, quando vou ver, estou me surpreendendo comigo mesma... E com cacoetes que arrumei sem perceber!

Sempre disse que, quando a inspiração bate, escrevo em qualquer lugar, sem problema algum. Não preciso silêncio - música específica - café na xícara azul de gatinhos - incenso de abacaxi. Inspiração = sentar + escrever + me divertir. Simples assim! Quer dizer, eu achava.

Também disse que, devido às bilhões de revisões que meu TOC literário me obrigou a fazer em Cisne e Linhagens, há bastante tempo não me envolvia com textos realmente novos. Era só consertar, remendar, incluir, cortar. Houve duas exceções a esse jejum literário: primeira, os artigos para Mulheres que Comandam, mas nesses textos é a pediatra Eleonor quem fala, não a escritora. Segunda exceção, o resumo de Cisne feito a quatro mãos por mim e por Henry Melbourne - mas esse também não é um texto tipicamente meu, uma vez que foi escrito em primeira pessoa, e eu sempre escrevo em terceira (coisas do Mentor de Kreganian. Ele é que estipulou que só escrevia se fosse desse jeito. Eu precisava de ajuda e concordei.)

Agora Cisne está sossegado com seus travessões e capítulos menores, falta apenas a última revisão com o texto impresso (juro que vai ser a última, rsrs!). Linhagens também está em paz, já tenho uma listinha de modificações a serem feitas numa próxima edição (TOC literário, ok?); nada cataclísmico, apenas separações de sílabas que podiam ter ficado melhores, umas vírgulas que sobraram após a inclusão dos travessões, coisas assim.

Com a vida assim organizada, me atirei alegremente no livro n. 3, que tem 90% de chances de se intitular Talismãs. Há, é claro, o que cortar, remendar e arrumar na parte dele que já está pronta. Mas também há partes a serem incluídas, e foi nestas que me atirei, feliz da vida por escrever algo totalmente novo depois de tanto tempo. O esquema de cada cena e acontecimento estava certinho na cabeça. Os personagens se apresentaram, prontos para colaborar. Comecei a escrever toda contente. E travei. Não entendi. Travei de novo. Peguei outro pedaço. Mais uma trava. Voltei ao primeiro. Ideias certinhas, personagens presentes prontos a dar palpites - e mais uma vez não funcionou. E eu sem entender o que estava acontecendo.

Daí, de repente - FEZ-SE A LUZ!

Eu simplesmente NÃO SEI escrever desse jeito que os livros ficam depois de revisados! Não sei escrever colocando as sagradas descrições de ambiente junto com os diálogos, me tira o ritmo, me distrai! Mas sabem o que me atrapalha MESMO? Aqueles travessões que vocês consideram indispensáveis, os que ficam no final das falas dos personagens! Escrevi minha vida inteira usando vírgulas, agora não consigo escrever com travessões. Eles me tiram a fluência, a espontaneidade, e meus personagens ficam olhando pra eles e pensando "o que é que essas coisas estão fazendo aí?!" Portanto, larguei os travessões e as descrições de mão, me atirei a escrever do jeito que sempre escrevi... E eis que a coisa passou a funcionar novamente!

Conclusão: admito que também tenho o que pensei que não tinha: manias ao escrever! PRECISO escrever do MEU jeito, nem que tenha que revisar tudo depois, rsrsrs!


5 comentários:

  1. Apesar de um texto tão bonito, e mesmo que seja para um sentido único, com uma coisa tenho que contradizer: Sua maneira de escrita é maravilhosa. Ontem comecei a ler Cisne, e mesmo que, com estranheza percebi a falta dos tais "travessões super hiper importantes", amei a sua forma de escrita. Isto que eu mais gosto em cada escritor. Seja uma palavra usada, a forma de escrever ou oque for, isso, além de enredo das histórias, é oque mais me encanta. Eleonor, oque tenho a te dizer é que mesmo que tente melhorar um texto anteriormente escrito com seus verdadeiros sentimentos e espontaneidade saiba que seja com qualquer "travessão faltando", ou virgula mal interpretada, continue sendo Eleonor! ♥

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  2. Continue com todo esse jeitinho especial que você tem de escrever.
    Eu adoro sua escrita, se possível, não mude.
    Acho que sua forma de escrever é o que te diferencia.
    lendoeaprendendoblog.blogspot.com

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  3. ushauhsu' escreva desse jeito, depois quando terminar, revisa e coloca os travessões (coloca por favor, porque não dá pra ler sem eles).
    Eu estou adorando Linhagens, acho que já entendi a capa, mas preciso urgentemente de uma lista de personagens, estou me perdendo! ushausahu'

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  4. Não entendi porque o pessoal faz tanto alarde com travessões!! Sim eles são importantes mas não atrapalham durante a leitura, eu li 400 páginas de Cisne em um só dia e nem percebi que tinha vírgulas no lugar de travessões, a história é tão envolvente que a gente nem repara nessas coisas, pelo menos eu não reparei haha.
    Eleonor estou encantada com seu livro e adorei a oportunidade de poder ler essa história fantástica. Continue com seu jeito lindo de escrever que continuará encantando milhares de pessoas...

    Meu Filme virou Livro

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  5. Ai ai ai Eleonor rsrsrs O importante é que vc escreva. Que escreva logo Talismãs. Eu nem ligo com a falta dos travessões, eu amei demais Cisne.
    Escreva do seu jeito que eu sigo amando do meu.

    beijos

    www.reticenciando.com

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