domingo, 4 de setembro de 2016

AQUECE 15 - A SURPRESA!

Olá, tripulação!


***  AQUECE FINAL ***

A você, que compareceu à Bienal e ao nosso estande, meu MUITO OBRIGADA!

A você, que não pôde vir e acompanhou os posts destes últimos quinze dias, meu abraço também! E, só para informar, todos os quotes postados não chegaram nem na metade das 554 páginas de Talismãs. Tem muita, mas MUITA história mesmo para rechear tantas páginas! Até mesmo onde precisei recapitular algumas partes, informações novas e muito relevantes foram inseridas. Então, seja gentil com esta autora que cortou tudo o que podia: não pule partes porque acha que sabe do que o parágrafo fala, ok? Tem informações em toda parte. Principalmente nas entrelinhas!

Sobre a prometida surpresa para hoje, bem... Clique aqui, e será direcionado para o equivalente a três capítulos do livro 4, que ainda não tem nome definido. Se você leu Guardião?, releia antes e vai conseguir se ambientar muito melhor. Se não leu Guardião?, pode ler esta parte sem problemas. Vai entender tudo. Mas fica mais interessante se já souber do que eles estão falando...

Boa leitura!






sábado, 3 de setembro de 2016

AQUECE 14 - Herdeira?

Olá, tripulação!


***  PENÚLTIMO AQUECE ***





Especial de penúltimo dia: início do conto que acompanha Talismãs. Seu título é Herdeira?. A protagonista é a princesa Katelin, que todos acreditam ser a última sobrevivente da Linhagem Imperial de Relana. Ela não é uma princesa muito fofinha e suave, como podem constatar pela imagem da capa.
Quote generoso!



SÓ OBSERVO!
Ontem, o cais da Cúpula 1 de Nova Atlantis agitou-se consideravelmente com a precipitada partida dos Lordes Lerri de Katalir e Yonen de Novonax. Nossos sempre tão descontraídos Lordes mostravam-se tensos e irritados, negando-se a informar o destino de sua inesperada viagem. Embarcaram no Raio de Luz, o mais veloz e luxuoso sub das docas imperiais. De acordo com o controle das docas, acionaram a velocidade máxima assim que ultrapassaram o perímetro de Nova Atlantis.
Curiosos sobre o motivo da pressa dos nossos queridos Lordes? Nós também!
De acordo com nossas fontes, os Lordes estão rumando diretamente para o rio submarino de Talos, cujo festival, como todos sabem, foi cancelado este ano. A instabilidade do Rio Proibido continua aumentando e não há segurança para a realização de prova alguma, por mais radical que seja o esporte envolvido e por mais riscos que o participante aceite assumir. Esportes radicais em Talos? Loucura, garantem todos os especialistas.
NO ENTANTO, há rumores de que um festival está sendo organizado CLANDESTINAMENTE!
Isto nos leva a concluir que:
1. Organização clandestina significa utilizar os pontos mais perigosos do Rio Proibido, uma vez que estes são os únicos livres de vigilância constante. Afinal, para que vigiar uma corredeira que mata todos que se aproximam dela? Não deveriam ser os pontos perigosos os mais vigiados de todos??? Por que vigiar a região mais conhecida e branda das corredeiras de Talos e negligenciar seus pontos mais perigosos??? Aguardamos respostas a estas questões!!!
2. Os Lordes Yonen de Novonax e Lerri de Katalir são notórios apreciadores de cassinos e o maior risco que costumam correr é o de perder fortunas em jogos de azar. Com certeza, não seriam mais do que espectadores em esportes radicais!
3. ENTRETANTO, Lady Yeda de Novonax, irmã de Lorde Yonen, e Lady Kelara de Laranael, protegida de Lorde Lerri, são conhecidas amantes de adrenalina. E ambas não são vistas há dois dias em nossa bela capital! Seriam elas o motivo da súbita correria de nossos intrépidos Lordes? Estarão eles em uma heroica missão de resgate???
Nossos correspondentes em Talos encontram-se alertas e atentos, prontos para nos informar sobre qualquer novidade! Mantenham-se conectados!

Katelin sorriu entre os lábios apertados ao recordar cada palavra da matéria postada há duas horas. O "Só Observo!" era a maior e mais sensacionalista mídia de amenidades do Império Atlante, seguida por milhões de curiosos. Ou seja, eram gente que ganhava a vida falando da vida dos famosos, e os jovens Lordes de Atlantis eram seus principais alvos. Já havia muitos processos correndo dos Lordes contra o "Só Observo!" e vice-versa. O último e mais badalado processo era do "Só Observo!" contra Lerri. Lerri tinha se enfurecido com um repórter do "Só Observo!" que ria e noticiava ao vivo cada vez que ele, Lerri, perdia no cassino. E, na vigésima vez em que se viu alvo de risos devido à sua maré de azar, Lerri perdeu a paciência e a educação junto, mandando o punho no microfone do homem. O microfone voou direto nos dentes do repórter, com o punho de Lerri fazendo o mesmo percurso. Resultado, um repórter irritante esparramado no chão por cima de sua irritante equipe, muitos dentes quebrados, sangue por todo o lado e, de brinde, o nariz do cara quebrado também. Tudo devidamente filmado e documentado, é claro.
Depois daquele episódio, os repórteres do "Só Observo! "continuaram irritantes, mas de uma distância muito mais prudente.
Enfim, o importante é que, agora, todo o Império Atlante estava focado em Lerri e Yonen correndo para Talos para impedir Yeda e Kelara de participarem de um festival clandestino de esportes radicais. Perfeito!
Em Talos, a primeira tarefa de Lerri e Yonen seria acabar com o maldito festival clandestino. Se o festival oficial, cercado de todas as medidas de segurança, matava pelo menos dez por ano, imagine-se quantos morreriam no clandestino! A segunda tarefa ficaria por conta dos escandalosos repórteres do "Só Observo!", que se falariam até a exaustão sobre a necessidade de vigiar os pontos mais perigosos do Rio Proibido de Talos. Evidentemente, isto incluiria inúmeras entrevistas com pessoas chorosas e desesperadas que tinham perdido familiares nas violentas corredeiras. Nem todas as entrevistas seriam verídicas, é óbvio. O "Só Observo!" fabricava testemunhas, quando as verdadeiras não eram dramáticas o suficiente. Mas, fosse como fosse, cumpriria o objetivo: seria o estopim para uma regulamentação mais severa no acesso ao Rio Proibido. As corredeiras daquele rio submarino eram as mais perigosas do Império. Bastava de vidas desperdiçadas ali! Depois que o "Só Observo!" começasse o barulho (e eles SEMPRE faziam MUITO barulho!), bastaria convencer os políticos de que aquilo poderia render muitos dividendos eleitorais. E, depois que os políticos começassem a se mexer, bem... Era só empurrar alguns para as decisões mais adequadas. Com alguma sorte e muita perícia, conseguiriam aumentar a segurança em torno do Rio Proibido daí a meio ano. Era um bom prazo. Bem antes do próximo festival assassino/suicida, ao menos...
A terceira tarefa da viagem caberia a Lerri e Yonen: tentar descobrir os motivos de as corredeiras do Rio Proibido terem enlouquecido nos últimos meses. Era a tarefa mais difícil, mas os dois rapazes eram habilidosos e criativos. Talvez encontrassem alguma coisa.
Katelin subiu mais quatro metros, movendo-se silenciosamente na copa da árvore. Suas roupas manchadas de verde e marrom a camuflavam com perfeição. Os longos cabelos louros estavam presos sob a touca negra que ocultava também seu rosto. Os olhos azuis-esverdeados sumiam atrás de óculos de lentes escuras. As luvas estavam presas no cinto, porque era mais seguro escalar árvores, muros ou paredes com as mãos limpas. Com agilidade, a jovem alcançou um galho longo e fino que se aproximava bastante da janela aberta no segundo andar. Tudo estava escuro e quieto lá dentro, mas ela se imobilizou, aguardando.
Quanto a Kelara e Yeda, as duas Ladies estavam muito longe de Talos, seu Rio Proibido e seu festival clandestino de esportes radicais. Estavam há dois dias em Arimar, uma cidade sob cúpulas a apenas quatro horas de Nova Atlantis, a capital do Império Atlante. A fuga fora magistral. Pretextando estudos, as duas tinham se trancado juntas nos aposentos de Kelara. A condessa olhara por algumas horas as portas fechadas, desconfiando da súbita dedicação aos livros... e, com sua chave-mestra, abrira as portas para descobrir que as duas encrenqueiras tinham, de alguma forma, desaparecido de aposentos trancados com janelas na altura do sexto andar.  Então Lerri se lembrara do festival do Rio Proibido, desencadeando todo tumulto que havia levado para Talos a elite dos repórteres do "Só Observo!".
Katelin sorriu mais uma vez, a beleza de seu sorriso escondida pela touca negra.
Yeda e Kelara haviam se trancado e imediatamente se disfarçado. Dentaduras e sobrancelhas postiças, perucas, lentes de contato e enchimento para bochechas e nariz (que eram incrivelmente desconfortáveis, mas muito eficientes) surgiram de esconderijos no quarto de Kelara. Logo as duas Ladies pareciam qualquer pessoa, menos elas mesmas. Katelin dera a elas apenas dez minutos antes de bater de leve, no sinal combinado, e, apesar do palacete cheio de gente, Katelin guiara-as até a saída sem serem vistas. Lá fora, Yeda e Kelara se haviam se misturado com o constante vai-e-vem dos funcionários e serviçais da Cúpula 1, e passado para as cúpulas comerciais, e partido para Arimar em um transporte de baixo custo. Assim, enquanto eram procuradas em Talos, do outro lado do Império, as duas Ladies tinham total tranquilidade para investigarem as grandes estações de tratamento de rejeitos de Arimar. Há meses, surgiam denúncias e mais denúncias de que as estações de tratamento de Arimar estavam despejando grandes quantidades de poluentes no mar. Estranhamente, todas as denúncias eram arquivadas. E, mais estranhamente ainda, as estações de tratamento de Arimar pertenciam a um rico e influente conselheiro. Katelin acreditava que Kelara e Yeda não teriam qualquer dificuldade em reunir as provas de que precisavam.
Lá em baixo, no jardim, dois guardas fizeram sua ronda no horário previsto. A equipe de segurança da mansão era excelente e mudava os horários das rondas a cada vinte e quatro horas, mas informações confiáveis não eram problema para Katelin, que esperou os dois sumirem no canto da casa para avançar pelo galho. A cada passo dado com a cautelosa elegância de uma ginasta, o galho oscilava de leve, abaixando conforme ela se aproximava de seu objetivo: a janela. A três metros da janela, Katelin saltou. Seus pés pousaram certeiramente no peitoril. Doze metros abaixo, o jardim. E sem rede de segurança, pensou a garota, sorrindo e pulando para dentro do gabinete com a discrição de uma sombra.
Os olhos já estavam acostumados à escuridão, mas, mesmo assim, Katelin se deu alguns minutos, aproveitando para colocar as luvas. Analisou o gabinete. Um sofá e duas poltronas de aparência muito cara. Paredes com painéis de madeira e muitos quadros. Esculturas de um artista famoso ao lado da porta fechada. Uma grande mesa de trabalho também de madeira, repleta de gavetas nas laterais e decerto com muitos compartimentos secretos. Madeira era sempre um indicativo de poder no Império Atlante, assim como os abajures e o lustre de cristal, típicos da superfície. O ambiente era luxuoso, bem adequado a um dos mais antigos membros do Conselho Imperial.
Com delicadeza, a jovem verificou a porta. Trancada. Foi então para perto de uma das paredes, ajoelhou-se no tapete macio e curvou o corpo para frente, como uma bola. Colocou a mão em concha bem perto do peito, fechou os olhos e sussurrou, de forma quase inaudível:
– Pode vir.
Com um intenso clarão de transporte, a Pérola de Crialelar surgiu na mão de sua proprietária. Sua luz foi abafada pelo corpo de Katelin, que mantinha os olhos fechados.
– Ok, chega de brilhar. Apague o máximo que puder.
O Artefato obedeceu, e logo Katelin podia abrir os olhos sem o risco de ofuscar.

Pois é... Que interessante ela ter uma Pérola de Crialelar, não acham? Como ela conseguiu uma preciosidade destas?
E não esqueçam do quote especial de amanhã. Prometo uma bela surpresa!